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Como foi a entrevista de Lula na Globo

Lula respondeu sobre investigações envolvendo o filho, segurança pública, INSS, caso Master, economia, Correios e educação.

Imirante, com informações do g1

- Atualizada em 28/08/2026 às 07h34
Entrevista de Lula na Globo tratou de Lulinha, segurança, INSS, caso Master, dívida pública, Correios, terras raras e educação.
Entrevista de Lula na Globo tratou de Lulinha, segurança, INSS, caso Master, dívida pública, Correios, terras raras e educação. (Globo/Manoella Mello)

BRASIL – O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu nesta quinta-feira (27) entrevista à Globo, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Durante o programa, Lula respondeu a questionamentos sobre investigações envolvendo o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, segurança pública, fraudes no INSS, caso Master, dívida pública, gastos do governo, Correios e educação.

O petista também falou sobre a eventual criação do Ministério da Segurança Pública, a exploração de minerais críticos e terras raras e os planos para um possível novo mandato.

Investigação envolvendo Lulinha

Um dos primeiros assuntos da entrevista foi a investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.

Lula afirmou que não pretende interferir nas apurações e disse que o filho terá de responder como qualquer cidadão caso seja comprovada a prática de algum ilícito.

“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, afirmou.

O presidente declarou que não afastará delegados da Polícia Federal nem adotará medidas para proteger o filho durante a investigação.

“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento pelo meu filho”, disse.

Ao mesmo tempo, Lula afirmou acreditar na inocência de Lulinha e classificou como “ilações” as informações apresentadas contra ele.

“Eu tenho certeza que ele vai ser inocente. Vamos esperar o tempo, não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho”, declarou.

O presidente também foi questionado sobre uma suposta relação entre Lulinha e Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, ex-secretário do Ministério da Saúde.

Ao comentar mensagens entre o filho e a lobista Roberta Luchsinger, Lula afirmou que conversas encontradas em telefones não seriam suficientes, por si só, para demonstrar a ocorrência de crime.

“Até agora não existe uma prova de um centavo público. Até agora não existe uma prova de uma conversa do meu filho com qualquer ministro”, afirmou.

Relação de ex-chefe de gabinete com lobista

Outro ponto da entrevista envolveu Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e sua relação com Roberta Luchsinger.

Segundo a Polícia Federal, Marcola teve despesas pessoais, entre elas boletos, parcelas de financiamento, faturas de cartão e joias, pagas pela lobista.

Lula afirmou que o ex-chefe de gabinete errou ao manter esse tipo de relação e reconheceu que o episódio provoca desconfiança dentro do Palácio do Planalto.

“Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, declarou.

Durante a entrevista, o presidente também chamou Roberta de “pilantra” ao comentar o conteúdo de conversas obtidas pelos investigadores.

Lula afirmou, no entanto, que as mensagens precisam ser acompanhadas de provas sobre eventual liberação de dinheiro público para configurar crime.

“O que nós precisamos saber é o seguinte: essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás? Tem prova de que tem dinheiro público? Porque aí é que está o crime”, disse.

O presidente também foi confrontado com uma mensagem na qual Roberta teria afirmado que recebeu dele uma oferta de cargo e poderia escolher onde gostaria de trabalhar.

Lula negou a versão.

“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, afirmou.

O Fato ou Fake, do g1, checou a declaração e encontrou ao menos três fotos e um vídeo nos quais Roberta aparece ao lado de Lula. Um vídeo publicado no Instagram da lobista em julho de 2022 também mostra imagens dos dois juntos.

Há ainda registros de Roberta com a primeira-dama Janja, Fernando Haddad, Márcio França e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Combate ao crime organizado

Na área da segurança pública, Lula afirmou que pretende, em um eventual novo mandato, recuperar territórios controlados por organizações criminosas.

Segundo o presidente, o objetivo é devolver à população áreas dominadas por facções.

“Qual é o meu desejo? O meu desejo é recuperar o território para o povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido; a escola é do povo, não é do bandido; o bairro é da população”, declarou.

Lula também afirmou que pretende enfrentar o chamado “andar de cima” das organizações criminosas.

O presidente disse ainda que o Brasil está preparado para trabalhar em conjunto com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico.

Segundo ele, uma proposta sobre o tema foi entregue por escrito ao presidente norte-americano Donald Trump.

“Nós aprovamos agora uma lei antifacção, estamos trabalhando a questão do combate ao crime organizado. Por isso eu fui levar ao Trump uma proposta por escrito”, afirmou.

O governo Trump classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, posição contestada pelo governo Lula por considerar que a medida representaria uma invasão à soberania brasileira.

Ministério da Segurança Pública

Lula também defendeu a PEC da Segurança Pública, que trata das atribuições da União, dos estados e dos municípios no setor.

Segundo o presidente, a proposta está sendo negociada com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Lula afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública depois da aprovação da PEC.

“A hora que for aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública”, disse.

De acordo com o presidente, antes da criação da pasta é necessário definir a participação de cada ente federativo no enfrentamento da criminalidade.

Violência na Bahia

Ainda durante o debate sobre segurança, Lula foi questionado sobre os índices de violência na Bahia, estado governado pelo PT há 20 anos e que, segundo a entrevista, possui cinco das dez cidades mais violentas do Brasil.

O presidente classificou a abordagem como “injusta” com o estado.

“Nenhum governador do Brasil conseguiu resolver o problema da segurança pública, nenhum conseguiu segurar”, declarou.

Fraudes no INSS

O escândalo envolvendo desvios de dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS também foi abordado na entrevista.

Lula afirmou que R$ 3 bilhões foram ressarcidos.

“Não tem um aposentado que foi roubado e que não foi devolvido dinheiro”, declarou.

