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Como foi a entrevista de Flávio Bolsonaro na Globo

Flávio Bolsonaro respondeu sobre relação com Vorcaro, tarifaço dos EUA, 8 de janeiro, urnas, economia, saúde e meio ambiente.

Ipolítica, com informações do g1

- Atualizada em 29/08/2026 às 10h31
Flávio Bolsonaro falou sobre caso Master, tarifaço, ajuste fiscal, saúde, aposentadorias, golpe e aquecimento global em entrevista à Globo.
Flávio Bolsonaro falou sobre caso Master, tarifaço, ajuste fiscal, saúde, aposentadorias, golpe e aquecimento global em entrevista à Globo. (Globo/ Manoella Mello)

BRASIL – O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi entrevistado nesta sexta-feira (28) pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, em sabatina da Globo com os candidatos ao Palácio do Planalto.

Durante a entrevista, Flávio respondeu a perguntas sobre a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o financiamento do filme “Dark Horse”, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, os atos de 8 de janeiro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, ajuste fiscal, salário mínimo, aposentadorias, saúde, homenagem a Adriano da Nóbrega, apoio a Rodrigo Bacellar, urnas eletrônicas e aquecimento global.

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Caso Master e relação com Vorcaro

Um dos principais temas da entrevista foi a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.

Flávio afirmou que não há “absolutamente nada de errado” em ter procurado Vorcaro para obter patrocínio privado para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

“Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme”, disse. “Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, afirmou.

O candidato também foi questionado sobre uma mensagem enviada ao ex-banqueiro na qual escreveu que estaria “sempre contigo”.

“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, respondeu.

Flávio afirmou ainda que o dinheiro destinado ao filme foi integralmente utilizado na produção e disse que a produtora apresentou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias estabelecido por ele.
Questionado sobre a ausência de documentos como contrato, planilhas detalhadas de gastos e lista de investidores, Flávio afirmou que o filme “não tem um centavo de dinheiro público” e que a produção custou mais do que o valor obtido por meio do patrocínio.

Condenação de Jair Bolsonaro e 8 de janeiro

Flávio também foi questionado sobre a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal e sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022.

O candidato afirmou que “uma grande farsa foi armada” para “tirar Bolsonaro da vida pública”.

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes, entre eles organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Flávio afirmou que o pai “foi julgado pelos seus inimigos” e citou o ministro Alexandre de Moraes.

Questionado sobre o plano atribuído ao general Mario Fernandes para assassinar Lula, Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin, Flávio respondeu:

“Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele.”

O candidato também foi questionado sobre depoimentos do brigadeiro Baptista Júnior e do general Freire Gomes, que mencionaram risco de golpe de Estado e pressões para que militares aderissem a uma ruptura institucional.

“Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, disse.

Ao criticar o STF e a condenação do pai, Flávio afirmou:

“Eu sou o único candidato que pode trazer segurança jurídica de volta. Sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar para que o Supremo volte a cumprir a Constituição.”

Tarifaço de Trump

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil também foi abordado durante a entrevista.

Flávio responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela imposição das tarifas pelo governo de Donald Trump.

“Foi o Lula que cavou com força. O Lula procurou muito essa tarifa, xingou, ameaçou. Ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”, disse.

O candidato também comentou a atuação do irmão, Eduardo Bolsonaro, e afirmou que ele errou ao agradecer pela imposição das tarifas.

“Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas. A decisão quem tomou foi o governo americano, não foi o Eduardo Bolsonaro. Portanto, ele não tem absolutamente nada a ver com isso, né? O governo podia ignorar o que ele estava falando.”

Flávio afirmou ainda que Eduardo “nunca pediu tarifas para empresas brasileiras”.

Ajuste fiscal e dívida pública

Ao falar sobre a dívida pública, Flávio defendeu um “ajuste fiscal forte” e afirmou que pretende reduzir o tamanho da estrutura do governo.

O candidato disse que pretende cortar ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas.

“Eu vou cortar ministérios. Eu vou fazer um tesouraço inclusive nos cargos comissionados”, afirmou.

Flávio também disse que pretende reduzir a burocracia e revogar mais de mil atos normativos no início de um eventual governo.

Segundo o material da entrevista, o candidato não informou o tamanho do ajuste fiscal em reais ou em percentual do Produto Interno Bruto (PIB), nem estabeleceu prazo para atingir a meta.

Flávio também atribuiu o nível dos juros aos gastos do governo Lula.

