FIM DA ESCALA 6X1

Setor produtivo critica fim da escala 6x1 e alerta para demissões e inflação

Entidades como CNI e Fiesp criticam a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, apontando riscos de inflação e falta de mão de obra no país.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 15/10/2026 às 10h41
Fim da escala 6x1: setor alerta sobre nova jornada 40h
Fim da escala 6x1: setor alerta sobre nova jornada 40h (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

BRASIL – Entidades do setor produtivo criticaram a aprovação, pelo Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Representantes da indústria, do comércio e de serviços alertam para possíveis demissões, aumento da inflação e dificuldades no funcionamento de atividades essenciais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) questionaram os impactos econômicos da mudança e defenderam uma discussão mais aprofundada sobre seus efeitos.

CNI pede revisão da PEC da escala 6x1

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o texto aprovado seja reavaliado para considerar as condições econômicas e produtivas do país.

Segundo a entidade, a redução da jornada pode comprometer a competitividade da indústria, elevar os custos de produção e provocar repasses de preços aos consumidores.

Alban também criticou a condução da votação e afirmou que os efeitos da proposta não foram suficientemente discutidos com a sociedade.

A confederação considera que a aprovação da medida durante o período eleitoral representa um retrocesso para a economia brasileira, especialmente diante dos problemas de produtividade e competitividade internacional apontados pela entidade.

O presidente da CNI afirmou ainda acreditar na possibilidade de o Congresso Nacional voltar a discutir a proposta caso sejam identificados efeitos negativos sobre a economia e a inflação.

Abrasel alerta para falta de trabalhadores

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também manifestou preocupação com o fim da escala 6x1.

O presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci, classificou a aprovação como uma medida de graves consequências socioeconômicas, especialmente para atividades que precisam funcionar diariamente.

De acordo com estimativas da associação, aproximadamente 15 milhões de brasileiros trabalham atualmente na escala 6x1. Para manter a oferta de serviços após a mudança, seriam necessários cerca de 3 milhões de trabalhadores adicionais.

Solmucci questionou a disponibilidade dessa mão de obra e alertou para dificuldades na manutenção do atendimento à população.

A preocupação também foi apresentada pelo representante de hospitais e clínicas de São Paulo, Francisco Balestrin, durante reunião na Fiesp.

Balestrin advertiu sobre possíveis dificuldades para manter unidades hospitalares em funcionamento todos os dias e defendeu a criação de regras específicas para o setor.

Fiesp aponta riscos de informalidade e aumento de custos

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou que o fim da escala 6x1 pode estimular a informalidade no mercado de trabalho e afetar o orçamento das famílias brasileiras.

O presidente da federação, Paulo Skaf, criticou a aprovação da proposta sem um debate mais amplo sobre seus efeitos econômicos.

Segundo Skaf, uma mudança dessa dimensão deveria ser discutida fora do calendário eleitoral, para evitar que a decisão seja influenciada pela disputa política.

A entidade também destacou a necessidade de avaliar as consequências da redução da jornada para setores como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química.

Para a Fiesp, os possíveis impactos sobre essas atividades precisam ser analisados antes da implementação das novas regras trabalhistas.

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