Araçagy

Mais três pessoas podem ser indiciadas por crime de grilagem

Entre os suspeitos está a ex-diretora do cartório de imóveis de São José de Ribamar.

Saulo Maclean / O Estado

Atualizada em 27/03/2022 às 12h29

SÃO LUÍS - Mais três pessoas, entre elas uma ex-diretora de um cartório de imóveis no município de São José de Ribamar, podem ser indiciadas por participação nos crimes de grilagem de terras na área do Araçagi, os quais, segundo a Polícia Civil do Maranhão, teriam como principais envolvidos o corretor de imóveis Elias Orlando Nunes Filho, de 57 anos, e o vereador de Paço do Lumiar, Edson Arouche Junior, o Júnior do Mojó, de 42 anos, ambos foragidos da Justiça. Os novos suspeitos foram interrogados, ontem, na Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). Eles seriam, de acordo com a polícia, precursores dos sócios da Imobiliária Territorial, na venda irregular de terrenos em São Luís.

Dois dos suspeitos foram identificados como Armando Oliveira Silva, de 61 anos, e Armando Oliveira Silva Junior, pai e filho, que seriam sócios da imobiliária Phênix Empreendimentos Imobiliários. A terceira pessoa intimada a depor foi Filomena Maria do Carmo Pereira, advogada e ex-diretora de um cartório de registro de imóveis na cidade balneária. Os três suspeitos passaram a ser investigados pela polícia desde o dia 26 de outubro, quando vasta documentação de procedência duvidosa foi apreendida em dois endereços de Elias Filho e Júnior do Mojó.

"Essas pessoas seriam as que ensinaram, vamos dizer assim, ao corretor e ao vereador todo o esquema fraudulento de falsificação de certidões de venda de terrenos na Região Metropolitana de São Luís. Seus nomes e suas assinaturas foram encontrados em vários documentos falsos, apreendidos em casas do corretor e do vereador, quando já estavam foragidos, por terem sido indiciados como mandantes da morte do empresário Marggion Andrade, em outubro deste ano", explicou o superintendente da Seic, Augusto Barros.

Loteamento - Ainda de acordo com o delegado, os três suspeitos podem ser responsáveis pela venda e revenda de mais de 500 loteamentos na área do Araçagi, desde o início da década de 80, data das fraudes mais antigas, já confirmadas no inquérito policial apartado ao homicídio do empresário. Apesar de ainda ser considerada muito prematura, a apuração sobre o caso já possibilita à polícia afirmar que o montante arrecadado irregularmente pela organização criminosa, liderada por Elias Filho e Júnior do Mojó, alcança cifras milionárias. "Estamos falando de milhões de reais no esquema", acrescentou Barros.

Os depoimentos foram colhidos pelo delegado Carlos Alberto Damasceno, que é titular do 7° Distrito Policial (Turu), mas acompanha desde o início as investigações sobre o Caso Marggion e o desdobramento do inquérito acerca dos crimes de grilagem de terras. Mesmo tendo seus nomes encontrados nos documentos irregulares, Armando Oliveira Silva, Armando Oliveira Silva Junior e Filomena Maria do Carmo Pereira ainda não serão indiciados. De acordo com o superintendente Augusto Barros, centenas de documentos duvidosos apreendidos ainda precisam ser periciados.

Força-tarefa - A tomada de depoimento dos suspeitos de participação nos crimes de grilagem de terras no Araçagi é um dos primeiros passos da nova equipe de investigadores, formada por delegados dos quatro Centros Integrados de Defesa Social (Cids) da Ilha, com apoio da Seic. A força-tarefa foi reestruturada na segunda-feira, 12, quando a delegada-geral de Polícia Civil do Maranhão, Maria Cristina Meneses, assinou portaria, determinando o reforço da comissão investigadora. A assinatura do documento também foi feita para contemplar o inquérito sobre a suposta encomenda da morte do superintendente de Polícia Civil da Capital (SPCC), Sebastião Uchoa.

Interceptações telefônicas renderam à Polícia Civil informação de que a morte do superintendente da SPCC estaria sendo agenciada ao valor de R$ 150 mil, supostamente por Elias Filho e Júnior do Mojó. Nas investigações, surgiram os nomes do 3º sargento aposentado da Polícia Militar, José Ribamar Costa, conhecido como Pretocó, de 45 anos, e o ex-policial militar Washington Luís Caires, de 52 anos, como os contratados para matar o delegado Sebastião Uchoa. Os dois procuraram alguns veículos de imprensa para se defender das acusações, afirmando não terem envolvimento com a suposta encomenda de morte.

Além do delegado Augusto Barros, superintendente da Superintendente Estadual de Investigações Criminais (Seic), foi incumbido de integrar a força-tarefa o delegado Roberto Larrat, chefe do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO) da especializada.

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