“Se fosse um governo que cortasse na carne, um governo que economizasse, certamente a sua dívida não estaria nesse nível”, disse.

O candidato relacionou ainda o endividamento das famílias à política econômica do atual governo.

“Você, que está me acompanhando, provavelmente está endividado ou conhece alguém que está endividado, mas a culpa não é sua. A culpa é desse atual governo”, afirmou.

Salário mínimo e aposentadorias

Flávio não respondeu se pretende alterar ou manter a atual fórmula de reajuste do salário mínimo.

“Eu não vou fazer economia do povo mais sofrido”, afirmou.

Segundo o candidato, “quem recebe salário mínimo hoje está perdendo o poder de compra pela gastança do governo”.

Flávio também não respondeu se pretende manter aposentadorias e benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo.

“Vou te explicar por que que não precisa também fazer economia em cima dos aposentados”, afirmou.

Na resposta, o candidato disse que pretende obter recursos com o combate a fraudes e à corrupção no INSS e com o uso de ferramentas tecnológicas para controlar os gastos públicos.

Ministro da Saúde

Durante a entrevista, Flávio anunciou o médico oftalmologista Claudio Lottenberg como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde caso seja eleito.

O candidato afirmou que a saúde é uma de suas prioridades.

“Eu vou transformar a saúde pública numa saúde de qualidade, o SUS vai ser moderno”, disse.

Lottenberg é presidente do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein, da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Instituto Coalizão Saúde (Icos). Também foi conselheiro consultivo do Unicef e possui mestrado e doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Após a entrevista, Lottenberg confirmou que conversou com Flávio e afirmou estar disposto a contribuir com o país.

Homenagem a Adriano da Nóbrega

Flávio foi questionado sobre a homenagem concedida a Adriano da Nóbrega, apontado no material da entrevista como miliciano e chefe de um grupo de matadores.

O candidato afirmou que concedeu a honraria quando Adriano era visto como um “policial exemplar”.

“Essa homenagem foi feita há mais de 20 anos, se não me engano, no momento em que ele era um policial reconhecido. [...] Eu não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois de cinco, dez, 15, 20 anos. Não está no meu controle isso”, disse.

Flávio também foi questionado sobre ter empregado a mãe e a esposa de Adriano em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo o candidato, ele conheceu os familiares quando Nóbrega estava preso e a mãe participava de movimentos de defesa de policiais.

“Trabalhava direitinho, sem problema nenhum”, declarou.

Apoio a Rodrigo Bacellar

O apoio de Flávio Bolsonaro a Rodrigo Bacellar para o governo do Rio de Janeiro também foi discutido.

Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi cassado e preso pela Polícia Federal sob suspeitas de exercer a liderança política do Comando Vermelho, segundo o material da entrevista.

Flávio explicou que o nome de Bacellar surgiu em uma composição partidária.

“O nome dele surgiu numa composição partidária no Rio de Janeiro, em que ele estava sendo indicado por um partido que estava na nossa coalizão. Ele tem o direito de se defender e de provar a inocência dele ou não na Justiça”, disse.

Urnas eletrônicas

Flávio também foi questionado sobre suas declarações relacionadas às urnas eletrônicas.

O candidato negou ter duvidado da confiabilidade do sistema eleitoral e afirmou que respeitará o processo e o resultado das eleições.

“Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras.”

Questionado novamente sobre o que faria caso perdesse, Flávio respondeu:

“Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: vou ganhar no primeiro turno”.

O candidato também reconheceu ter dado uma informação errada ao afirmar que uma empresa venezuelana fabricava as urnas utilizadas no Brasil.

“Eu disse que a empresa que fez as urnas eletrônicas era uma empresa venezuelana. Falei errado. Ela apenas participou de alguns processos ao longo do processo eleitoral que o TSE estava organizando.”

Aquecimento global

Na entrevista, Flávio também respondeu a uma pergunta sobre aquecimento global.

O candidato afirmou que eventos climáticos extremos, como excesso de calor, chuva e seca, possuem características cíclicas.

Ao falar sobre a Amazônia, Flávio relacionou problemas ambientais à atuação criminosa e citou a exploração de ouro em terras indígenas.

Questionado sobre medidas para enfrentar as mudanças climáticas, o candidato afirmou que uma das formas de proteger o meio ambiente seria oferecer saneamento básico à população.

Entrevista na Globo

A entrevista de Flávio Bolsonaro foi a quinta da série da Globo com candidatos à Presidência da República.

A sabatina foi conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo.

A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.

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