eleições 2026

Presidenciáveis usam IA em jingles, vídeos e ataques na pré-campanha

Presidenciáveis recorrem à inteligência artificial na pré-campanha, enquanto especialistas alertam para regras que já valem antes da campanha

Ipolítica, com informações do g1

- Atualizada em 05/08/2026 às 10h51
Presidenciáveis recorrem à inteligência artificial em jingles, vídeos e ataques na pré-campanha, enquanto regras do TSE já estão em vigor.
Presidenciáveis recorrem à inteligência artificial em jingles, vídeos e ataques na pré-campanha, enquanto regras do TSE já estão em vigor. (Reprodução/Instagram)

BRASÍLIA – Os presidenciáveis já utilizam inteligência artificial para produzir jingles, videoclipes, sátiras, reconstruções históricas e ataques durante a pré-campanha eleitoral. A tecnologia aparece tanto em publicações dos próprios pré-candidatos quanto em conteúdos divulgados por partidos, aliados e apoiadores.

Entre os exemplos estão vídeos em que Romeu Zema (Novo) aparece cantando sobre Minas Gerais, Flávio Bolsonaro (PL) é retratado como piloto de caça e protagonista de ações de combate ao crime, e Renan Santos (Missão) utiliza inteligência artificial em um vídeo relacionado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No entorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares recorreram à tecnologia para reconstruir a trajetória política do presidente, que também compartilhou um vídeo com música escrita por uma apoiadora e voz produzida por IA.

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Levantamento divulgado em março pelo Observatório IA nas Eleições mostrou que a média diária de conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial cresceu 50% em relação ao período eleitoral de 2024. Segundo a coordenadora de Plataformas e Mercados Digitais da Data Privacy Brasil, Carla Rodrigues, o ritmo aumentou ainda mais com a aproximação das eleições.

Conteúdos sem identificação

De acordo com o levantamento, 45% dos conteúdos analisados foram classificados como desinformativos e 73% não informavam o uso da inteligência artificial.

"A maioria dos conteúdos não é rotulada. Isso vale tanto para conteúdos mapeados quanto para conteúdos completamente de ataque à oposição ou até de violação dos direitos daquela pessoa", afirma Carla Rodrigues.

Segundo ela, a falta de identificação facilita o compartilhamento e amplia o alcance das publicações nas plataformas digitais.

Regras já valem

Embora a campanha eleitoral só comece oficialmente em 16 de agosto, as regras sobre o uso de inteligência artificial já se aplicam aos conteúdos político-eleitorais divulgados durante a pré-campanha.

Na segunda-feira (3), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Advocacia-Geral da União (AGU) lançaram uma cartilha de boas práticas para orientar candidatos e eleitores sobre o uso da tecnologia. O material recomenda identificar conteúdos produzidos com IA, verificar informações antes da divulgação e denunciar possíveis irregularidades.

A advogada eleitoralista Emma Roberta Bueno explica que a Justiça Eleitoral adota o entendimento de que as regras aplicáveis à campanha também devem ser observadas durante a pré-campanha.

Segundo a resolução do TSE, conteúdos produzidos com inteligência artificial que criem, substituam, alterem ou misturem imagens e sons devem informar, de forma clara, que foram produzidos ou manipulados com essa tecnologia.

Deepfakes proibidas

A identificação de um conteúdo como produzido por inteligência artificial não autoriza o uso de deepfakes proibidas pela legislação eleitoral.

De acordo com Emma Roberta Bueno, a resolução do TSE veda o uso de conteúdos sintéticos em áudio ou vídeo para favorecer ou prejudicar candidaturas, mesmo que a pessoa retratada tenha autorizado sua utilização.

A advogada eleitoral Stefani Juliana Vogel destaca que as regras para as eleições de 2026 não proibiram todo o uso de inteligência artificial, mas ampliaram as restrições para determinados casos.

Entre as mudanças estão a proibição da divulgação de novos conteúdos sintéticos nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação, a ampliação das obrigações das plataformas digitais e novas medidas para combater conteúdos manipulados e violência política contra candidatos, especialmente contra mulheres.

Como a tecnologia é usada

Entre os presidenciáveis, Flávio Bolsonaro aparece na maior variedade de conteúdos produzidos com inteligência artificial. O senador lançou um jingle criado com IA para eventos de campanha, publicou um funk sobre o Pix e foi retratado como piloto de caça e como protagonista de vídeos sobre segurança pública.

O Partido Liberal também utilizou a tecnologia para divulgar um projeto de autoria do senador que aumenta a pena para furto de celulares. Em uma das peças, o uso de inteligência artificial foi informado na legenda.

Já Romeu Zema aparece em vídeos musicais produzidos com IA, enquanto Renan Santos utilizou a tecnologia em uma publicação relacionada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No campo governista, aliados de Lula recorreram à inteligência artificial para reconstruir momentos da trajetória política do presidente, que também compartilhou um vídeo com voz gerada pela tecnologia.

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