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MP aciona oito pessoas e duas empresas por improbidade administrativa em Buriticupu

Investigação aponta esquema com fraude em licitação, superfaturamento de até 70% e movimentações milionárias de recursos públicos.

Ipolítica

Atualizada em 26/03/2026 às 14h42
MPMA aciona oito pessoas e duas empresas por improbidade em Buriticupu; investigação aponta fraude em licitação e desvio de recursos públicos.
MPMA aciona oito pessoas e duas empresas por improbidade em Buriticupu; investigação aponta fraude em licitação e desvio de recursos públicos. (Divulgação)

BURITICUPU - O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ingressou com uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa contra oito pessoas e duas empresas por suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos públicos no município de Buriticupu. Entre os acionados estão o prefeito João Carlos Teixeira da Silva e a deputada estadual Edna Santos Silva.

A ação foi proposta pela 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu no último dia 20 e aponta a existência de um esquema estruturado em diferentes núcleos, envolvendo agentes políticos, servidores públicos, empresários e operadores financeiros.

MPMA aciona núcleo político, administrativo e empresarial

Segundo o MP, o prefeito e a primeira-dama integrariam o chamado núcleo político, responsável pela liderança do esquema. Já o núcleo administrativo seria composto por secretários e ex-secretários municipais, apontados como facilitadores e beneficiários.

Entre os investigados estão:

  • Chefe de gabinete à época dos fatos
  • Secretários municipais de Administração, Saúde e Assistência Social
  • Ex-secretários de Indústria, Comércio, Turismo e Meio Ambiente

Além disso, o MPMA identificou um núcleo empresarial formado por dois empresários e suas respectivas empresas, utilizadas para viabilizar os contratos investigados.

Irregularidades em licitação do PNAE

As investigações tiveram início a partir de suspeitas de irregularidades no pregão eletrônico nº 006/2003, destinado à compra de alimentos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

De acordo com o MP, foram identificadas diversas falhas no processo licitatório, como:

  • Criação irregular de fase de pré-habilitação
  • Pesquisa de preços considerada deficiente
  • Problemas no termo de referência
  • Falta de publicidade do edital
  • Descumprimento de prazos legais

A empresa vencedora firmou contratos que somam mais de R$ 2,3 milhões, mesmo sem possuir estrutura mínima, como funcionários registrados ou veículos para distribuição dos alimentos.

Superfaturamento e contratos milionários

A investigação também apontou superfaturamento de até 70% em itens básicos da merenda escolar.

Segundo o promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo, o esquema foi estruturado para direcionar contratos à empresa investigada, gerando recursos excedentes que retornariam como propina.

Ao todo, a empresa recebeu mais de R$ 3,3 milhões do município, incluindo valores provenientes da Prefeitura e do Fundo Municipal de Saúde.

Transferências e suspeita de lavagem de dinheiro

O Ministério Público identificou que parte dos valores recebidos era distribuída para diversas contas bancárias, incluindo de agentes públicos, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos.

Entre os pontos destacados:

  • Movimentação de quase R$ 6 milhões pelo prefeito no período investigado
  • Transferências para secretários municipais, além dos diretamente envolvidos
  • Uso de contas de terceiros para circulação de valores

Segundo a investigação, os repasses ilegais tinham como objetivo garantir apoio político, silêncio e manutenção do esquema.

Atuação de empresas e operadores financeiros

Além da empresa principal, outra empresa foi apontada como responsável por movimentações financeiras atípicas, funcionando como intermediária na circulação dos recursos.

O MP também identificou um núcleo operacional, formado por operadores financeiros que realizavam saques e transferências.

Um dos investigados movimentou cerca de R$ 2 milhões apenas no primeiro semestre de 2025, com mais de R$ 785 mil sacados em espécie. Outro, com renda mensal de cerca de R$ 1.500, movimentou mais de R$ 13 milhões em créditos.

Penalidades previstas na ação

Na ação de improbidade administrativa, o Ministério Público pede a condenação dos envolvidos com aplicação de penalidades previstas na legislação, incluindo:

  • Perda de bens obtidos de forma ilícita
  • Ressarcimento integral dos danos ao erário
  • Perda da função pública
  • Suspensão dos direitos políticos por até 14 anos
  • Pagamento de multa
  • Proibição de contratar com o poder público

O caso segue em tramitação na Justiça.

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