O presidente disse que os recursos serão recuperados a partir dos bens apreendidos de integrantes do grupo investigado.

Segundo Lula, a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal passaram dois anos investigando o caso antes da denúncia.

O presidente argumentou que uma divulgação antecipada das apurações poderia facilitar a atuação dos investigados.

Relação com Carlos Lupi

Lula também respondeu sobre a relação com Carlos Lupi (PDT), que pediu demissão do Ministério da Previdência em meio ao escândalo envolvendo o INSS.

Os dois apareceram juntos posteriormente em um evento de campanha.

O presidente defendeu que a situação de Lupi seja avaliada conforme o andamento das investigações e afirmou que o ex-ministro não foi condenado.

“Ele não está condenado. É um cidadão livre. Você acha que pode deixar de conversar com uma pessoa que é sua amiga, que cometeu um erro, sendo que a pessoa está em liberdade e não está condenada?”, questionou.

Lula afirmou que é necessário aguardar o resultado das investigações.

Fila do INSS

Outro ponto abordado foi a promessa feita pelo presidente no início do terceiro mandato de zerar a fila do INSS.

Lula afirmou que pretende anunciar na próxima semana que a fila foi zerada.

Segundo ele, permanecerão 251 mil pessoas esperando há 45 dias, número que classificou como normal.

O presidente afirmou que o governo chegou a encontrar cerca de 3 milhões de pessoas na fila da Previdência.

“Nós chegamos a 3 milhões de pessoas na fila, e nós vamos entregar agora a fila terminada na Previdência Social”, declarou.

Caso Master e Jaques Wagner

Lula também foi questionado sobre o caso Master e o suposto envolvimento do senador Jaques Wagner, ex-líder do PT no Senado.

O presidente afirmou que a relação de Wagner era com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

Questionado sobre o apoio à reeleição do senador apesar das investigações, Lula defendeu a presunção de inocência.

“As pessoas são inocentes até prova em contrário”, afirmou.

Lula destacou a relação política de décadas com Wagner e disse confiar na honestidade do aliado.

“Eu tenho confiança que o Wagner é honesto. Se ele cometeu um desvio, vai acontecer com ele o que vai acontecer com qualquer pessoa: vai pagar o preço do erro que cometeu”, declarou.

Dívida pública

Na área econômica, Lula afirmou que a dívida pública não o preocupa.

Durante o terceiro mandato do presidente, a dívida brasileira superou 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Lula atribuiu parte do crescimento à taxa de juros de 14% ao ano e ao déficit fiscal de 2,8% que, segundo ele, foi herdado do governo de Jair Bolsonaro.

Para o presidente, o crescimento da economia ajuda a reduzir a proporção da dívida em relação ao PIB.

“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito”, disse.

Lula citou Estados Unidos, Japão e Itália como exemplos de países com níveis elevados de endividamento.

Corte de gastos e superávit

Questionado sobre a possibilidade de reduzir despesas obrigatórias e sobre quais gastos poderiam ser cortados, Lula não detalhou medidas específicas.

O presidente afirmou, porém, que o país terá superávit.

Também disse que pretende promover, em um eventual próximo mandato, uma “revolução tecnológica” com investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa.

Lula declarou que pretende fazer o Brasil disputar espaço tecnológico e econômico com países desenvolvidos.

Segundo ele, o déficit fiscal que era de 2,8% passou para 0,8% e deverá se tornar positivo.

“Nós vamos fazer superávit”, declarou.

Terras raras

O presidente também abordou a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil.

Lula disse ter conversado sobre o tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Segundo ele, o Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais depois da China e precisa regulamentar a exploração das riquezas.

“Vamos aprovar a regulação para que a gente não permita que as nossas riquezas sejam vendidas”, afirmou.

Lula disse que o objetivo é fazer com que os minerais sejam extraídos, transformados e utilizados na produção nacional de itens como baterias, chips e celulares.

Para o presidente, essa estratégia poderá gerar oportunidades para jovens brasileiros.

Lula descarta privatização dos Correios

A situação dos Correios também foi discutida durante a entrevista.

A estatal acumula quatro anos consecutivos de prejuízo, com um rombo de R$ 15 bilhões, segundo as informações apresentadas no programa.

Lula afirmou que a empresa enfrenta dificuldades há décadas e descartou a possibilidade de venda.

“Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios”, declarou.

O presidente disse que pretende fazer com que a estatal volte a prestar serviços de qualidade e afirmou que, se for reeleito, os Correios sairão do déficit.

Lula destacou a presença da empresa em todos os municípios brasileiros como um fator estratégico.

O presidente reconheceu, porém, que os Correios não conseguiram se adaptar às mudanças no mercado de entregas e ao crescimento de empresas concorrentes.

Segundo ele, a nova administração da estatal tem a missão de promover o enxugamento considerado necessário.

Lula também admitiu a possibilidade de associações com empresas brasileiras ou estrangeiras para melhorar e ampliar os serviços.

“A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa”, afirmou.

Educação

Na área da educação, Lula defendeu políticas adotadas durante o atual governo.

O presidente citou a ampliação das escolas de tempo integral, o pacto pela alfabetização na idade certa, o programa Pé-de-Meia e a expansão das universidades e dos institutos federais.

“Se tem uma coisa que eu tenho orgulho é que o Brasil nunca teve um presidente da República que cuidou da educação como eu cuidei”, declarou.

Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre estudo do Todos Pela Educação segundo o qual seis em cada dez jovens terminam o ensino médio da rede pública sem aprendizagem básica em matemática.

O presidente destacou que a educação básica é administrada pelos estados e citou Ceará e Piauí como exemplos positivos.

Lula afirmou que 40% dos estudantes aprovados no vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) são cearenses e relacionou o desempenho à decisão de levar uma unidade do instituto para Fortaleza.

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