BRASIL – Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou “inadmissível” o tom da manifestação pública assinada pelos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal (PF) em apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, em meio à crise com o ministro André Mendonça.
Segundo integrantes da Corte, o posicionamento público dificulta uma tentativa de reconstrução do diálogo entre o comando da PF e o ministro, responsável por investigações que envolvem a atuação da corporação.
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A avaliação de ministros é que manifestações internas de apoio à direção da Polícia Federal ou divergências sobre investigações fazem parte da relação entre instituições. O ponto de preocupação, porém, seria levar o conflito para o espaço público.
Nota dos superintendentes da PF
A manifestação foi divulgada na quinta-feira (6) pelos 27 chefes regionais da Polícia Federal.
No documento, os superintendentes afirmaram que a instituição construiu sua credibilidade por meio de uma atuação “técnica e independente”, baseada “exclusivamente nos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”.
A nota também destacou que a atividade investigativa da PF não se submete a “interesses políticos, ideológicos ou pessoais”.
Outro trecho do documento afirma que críticas fazem parte da democracia, mas não quando são direcionadas ao “enfraquecimento da credibilidade e da confiança que a sociedade deposita nas instituições republicanas”.
Os superintendentes encerraram a manifestação reafirmando confiança na direção da Polícia Federal e defendendo uma corporação “forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional”.
Apesar de não citar diretamente Andrei Rodrigues, o posicionamento foi interpretado no Supremo como um gesto de apoio ao diretor-geral da PF.
Ministros avaliam impacto da manifestação
Integrantes do STF afirmam que divergências entre investigadores e magistrados são comuns e fazem parte da dinâmica de grandes investigações.
O incômodo, segundo essa avaliação, estaria no fato de a nota pública ter sido divulgada durante um momento de tensão institucional.
Um ministro ouvido pelo jornal O Globo afirmou que o problema ocorre quando uma instituição utiliza uma manifestação pública para responder a decisões ou críticas feitas por outra.
Na avaliação desse integrante da Corte, que apoia André Mendonça, a nota transmite a impressão de que os superintendentes pretendiam “passar um pito” no Judiciário ou em um magistrado.
Crise entre PF e André Mendonça
A manifestação dos chefes regionais ocorreu durante uma escalada de tensão entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça.
O ministro do STF conduz investigações relacionadas a supostos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que também resultaram em apurações envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O desgaste aumentou nas últimas semanas devido a divergências sobre a condução das investigações e a comunicação entre a equipe do ministro e a cúpula da PF.
No gabinete de Mendonça, há insatisfação com a forma como determinados procedimentos vêm sendo conduzidos e com dificuldades para obter informações sobre diligências.
Já na Polícia Federal, existe incômodo com cobranças feitas pelo ministro e seus auxiliares.
Tentativa de reconstruir diálogo
Diante do conflito, interlocutores passaram a atuar para reconstruir os canais de diálogo entre André Mendonça e Andrei Rodrigues.
O diretor-geral da PF teria sinalizado disposição para conversar diretamente com o ministro para reduzir a tensão.
Também atuam na tentativa de aproximação o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Na quinta-feira, Mendonça se reuniu com os dois ministros. Durante o encontro, segundo informações divulgadas, o ministro do STF pediu garantias de que a independência da Polícia Federal seria preservada na condução das investigações.
A avaliação dentro do Supremo é que divergências entre instituições devem ser tratadas por canais institucionais, sem exposição pública.
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