Eleições 2026

Cury diz que não apoiaria Lula no 2º turno e condiciona apoio a Flávio

Augusto Cury nega apoio a Lula e condiciona adesão a Flávio Bolsonaro a explicações sobre o caso Dark Horse e compromissos firmados em cartório.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 10/09/2026 às 14h14
Augusto Cury descarta apoio a Lula no 2º turno e condiciona eventual voto em Flávio Bolsonaro a explicações sobre o caso Dark Horse.
Augusto Cury descarta apoio a Lula no 2º turno e condiciona eventual voto em Flávio Bolsonaro a explicações sobre o caso Dark Horse. (Reprodução/TV Globo)

BRASIL – O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, descartou nesta quinta-feira (10) a possibilidade de apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Ao mesmo tempo, afirmou que poderia votar em Flávio Bolsonaro (PL), mas estabeleceu condições para declarar apoio ao senador.

As declarações foram feitas durante um encontro com operadores do mercado financeiro na Faria Lima, em São Paulo, organizado pelo banco Genial.

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Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01%”, afirmou Cury, sob aplausos da plateia. Na avaliação do candidato, Lula deveria “se aposentar” e o modelo político do PT também deveria ser encerrado.

Cury, porém, fez uma ressalva ao citar o primeiro governo de Lula e mencionar a atuação de Henrique Meirelles, então presidente do Banco Central, e Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda.

Cury impõe condições para apoiar Flávio

Em relação a Flávio Bolsonaro, Cury afirmou que não ficaria neutro em um eventual segundo turno, mas condicionou seu apoio a explicações do senador sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O candidato do Avante citou o filme “Dark Horse”, relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o relato apresentado durante o evento, Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões para a produção, dos quais cerca de R$ 69 milhões foram pagos a um fundo nos Estados Unidos.

Não ficaria neutro. Mas ele teria que provar que não é corrupto, teria que explicar o ‘Dark Horse’”, afirmou Cury.

O candidato também comparou o valor envolvido na produção com o filme que está sendo realizado sobre sua própria trajetória.

Além das explicações sobre o caso, Cury disse que Flávio teria de assumir um compromisso formal com seu plano de governo.

“Ele teria que pegar o meu plano de governo, ir no cartório, fazer um registro e dizer que vai cumprir”, declarou.

Pesquisa mostra Lula e Flávio na liderança

Uma pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro apontou Lula com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%. Cury apareceu isolado na terceira posição, com 8%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados numericamente, com 41% das intenções de voto cada.

Avante tem alianças com PT e PL

Durante o encontro, Cury também foi questionado sobre as alianças estaduais do Avante. O partido, comandado pelo deputado federal Luís Tibé (Avante-MG), mantém coligações tanto com o PT quanto com o PL em diferentes estados.

Cury afirmou que os acordos já estavam formados quando decidiu disputar a Presidência e que não teria condições de procurar uma legenda que estivesse completamente neutra.

Se vocês encontrarem um partido que é um convento, me chamem que eu vou para lá”, disse.

Entre as alianças com o PT estão chapas na Bahia, com o governador Jerônimo Rodrigues; em Alagoas, com o ex-ministro Renan Filho (MDB); e no Rio Grande do Sul, com Juliana Brizola e Edegar Pretto, de PDT e PT, respectivamente.

O Avante também apoia candidaturas ligadas ao PL em Santa Catarina, com Jorginho Mello, e no Rio de Janeiro, com Douglas Ruas. Em São Paulo, o partido está na mesma coligação que Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Cury busca aproximação com o mercado

Durante o evento na Faria Lima, Cury procurou associar sua candidatura a nomes conhecidos do mercado financeiro, como Ilan Goldfajn, Mansueto Almeida, Marcos Lisboa, Mauro Benevides e Armínio Fraga.

O candidato também afirmou que é lido por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e que possui “amigos” no Congresso, como forma de demonstrar viabilidade política para governar o país.

Em temas econômicos, no entanto, apresentou respostas genéricas e prometeu realizar auditorias nas contas públicas e estudos sobre os impactos da reforma tributária.

Cury também defendeu o fim da escala 6x1, deixando em aberto a aplicação da medida em alguns setores. A posição difere da apresentada por candidatos como Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e o próprio Flávio Bolsonaro.

Quero sugestões. Sei formar um time, e o time vai ser melhor que o técnico”, afirmou.

O candidato também se descreveu como o “pesadelo de Lula” e disse que não pretende fazer “carreira política”, mas exercer um “governo tampão”.

Propostas para o STF

Cury apresentou ainda propostas relacionadas ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal. Ele sugeriu retirar do presidente da República a prerrogativa de indicar ministros da Corte e transferir essa atribuição para um grupo formado por associações de magistrados e pelo Ministério Público.

Segundo ele, a intenção seria apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema na primeira semana de um eventual governo.

O candidato também defendeu mandato de oito anos para ministros do STF, que dois terços da composição da Corte sejam formados por servidores de carreira e que os indicados não tenham tido filiação partidária nos cinco anos anteriores.

Cury defende investigação de Moraes

Durante o encontro, Cury também afirmou ser favorável ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes, mas condicionou a medida à conclusão de uma investigação.

Moraes teve conversas com Daniel Vorcaro reveladas no inquérito que apura o caso envolvendo o Banco Master e pode ser alvo de investigação a partir da próxima semana.

Defendo, sem juízo de valor, porque quero pacificar essa nação, que até as últimas consequências o doutor Alexandre de Moraes seja investigado. Se não der (em crime), ele continua. Se der, deve ser impeachmado. Porque nenhum cargo eletivo ou de carreira pública é dele, mas do contribuinte”, afirmou Cury.

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