SÃO LUÍS - Para muitos homens, trânsito é sinônimo de congestionamento e estresse. Ainda mais em um clima de mais de 30 graus e a pressa que é inerente a toda sociedade moderna. Alguns são tão apressados que não resistem à possibilidade de cometer alguma infração, e de fato, cometem.
Isso é menos comum de acontecer com as mulheres que amanhã, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, continuam conquistando os mais diversos setores e fazendo do trânsito um espaço mais humanizado e prudente.
Prudência percebida nos mínimos detalhes na segurança, como os cuidados com o veículo, o uso do cinto de segurança, a atenção redobrada nas vias... O que causa certo, desconforto e irritação aos homens.
Dados do Departamente Estadual de Trânsito (Detran-MA) destacam que em todo o Estado existem 105.070 condutoras habilitadas em todas as categorias. Apesar de ser um quantitativo três vezes menor se comparado ao número de condutores (375.427), dados de 2009 do departamento constatam que 86% dos acidentes de trânsito foram causados por motoristas do sexo masculino, e apenas 14% por condutoras em São Luís. Ou seja, 8.094 condutores do sexo masculino e 1.335 do sexo feminino, totalizando os 9.429 registrados em 2009 na Capital, o que reforça, ainda mais, que as mulheres estão muito mais prudentes no trânsito.
Cautela - A psicóloga credenciada do Detran-MA, Tainá de Brito, que atende de 10 a 12 candidatos à primeira habilitação diariamente, confirma as estatísticas e o perfil de cautela das condutoras. "Observamos que a mulher está mais corajosa, o medo em enfrentar o trânsito não existe mais. De fato quando o assunto é prudência e respeito às leis de trânsito, ela está em primeiro lugar", revelou a psicóloga.
Por outro lado, "esse medo ainda persegue algumas mulheres que na hora de realizar o teste de direção veicular, ou mais conhecido como exame prático, ainda chegam ao departamento muito nervosas", enfatizou o examinador que presta serviço ao Detran-MA, André Ramos.
"O meu nervosismo é mais em relação ao desconhecido. Na autoescola o instrutor explica as regras a serem cumpridas, mas na hora "h" do exame, tem sempre aquilo que é humano, a ansiedade e o nervosismo, aliado à vontade de tirar a habilitação e dirigir o próprio carro. A gente não sabe exatamente qual será o resultado na avaliação. O que me dá mais medo, na verdade, é a imprudência dos outros motoristas", destacou a nova habilitada na categoria B, Rafaelle Andrade,19.
Algumas mulheres ao volante não gostam de fazer balizas e dá ré. "Não tenho muito noção de espaço entre os carros quando vou estacionar. O receio é que o espaço seja pequeno e não consiga sair", enfatizou a radialista Rosaline Dourado, 31, habilitada há três meses.
Outro caso curioso é da auxiliar administrativa Charlene Rabelo Aguiar, 24, que é habilitada em todas as categorias, de A (motos) a E (caminhões de carga). "Fiz essa opção buscando uma oportunidade e espaço no mercado de trabalho. Adoro motos e veículos grandes", destacou a motorista que não se sente intimidada apesar de sua altura de apenas de 1,55m.
Mulheres no trânsito - Engana-se quem pensa que a vaidade fica de lado quando o assunto é a mulher no trânsito. "Sou muito vaidosa, a minha principal companheira no trânsito é a minha nécessaire", revelou Cristiane Melo, 32, motorista de ônibus da Capital, que em seu "kit de primeiros socorros" possui um verdadeiro arsenal de beleza com batons, sombras e blush.
Deixando de lado um pouco a vaidade, mas buscando a mudança de vida depois de uma separação, a então costureira Nerilene Mendes, a Nerinha, 49 anos, entrou para o universo estritamente masculino dos taxistas.
São seis anos de trabalho na praça em que Nerinha recebe várias manifestações de apoio por onde passa, em suas corridas pelas ruas da Capital. Sobre a relação com os colegas de profissão, Nerinha disse que o único problema é a intolerância, que nem todos a possuem, o que acaba dificultando um pouco a "convivência". Nerinha gostou tanto da atividade de ser taxista que influenciou diretamente a escolha da irmã Néia Mendes, 23, que há mais de um ano optou por profissão no trânsito.
Já a mototaxista Nilda de Jesus, 40, acredita sofrer preconceito por ser mulher. Alguns passageiros não querem pegar corrida com ela. "Encaro isso numa boa, é uma escolha deles", disse Nilda.
"A mulher a cada dia conquista novos espaços na sociedade, e no trânsito não é diferente! Nós só temos a valorizar a prudência e o cuidado das mulheres no trânsito”, destacou o diretor geral do Detran-MA, Flávio Trindade Jerônimo.
História
A batalha das mulheres em conseguir melhorias para a sua categoria começou no ano de 1857, em que, em meio à Revolução Industrial, várias operárias se rebelaram contra a árdua jornada de trabalho a qual eram submetidas e decidiram lutar por seus direitos, porém, o reconhecimento veio bem mais tarde.
Já no ano de 1910, houve uma Conferência na Dinamarca, onde foi sugerido que todo dia 8 de março fosse comemorado o Dia Internacional da Mulher, mas somente 65 anos depois, em 1975, por meio de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.
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