Por vingança

MPF-MA denuncia suspeitos de encomendar a morte de ambientalista no Maranhão

Segundo MPF, fazendeiros contrataram pistoleiros para cometer o crime.

Divulgação/MPF-MA

- Atualizada em 27/03/2022 às 11h33
As vítimas denunciavam constantemente a grilagem e a exploração ilegal de madeira no interior da Reserva, principalmente nas terras ocupadas pelos denunciados.
As vítimas denunciavam constantemente a grilagem e a exploração ilegal de madeira no interior da Reserva, principalmente nas terras ocupadas pelos denunciados. (Foto: Divulgação / ICMBio)

SÃO LUÍS – Nesta terça-feira (19), o Ministério Público Federal no Maranhão (MPF-MA) divulgou que ofereceu denúncia contra os fazendeiros José Escórcio de Cerqueira e Francisco da Silva Sousa, suspeitos de contratar pistoleiros para matar Raimundo dos Santos Rodrigues e sua companheira, Maria da Conceição Chaves Lima, conselheiros da Reserva Biológica do Gurupi. As vítimas denunciavam constantemente a grilagem e a exploração ilegal de madeira no interior da Reserva, principalmente nas terras ocupadas pelos denunciados.

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No inquérito policial que embasou a denúncia, consta que no dia 25 de agosto de 2015, no interior de fazenda de propriedade de José Escórcio, dois pistoleiros armados com revólveres emboscaram as vítimas quando elas retornavam, em uma motocicleta, à comunidade Rio das Onças II, no interior da Reserva do Gurupi, onde residiam. Os malfeitores atiraram várias vezes, com a intenção de matar. Raimundo dos Santos, que tentou defender a si e à companheira com um facão, foi mutilado após receber inúmeros golpes desferidos pelos criminosos que conseguiram tomar-lhe o facão.

O ambientalista morreu em decorrência dos ferimentos e Maria da Conceição só conseguiu escapar com vida porque seu companheiro distraiu os pistoleiros. Após o episódio, ela precisou passar por duas cirurgias e agora está inserida no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas.

Segundo o MPF-MA, o homicídio praticado contra Raimundo dos Santos e a tentativa de homicídio contra a sua companheira ocorreram por motivo torpe: vingança. José Escórcio e Francisco da Silva, proprietários de terras no interior da Reserva, "estavam bastante incomodados com a atuação de Raimundo dos Santos e Maria da Conceição como Conselheiros da Reserva Biológica do Gurupi". Os denunciados também deverão responder por porte de arma de fogo sem autorização legal. As armas foram descobertas e apreendidas após busca realizada, mediante mandado, na residência de ambos.

Na denúncia, o MPF pede a instauração de processo penal com a intimação dos denunciados para interrogatório. Francisco da Silva Sousa atualmente está foragido e José Escórcio, preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

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