SÃO LUÍS - A delegada-geral de Polícia Civil do Maranhão, Maria Cristina Meneses, assinou ontem uma portaria que determina o reforço da comissão que investiga os crimes de grilagem de terras, na área do Araçagi, nos quais são apontados como líderes da organização criminosa o corretor de imóveis Elias Orlando Nunes Filho, de 57 anos, e do vereador de Paço do Lumiar, Edson Arouche Junior, o Júnior do Mojó, de 42 anos. Os dois são considerados foragidos da Justiça desde a conclusão do inquérito sobre a morte do empresário Marggion Lanyere Andrade, de 45 anos, em outubro deste ano.
Em reunião fechada com a cúpula da Polícia Civil, Maria Cristina Meneses contemplou também, com a assinatura do documento, os trabalhos de investigação sobre a suposta encomenda da morte do superintendente de Polícia Civil da Capital, delegado Sebastião Uchoa, nos quais o corretor e o vereador, sócios da Imobiliária Territorial, também aparecem como principais agenciadores. "A partir de agora, estes dois casos, cujos investigados são os mesmos, terão uma atenção especial, dentro da nossa instituição", disse a delegada.
"Determinamos a integração de mais dois delegados da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) na comissão de força-tarefa, antes designada pelo secretário de Segurança, Aluísio Mendes, pois entendemos que a Polícia Civil não pode se dobrar diante de afrontas como esta. Houve uma tentativa de intimidação à instituição, e esta será apenas a primeira providência no intuito de mostrar à criminalidade que as forças do Estado prevalecerão sempre. Para isso, daremos total suporte pessoal e material", acrescentou Maria Cristina Meneses.
Para reforçar a equipe de combate à grilagem de terras no Araçagi, foram destacados os delegados Augusto Barros, superintendente da Seic, e Roberto Larrat, chefe do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO) da especializada. Ambos participaram da reunião e prometeram empenho nas investigações dos casos. "Assim que recebemos a convocação, providenciamos de imediato um espaço físico exclusivo para este trabalho. Dispomos de uma equipe bastante experiente e preparada, e temos certeza que lograremos êxito nessa missão", disse Augusto Barros.
Grilagem e ameaça - Desde a morte do empresário Marggion Andrade, cujo corpo foi encontrado com um tiro na nuca, no dia 15 de outubro deste ano, enterrado em uma cova rasa em um terreno de sua propriedade, no Araçagi, o corretor de Elias Orlando Filho e o vereador Júnior do Mojó passaram a ser apontados como principais suspeitos de crimes de grilagem de terras, na Região Metropolitana de São Luís. Seus nomes passaram a ser investigados pela polícia durante a prisão de três pessoas, contratadas para matar o empresário, que havia comprado um terreno.
Os executores do crime, segundo a polícia, foram o ex-presidiário Alex Nascimento de Sousa, de 23 anos (que efetuou o disparo); o caseiro do empresário, Roubert Sousa dos Santos, o Louro, de 19 anos, preso horas depois de o cadáver ser encontrado, e um adolescente de 15 anos, que deu cobertura durante a execução. Todos, ao prestarem depoimentos, afirmaram que haviam sido contratados pelo corretor e pelo vereador para matarem Marggion Andrade, pois estes queriam tomar-lhe o lote, vendido a outros cinco clientes, posteriormente.
Interceptações telefônicas renderam à Polícia Civil informação de que a morte do superintendente da SPCC estaria sendo agenciada ao valor de R$ 150 mil. Nas investigações, surgiram os nomes do 3º sargento aposentado da Polícia Militar, José Ribamar Costa, conhecido como Pretocó, de 45 anos, e o ex-policial militar Washington Luís Caires, de 52, como os supostos contratados para executar o delegado Sebastião Uchoa. Os dois procuraram alguns veículos de imprensa para se defender das acusações, afirmando não terem qualquer envolvimento com a suposta encomenda de morte.
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