Ponte de Estreito

Relatório da CGU aponta sobrepreço na reconstrução da ponte de Estreito

Auditoria identificou inconsistências no orçamento da ponte Juscelino Kubitschek; DNIT afirma que não há dano efetivo ao erário.

Ipolítica, com informações do g1

Atualizada em 20/02/2026 às 08h57
Relatório da CGU aponta risco de sobrepreço de R$ 17,8 milhões na reconstrução da ponte na BR-226 entre Tocantins e Maranhão.
Relatório da CGU aponta risco de sobrepreço de R$ 17,8 milhões na reconstrução da ponte na BR-226 entre Tocantins e Maranhão. (Foto: Divulgação/DNIT)

ESTREITO – A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou sobrepreço na reconstrução da ponte Juscelino Kubitschek, na BR-226, que liga Estreito (MA) a Aguiarnópolis (TO). Segundo relatório de auditoria, o valor contratado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) superou o montante considerado adequado pela equipe técnica.

A nova ponte foi entregue em dezembro de 2025, um ano após o desabamento da antiga estrutura, que deixou 14 mortos e três desaparecidos.

Relatório da CGU 

De acordo com o relatório da CGU, o investimento total na obra foi de R$ 171.969.000. No entanto, a equipe de auditoria estimou que o valor adequado seria de R$ 154,15 milhões.

A diferença identificada foi de R$ 17.819.000,00, apontada como indicativo de risco de sobrepreço na reconstrução da ponte.

Segundo a CGU, houve inconsistências na metodologia paramétrica utilizada para estimar os custos da obra.

“Tal valor é um indicativo do risco de sobrepreço no contrato decorrente de possíveis inconsistências na forma da estimativa paramétrica”, destacou o órgão.

A auditoria também indicou que o DNIT teria utilizado como base obras antigas, algumas com mais de 10 anos, além de aplicar atualizações financeiras superiores a 100%, o que poderia ter distorcido os valores de mercado.

O relatório aponta ainda que cartas de solicitação de propostas e justificativas formais para escolha das empresas consultadas não foram localizadas nos autos, comprometendo a rastreabilidade do processo.

Recomendações da CGU

O relatório já foi concluído e traz recomendações ao DNIT, entre elas:

  • criação de normativos internos para padronizar escolha de amostras em orçamentos paramétricos;
  • análise técnica rigorosa do orçamento detalhado da obra para avaliar distorções e eventual reequilíbrio econômico-financeiro;
  • atualização do Manual de Contratações de Obras Emergenciais conforme a Nova Lei de Licitações.

A CGU informou que continuará monitorando o caso.

O que diz o DNIT

Em nota, o DNIT afirmou que o relatório aponta apenas indício de risco e que não há, até o momento, identificação de dano efetivo ao erário ou conclusão definitiva sobre irregularidade.

Segundo o órgão, a reconstrução ocorreu em contexto emergencial, após o colapso da ponte em dezembro de 2024, que comprometeu a mobilidade e a economia regional.

O DNIT informou ainda que o orçamento foi elaborado com base em estimativas técnicas compatíveis com a complexidade da obra e que os pagamentos são feitos apenas com base nos serviços executados e medidos.

Caso sejam constatadas divergências, o departamento afirmou que adotará as providências administrativas necessárias.

Desabamento deixou 18 vítimas

A ponte antiga caiu por volta das 14h50 do dia 22 de dezembro de 2024. No momento do colapso, caíram no Rio Tocantins três motos, um carro, duas caminhonetes e quatro caminhões.

Dois dos caminhões transportavam 76 toneladas de ácido sulfúrico e outros 22 mil litros de defensivos agrícolas.

Ao todo, 18 pessoas foram vítimas do desabamento, sendo que apenas um homem sobreviveu.

Antes da queda, moradores já haviam alertado autoridades sobre problemas estruturais. O desabamento ocorreu no momento em que moradores filmavam a ponte para denunciar a situação.

Construção da nova ponte

O restante da antiga estrutura foi implodido em fevereiro de 2025 e as obras começaram em seguida. A nova ponte foi inaugurada em 22 de dezembro de 2025.

A estrutura possui:

  • 630 metros de extensão;
  • 19 metros de largura;
  • vão livre de 154 metros;
  • duas faixas de rolamento de 3,6 metros cada;
  • dois acostamentos de 3 metros;
  • barreiras de proteção do tipo New Jersey;
  • dois passeios para pedestres e guarda-corpo nas extremidades.

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