audiências de instrução e julgamento

Pastor acusado de estupro e tortura começa a ser julgado em Paço do Lumiar

David Gonçalves da Silva é acusado de estupro de vulnerável, tortura e estelionato contra fiéis da instituição religiosa localizada no município, na Região Metropolitana de São Luís.

Imirante.com, com informações da TV Mirante

- Atualizada em 21/09/2026 às 15h02
Pastor David Gonçalves da Silva, líder religioso da Shekinah House Church.
Pastor David Gonçalves da Silva, líder religioso da Shekinah House Church. (Foto: Reprodução)

PAÇO DO LUMIAR -Começa nesta segunda-feira (21), no Fórum de Paço do Lumiar, a audiência de instrução e julgamento do pastor David Gonçalves da Silva, líder religioso da Shekinah House Church. Ele é acusado de estupro de vulnerável, tortura e estelionato contra fiéis da instituição religiosa localizada no município, na Região Metropolitana de São Luís.

De acordo com a Vara Criminal de Paço do Lumiar, o grande número de pessoas que deverão prestar depoimento fez com que a fase de instrução fosse dividida em cinco dias. Durante as audiências, devem ser ouvidas as supostas vítimas, testemunhas do processo e, posteriormente, o próprio acusado.

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O processo contra o pastor David Gonçalves da Silva tramita em segredo de Justiça. Por esse motivo, segundo a Vara Criminal, as informações disponíveis sobre as audiências são limitadas e a imprensa não poderá acompanhar os depoimentos.

Segundo a denúncia, o líder religioso utilizava a posição que ocupava dentro da igreja e mecanismos de manipulação psicológica para exercer controle sobre os fiéis. As investigações apontam ainda suspeitas de castigos físicos e abusos sexuais contra pessoas que viviam em alojamentos ligados à instituição.

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Pastor David Gonçalves da Silva foi preso em abril

O pastor David Gonçalves da Silva foi preso em 17 de abril durante a investigação denominada “Falso Profeta”. Na época, ele era investigado por suspeitas de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

A investigação da Polícia Civil durou cerca de dois anos e teve início depois de denúncias feitas por ex-fiéis da igreja. Segundo o delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes investigados haviam sido identificadas durante o inquérito.

A partir do depoimento de uma das supostas vítimas, outras pessoas foram localizadas e ouvidas. As diligências alcançaram, inclusive, pessoas que estavam nos estados do Pará e do Ceará.

Segundo a Polícia Civil, o pastor David Gonçalves da Silva teria exercido controle durante anos sobre uma comunidade formada por aproximadamente 100 a 150 fiéis.

Vítimas relatam castigos físicos e violência psicológica

De acordo com depoimentos colhidos durante a investigação, a igreja mantinha um sistema de punições físicas e psicológicas contra pessoas que descumprissem regras internas ou contrariassem determinações do líder religioso.

Entre as supostas vítimas estão pessoas que chegaram à instituição em situação de vulnerabilidade. Um dos denunciantes afirmou ter entrado na igreja aos 13 anos, quando vivia em situação de rua e buscava ajuda.

“Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, relatou uma das vítimas durante a investigação.

Segundo os relatos, algumas agressões recebiam nomes específicos. Um dos castigos era chamado de “readas” e consistia em chicotadas aplicadas com um reio, instrumento semelhante a um chicote usado em cavalos.

Os investigadores afirmam que as punições eram utilizadas como forma de impor disciplina e ampliar o controle sobre as pessoas que viviam na comunidade religiosa.

Homens eram principais alvos de abusos sexuais, segundo a polícia

A Polícia Civil afirma que, apesar de a comunidade religiosa ser composta por homens e mulheres, os homens aparecem como os principais alvos dos supostos abusos sexuais investigados no caso.

Uma das vítimas relatou que os abusos teriam ocorrido durante vários anos.

“Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças”, afirmou.

O mesmo denunciante declarou ainda enfrentar consequências psicológicas relacionadas ao período em que permaneceu na comunidade religiosa.

Polícia encontrou folhas com frases repetidas mais de 100 vezes

Durante o cumprimento do mandado relacionado à investigação contra o pastor David Gonçalves da Silva, policiais apreenderam folhas de papel nas quais a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” aparecia escrita mais de 100 vezes.

Segundo os investigadores, escrever repetidamente a frase era uma das punições aplicadas aos fiéis.

A investigação também aponta que as pessoas que viviam no local tinham contato restrito com quem estava fora da comunidade e eram submetidas a regras rígidas de comportamento.

O delegado Sidney Oliveira afirmou que havia separação entre homens e mulheres e intensa vigilância dos integrantes da comunidade, inclusive durante momentos de privacidade.

Segundo o delegado, câmeras instaladas no local também eram utilizadas para acompanhar o comportamento das pessoas que viviam nos alojamentos.

Processo tramita em segredo de Justiça

Por causa do segredo de Justiça, o conteúdo dos depoimentos que serão prestados durante os cinco dias de audiência não será divulgado integralmente.

A fase de instrução é o momento do processo em que a Justiça reúne depoimentos e demais elementos apresentados pela acusação e pela defesa. Depois dessa etapa, o processo seguirá os procedimentos previstos até que haja uma decisão judicial.

Até uma eventual condenação definitiva, o pastor David Gonçalves da Silva deve ser tratado como acusado dos crimes atribuídos a ele no processo.

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