BRASÍLIA - Há 15 dias, brasileiros, chineses e javaneses foram surpreendidos por horas de ataques de quilombolas na cidade de Albina (a 150 quilômetros de Paramaribo). O saldo do ataque só entre brasileiros deixou mais de 100 homens, mulheres e crianças desalojados, além de 25 feridos, 17 mulheres agredidas sexualmente – pelo menos três estupradas -, além de traumas físicos e psicológicos. Apenas 37 brasileiros, que estavam na madrugada do crime, resolveram voltar ao Brasil.
“Os brasileiros que vêm para o Suriname têm objetivos bem definidos. Em geral, é trabalhar duro no garimpo e fazer economia. Só depois voltar para o Brasil”, afirmou à Agência Brasil o embaixador brasileiro em Paramaribo, José Luiz Machado e Costa. “Raros nos procuram querendo voltar. O mais frequente é que eles entrem mata adentro meses a fio.”
O diplomata disse ainda que depois do ataque houve uma mudança de comportamento entre vários dos cerca de 18 mil brasileiros que vivem no Suriname. Segundo Machado e Costa, aumentou o grau de dependência dos brasileiros em relação ao governo, no caso a embaixada. De acordo com ele, é como se a representação diplomática fosse a base de segurança para essas pessoas.
“Os que estão longe de suas casas [a maioria dos desalojados está abrigada em hotéis na capital do Suriname] querem voltar, mas ainda temem pelos riscos, embora Albina não seja um local de permanência dos brasileiros, mas apenas de passagem”, afirmou o embaixador. “Eles [os que estavam na madrugada do ataque] seguem a nossa recomendação de, por enquanto, não retornar àquela área. É melhor aguardar mais um pouco, segundo as próprias autoridades do Suriname.”
O ataque aos brasileiros virou tema de discussões políticas no Suriname. Políticos locais afirmam que depois das agressões ficará impossível o convívio entre brasileiros e quilombolas (os “marrons”, descendentes de escravos). Mas o embaixador rebateu essas afirmações. “Em outras regiões do Suriname, o convívio é tranquilo e sem ameaças. É necessário compreender a complexidade deste país”..
O Suriname é um país com complexa diversidade étnica e religiosa. Com pouco mais de 470 mil habitantes, o país vizinho é apontado por especialistas como receptivo a estrangeiros. Há descendentes de escravos e dos ex-colonizadores holandeses, além de chineses, indianos, javaneses e brasileiros. Os “marrons” vivem isolados e respeitam leis e regras próprias, causando divergências constantes com o governo surinamês.
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