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Augusto Cury defende lista tríplice para escolha do diretor-geral da PF

Candidato Augusto Cury defende lista tríplice para diretor da PF em SP, visando maior autonomia institucional e o fim de interferências políticas no órgão.

Ipolítica, com informações do G1

Augusto Cury defende lista tríplice para escolha do diretor-geral da PF e afirma que medida daria mais autonomia à corporação.
Augusto Cury defende lista tríplice para escolha do diretor-geral da PF e afirma que medida daria mais autonomia à corporação. (Reprodução/TV Globo)

BRASIL – O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu nesta quarta-feira (9) a adoção de uma lista tríplice para a escolha do diretor-geral da Polícia Federal (PF). A proposta foi apresentada durante entrevista na Bienal do Livro, em São Paulo, em meio à crise envolvendo o comando da corporação e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Cury, a lista deveria ser formada por delegados federais escolhidos pelos próprios integrantes da carreira. A partir dos nomes indicados, caberia ao presidente da República escolher o novo diretor-geral.

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Para o candidato, o modelo reduziria a possibilidade de interferência política na instituição.

Para não haver interferência na Polícia Federal, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais escolhidos pelos próprios delegados federais, e o presidente escolhe um delegado a partir desta lista tríplice. É muito mais justo, é muito mais independente, porque a Polícia Federal é uma polícia de Estado, não é política de governo, não é política de partido”, afirmou.

Como é escolhida a direção da PF atualmente

Atualmente, o diretor-geral da Polícia Federal é escolhido diretamente pelo presidente da República. Não há exigência de formação de lista tríplice nem de aprovação do nome pelo Congresso Nacional.

O indicado precisa ser delegado de classe especial, último nível da carreira. A nomeação é formalizada por meio de decreto presidencial.

Andrei Rodrigues foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início do terceiro mandato e assumiu o comando da PF em janeiro de 2023.

Antes de chegar à direção-geral, Rodrigues havia atuado na segurança de Lula durante a campanha eleitoral de 2022 e já ocupava funções de direção dentro da própria Polícia Federal.

Crise envolve comando da Polícia Federal

A manifestação de Augusto Cury ocorreu no mesmo dia em que o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a recondução de Andrei Rodrigues ao cargo.

Um dia antes, o ministro André Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da PF. A decisão de Mendonça estava relacionada a supostas irregularidades na produção de um relatório de inteligência utilizado por Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio ministro.

O caso envolve investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Ao reverter a decisão, Dino argumentou que uma mudança repentina no comando da Polícia Federal, incluindo a saída de Leandro Almada da Diretoria de Inteligência, poderia comprometer investigações consideradas sensíveis e provocar instabilidade administrativa na corporação.

Cury critica crise no STF

Apesar de evitar comentar diretamente a decisão de Flávio Dino, Augusto Cury afirmou estar “muito triste” com os episódios recentes envolvendo o STF.

O candidato também defendeu maior prestação de contas por parte de autoridades públicas e avaliou que a crise tem provocado desgaste na imagem da Suprema Corte perante a sociedade.

Eu estou muito triste com o que está ocorrendo. Porque todos os colaboradores, sejam eletivos, cargo público ou sejam de carreira, são empregados do contribuinte, empregados da sociedade. E devem satisfação plena a esse contribuinte. O que está ocorrendo faz com que cada vez mais o STF, ele esteja em níveis muito baixos de valorização por parte da sociedade brasileira”, declarou.

A crise no STF ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, que passaram a integrar o conjunto de informações analisadas no contexto dos recentes conflitos entre integrantes da Corte.

Para Cury, a adoção de mecanismos que ampliem a autonomia institucional da Polícia Federal ajudaria a preservar a atuação da corporação como órgão de Estado, independentemente do governo ou partido que esteja no poder.

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