BRASÍLIA – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de três decisões que apresentam novos detalhes sobre uma investigação envolvendo suspeitas de corrupção, obstrução da Justiça, desvios de recursos públicos e um homicídio no Maranhão.
Segundo informações da Polícia Federal citadas nas decisões, as investigações apontam para a existência de um grupo formado por empresários e políticos que teria atuado em fraudes em licitações, contratos públicos e emendas parlamentares. Em um dos casos investigados, os valores movimentados ultrapassariam R$ 14 milhões.
As decisões também relatam suspeitas de interferência no andamento das investigações e de participação de um agente da Polícia Federal que teria mantido contatos não autorizados com pessoas relacionadas ao caso.
Investigação envolve homicídio de empresário
Um dos pontos apresentados nas decisões está relacionado ao assassinato de um empresário maranhense ocorrido em 2022.
Segundo a Polícia Federal, o homicídio teria ocorrido após uma disputa relacionada ao pagamento de contratos públicos e propinas. A investigação também aponta possíveis desdobramentos envolvendo nomeações e vagas no Tribunal de Contas do Estado, que teriam sido utilizadas para garantir proteção aos envolvidos.
Em uma das decisões, Flávio Dino registra que, na avaliação dos investigadores, o homicídio teria relação com atos de corrupção e desencadeado uma série de ações para dificultar as investigações e a atuação do Poder Judiciário.
As suspeitas envolvem medidas que teriam alcançado diferentes instâncias da Justiça, incluindo o Tribunal de Justiça do Maranhão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF.
Uma das decisões também cita uma suposta atuação de um senador maranhense, Weverton Rocha (PDT). Segundo a Polícia Federal, o parlamentar teria tentado interferir no andamento da investigação sobre o assassinato no STJ.
A PF registrou diálogos entre o senador e o ministro Humberto Martins, que era o relator do caso no STJ. A atuação do parlamentar é mencionada nas decisões como parte das suspeitas de obstrução da investigação.
“Eu repreendo qualquer tipo de possibilidade que se tenta ou que tente fazer de envolvimento do nosso, do meu nome, na relação com esse caso. Eu queria aqui apenas lembrar, e aos que não conhecem, que neste episódio eu era candidato a governador na eleição passada e nem parte do mesmo grupo eu fazia. Portanto, nada eu tenho a ver”, declarou Weverton, em entrevistas à jornalistas nesta sexta (14).
A investigação ganhou outro desdobramento após a PF apontar que um dos investigados no homicídio, o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, teria violado protocolos de segurança para realizar suposto monitoramento ilegal de Flávio Dino e de familiares dele no Maranhão.
Agente da Polícia Federal foi afastado
As decisões revelam ainda que a própria Polícia Federal identificou a atuação suspeita de um de seus agentes durante as investigações.
O agente Edvar Rodrigues dos Santos foi afastado do cargo por determinação do STF. Segundo a PF, ele teria mantido contatos reiterados e não autorizados com pessoas ligadas à investigação.
A polícia também afirma que o agente chegou a visitar o autor do homicídio e familiares dele.
De acordo com os documentos, a atuação do policial teria relação com uma tentativa de obstruir a colaboração de investigados e interferir no inquérito em andamento no Supremo.
Suspeitas envolvem contratos e emendas
Um dos despachos detalha ainda o que os investigadores apontam como um esquema envolvendo empresários e agentes políticos no Maranhão.
Segundo a PF, o grupo teria atuado em fraudes em licitações, desvios relacionados a contratos públicos e emendas parlamentares.
As investigações apontam que os recursos teriam beneficiado integrantes do grupo investigado e que os crimes relacionados ao esquema teriam se conectado ao homicídio ocorrido em 2022.
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