escala 6x1

Líder do governo no Senado admite impacto eleitoral da escala 6x1

Líder do governo, Teresa Leitão articula votação da PEC que derruba a escala 6x1 no Senado para obter impacto eleitoral antes das eleições de outubro.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 01/09/2026 às 14h41
Teresa Leitão reconhece impacto eleitoral da PEC do fim da escala 6x1 e diz que governo tenta acelerar votação antes das eleições.
Teresa Leitão reconhece impacto eleitoral da PEC do fim da escala 6x1 e diz que governo tenta acelerar votação antes das eleições. (Waldemir Barreto)

BRASIL – A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 pode ter impacto eleitoral nas eleições de outubro. Em entrevista ao g1, a senadora afirmou que a proposta “está na boca do povo” e que o governo trabalha para acelerar a votação no Congresso.

A PEC está entre as principais pautas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana de esforço concentrado do Congresso antes das eleições.

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Além da proposta que altera a jornada de trabalho, o governo também articula a votação da PEC da Segurança Pública e do projeto que estabelece regras para minerais críticos e terras raras. A chamada “Taxa das Blusinhas” e a regulamentação para implantação de data centers também estão entre as matérias que devem avançar nesta semana.

Governo tenta acelerar votação da PEC 6x1

Segundo Teresa Leitão, a PEC do fim da escala 6x1 tem apoio suficiente no Senado, mas o governo precisa negociar a antecipação do rito de tramitação para que a proposta possa chegar ao plenário ainda nesta semana.

Pelas regras do Senado, uma PEC precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação. A estratégia do governo é tentar acelerar esse processo e levar a proposta diretamente ao plenário.

A senadora reconheceu, porém, que ainda não há garantia de que o procedimento será alterado.

O que a gente precisa nessas próximas 48 horas é tentar demover qualquer resistência a quebrar o rito”, afirmou Teresa.

O relator da proposta é o senador Omar Aziz (PSD-AM), que também é candidato ao governo do Amazonas.

Teresa reconhece efeito eleitoral da proposta

Questionada se a PEC poderia ser considerada uma medida eleitoreira, Teresa Leitão rejeitou a classificação, mas reconheceu que a proposta possui potencial eleitoral.

Segundo a senadora, a discussão sobre o fim da escala 6x1 ultrapassa a questão trabalhista e ganhou espaço entre os trabalhadores por envolver temas como tempo com a família e redução da exaustão física e mental.

Não há de se negar que ela tem efeitos eleitorais porque ela está na boca do povo”, disse.

Teresa também lembrou que a PEC tramita desde 2019 e questionou por que a proposta não avançou durante o governo anterior.

Para a senadora, uma eventual aprovação poderia representar um cenário de “ganha-ganha”, com benefícios tanto para trabalhadores quanto para outros setores da sociedade.

Governo busca reaproximação entre Lula e Alcolumbre

A líder do governo no Senado também falou sobre a relação entre Lula e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Teresa afirmou que houve um afastamento entre os dois, mas negou que tenha ocorrido uma ruptura institucional.

Segundo ela, a reaproximação foi construída por meio de reuniões e articulações envolvendo diferentes integrantes dos Três Poderes e líderes partidários.

Houve um afastamento entre os dois presidentes dessas instâncias, fundamentais para a democracia brasileira, mas não houve ruptura”, afirmou.

A senadora disse ainda que recebeu de Lula a tarefa de atuar estrategicamente para viabilizar o avanço da PEC do fim da escala 6x1, da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos e terras raras.

PEC da Segurança também está entre prioridades

Teresa Leitão defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirmou que a proposta representa uma oportunidade de ampliar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado e às facções criminosas.

A criação de um Ministério da Segurança Pública está vinculada pelo governo ao avanço da PEC.

Para a senadora, a criação da pasta não deve ser analisada de forma isolada, mas como parte de uma política mais ampla de segurança pública.

Ela também destacou a necessidade de uma maior integração entre União, estados e municípios no enfrentamento da criminalidade.

“Taxa das Blusinhas” pode perder validade

Outro tema considerado prioritário pelo governo é a medida provisória que trata da chamada “Taxa das Blusinhas”.

A medida perde a validade em 9 de setembro caso não seja votada pelo Congresso.

Teresa afirmou que o governo trabalha para aprovar a proposta e avaliou que a possível retirada da cobrança não deverá representar um problema eleitoral para Lula.

A senadora também defendeu que o cenário econômico mudou desde a criação da cobrança, em 2024, e citou as medidas adotadas pelo governo diante das ameaças relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.

Disputa pelo Senado em 2027

Questionada sobre a possibilidade de a reaproximação entre Lula e Alcolumbre também estar relacionada à eleição para a presidência do Senado em 2027, Teresa afirmou que essa interpretação é subjetiva.

Ela destacou que o mandato de Alcolumbre termina em fevereiro do próximo ano, quando haverá uma nova eleição para o comando do Congresso.

A senadora, no entanto, disse que a prioridade atual é garantir a aprovação das pautas consideradas importantes para o país.

Teresa é primeira mulher na liderança do governo no Senado

Teresa Leitão assumiu a liderança do governo no Senado no lugar de Jaques Wagner (PT-BA).

Com a mudança, tornou-se a primeira mulher a ocupar a liderança do governo na Casa.

Durante a entrevista, ela também avaliou a presença feminina no terceiro mandato de Lula e afirmou que o governo avançou na indicação de mulheres para cargos estratégicos.

A senadora citou ainda políticas voltadas às mulheres, como a recriação do Ministério das Mulheres, a igualdade salarial, a política nacional de cuidados e o pacto de enfrentamento ao feminicídio.

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