Decisão no Supremo

STF determina suspensão e devolução de penduricalhos em sete tribunais do país

Ministro Alexandre de Moraes ordenou bloqueio de pagamentos irregulares e devolução de valores em tribunais de Justiça, incluindo o Maranhão.

Imirante, com informações do G1

STF determina que sete tribunais suspendam pagamentos irregulares e devolvam valores de “penduricalhos” pagos a magistrados.
STF determina que sete tribunais suspendam pagamentos irregulares e devolvam valores de “penduricalhos” pagos a magistrados. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

BRASIL – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (12) que sete Tribunais de Justiça suspendam pagamentos de verbas indenizatórias que estejam fora das regras estabelecidas pela Corte e providenciem a devolução de valores considerados indevidos.

A decisão atinge os Tribunais de Justiça de Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e do Distrito Federal.

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Os tribunais deverão identificar magistrados que receberam valores em desacordo com as regras e determinar a devolução das quantias que ultrapassarem os limites estabelecidos. Esta é a primeira vez que uma decisão do STF sobre os chamados “penduricalhos” prevê a devolução dos valores.

Moraes apontou que, apesar das regras fixadas anteriormente pelo Supremo, ainda foram identificados pagamentos considerados “exorbitantes” nos documentos encaminhados pelos tribunais.

Regras para os pagamentos

Em março, o STF limitou o pagamento de verbas indenizatórias de magistrados, procuradores e promotores a 35% do teto constitucional, atualmente equivalente a R$ 46 mil.

Pela decisão desta quarta-feira, os tribunais deverão bloquear pagamentos que:

  • ultrapassem o limite de 35% do subsídio para verbas indenizatórias autorizadas;
  • não tenham sido expressamente autorizados pelo STF, mesmo quando não ultrapassarem os 35%.

Os magistrados que receberam valores indevidos deverão ser identificados para que seja determinada a devolução das quantias que excederem os limites previstos.

A decisão também estabelece regras para a Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade na Carreira (PVTAC). O benefício poderá continuar sendo pago dentro do limite de 35%, desde que os tribunais comprovem o tempo de serviço que justifique o pagamento.

Verbas questionadas pelo STF

Entre os pagamentos apontados por Moraes como irregulares estão:

  • auxílio-assistência pré-escolar;
  • licença compensatória;
  • licença compensatória por difícil acesso;
  • pagamentos relacionados a turma recursal;
  • diferença de gratificação de diretor de fórum;
  • gratificação de mesa diretora;
  • auxílio-mudança;
  • auxílio-adoção;
  • adicional de 20% no final da carreira;
  • gratificação indenizatória;
  • função administrativa;
  • gratificação de acúmulo de distribuição;
  • gratificação de acúmulo distrital;
  • gratificação de grupo de metas;
  • gratificações de coordenações especiais;
  • gratificações destinadas a presidente, vice-presidente e corregedor.

Prazo para a AGU

Além das determinações aos sete tribunais, a Advocacia-Geral da União (AGU) terá prazo de 72 horas para encaminhar ao Supremo as folhas de pagamento completas de seus membros e informar eventuais benefícios pagos de forma irregular.

A fiscalização de possíveis pagamentos em desacordo com as regras ficará sob responsabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Entenda a regra dos ‘penduricalhos’

Em março, o Supremo estabeleceu que as verbas indenizatórias poderiam alcançar até 35% do teto constitucional. Também foi criada uma gratificação por tempo de atividade, que pode chegar a outros 35%.

Com isso, magistrados no topo da carreira poderiam receber até 70% acima do teto constitucional, o equivalente a R$ 32,4 mil adicionais.

Em junho, ao analisar recurso da Procuradoria-Geral da República, o STF flexibilizou parte das regras e autorizou, entre outras medidas, o pagamento em dinheiro de férias, licenças-prêmio e plantões acumulados antes do julgamento realizado em março.

A nova decisão ocorre após os ministros analisarem informações encaminhadas pelos tribunais. Em julho, o Supremo havia dado prazo de 48 horas para que os presidentes dos sete Tribunais de Justiça explicassem os pagamentos de verbas que poderiam estar fora das regras estabelecidas pela Corte.

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