Com Marinho na disputa pelo Senado, PL se divide sobre candidatura à Câmara
PL debate se lança candidatura própria à presidência da Câmara em 2027 ou se apoia Hugo Motta, após oficializar Rogério Marinho na disputa ao Senado.
BRASIL – Após lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado, o Partido Liberal (PL) enfrenta uma divisão interna sobre a possibilidade de apresentar um nome próprio para disputar o comando da Câmara dos Deputados em 2027.
O assunto foi discutido na terça-feira (3), em reunião com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e lideranças do partido. Enquanto uma ala defende a composição com o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), outro grupo argumenta que o PL deve lançar uma candidatura independente.
A próxima eleição para o comando da Casa será realizada em 2027. A expectativa é que a bancada do PL se reúna na quarta-feira (11) para definir se apoiará Motta ou apresentará outro candidato.
Ala do PL defende apoio a Hugo Motta
Os parlamentares favoráveis à composição com Hugo Motta argumentam que o partido pode perder espaço na Câmara caso fique de fora do bloco articulado pelo atual presidente.
Até o momento, Motta conseguiu o apoio de 15 partidos, que devem formar o maior bloco da Casa. Segundo projeções de técnicos da Câmara, se não integrar esse grupo, o PL teria apenas a 16ª escolha para indicar presidentes de comissões, o que poderia direcionar a sigla a colegiados menos prestigiados.
Por outro lado, caso entre no bloco, o partido teria preferência na escolha das três primeiras comissões, por ter elegido a maior bancada para 2027.
“Um gesto como esse [lançar candidatura contra Motta] nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”, afirmou um parlamentar que participa das conversas, sob condição de anonimato.
Integrantes dessa ala também lembram a disputa pelo comando do Senado em 2023, quando Rogério Marinho concorreu contra Rodrigo Pacheco e foi derrotado. Na avaliação desse grupo, o PL perdeu espaço na distribuição de comissões e na Mesa Diretora após o enfrentamento.
Nas duas últimas eleições para a presidência da Câmara, em 2023 e 2025, PL e PT integraram o mesmo bloco, em apoio às candidaturas de Arthur Lira (PP-AL) e Hugo Motta, respectivamente.
Grupo defende candidatura independente
A possibilidade de integrar um bloco com o PT e apoiar Motta, no entanto, enfrenta resistência de parte da bancada, principalmente entre deputados novatos.
Os defensores de uma candidatura própria afirmam que o partido precisa demonstrar independência em relação ao atual presidente da Câmara, mesmo que não consiga vencer a disputa.
“Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, declarou um parlamentar que participou da reunião com Valdemar Costa Neto.
Segundo essa ala, o apoio a Motta e a participação em um bloco com o PT podem gerar desgaste político junto ao eleitorado do partido. Um dos deputados citou como motivo de insatisfação a manifestação pública do presidente da Câmara em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os parlamentares também avaliam que as comissões perderam parte da influência no processo legislativo, já que propostas importantes têm sido encaminhadas diretamente ao plenário por meio de requerimentos de urgência.
Outro ponto discutido é a distribuição de emendas vinculadas às comissões. Esses recursos não têm execução obrigatória pelo governo federal e costumam ser negociados entre o Congresso e o Palácio do Planalto.
Nikolas Ferreira defende candidatura própria
Após a reunião de terça-feira, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu publicamente que o partido apresente um candidato à presidência da Câmara. Ele citou os deputados Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) como possíveis nomes.
“Eu vejo que espaços na Câmara têm um peso menor do que a gente simplesmente estar junto, caminhando junto com o Hugo Motta e ter algum tipo de espaço, prioridade, comissões dentro da Câmara”, afirmou Nikolas.
O parlamentar acrescentou que, na avaliação dele, o partido precisa dar uma resposta ao eleitorado.
“Minha posição é que existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões, que são importantes, mas que agora o peso maior é uma resposta que a gente tem que dar ao povo brasileiro”, disse.
PT resiste à entrada do PL no bloco
Enquanto o PL discute sua posição, o PT, que já anunciou apoio formal à reeleição de Hugo Motta, articula para impedir a entrada do partido de oposição no bloco.
Parte dos deputados petistas considera o isolamento do PL uma condição para continuar no grupo que apoia o atual presidente da Câmara.
A definição do PL está prevista para a próxima quarta-feira (11), quando a bancada deve discutir o apoio a Motta e a possibilidade de lançar uma candidatura própria.
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