Guerra no Oriente Médio

Guerra no Oriente Médio interfere no custo de insumos no Brasil

A guerra no Oriente Médio eleva preço das matérias-primas e pressiona indústria brasileira com alta de custos e impacto financeiro

Ipolítica, com informações do Brasil 61

Guerra no Oriente Médio eleva custo de matérias-primas
Guerra no Oriente Médio eleva custo de matérias-primas (Foto: Divulgação)

BRASÍLIA – A guerra no Oriente Médio tem elevado o custo das matérias-primas e pressionado a indústria brasileira, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O aumento é puxado principalmente pela alta do petróleo e de outros insumos estratégicos.

O índice que mede o preço médio das matérias-primas subiu de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 10,8 pontos.

Alta de custos

O nível registrado é o mais alto desde o segundo trimestre de 2022, período ainda marcado pelos efeitos da pandemia no comércio global.

O custo ou a falta de matérias-primas passou a ser o segundo principal problema enfrentado pela indústria, citado por 30,8% dos empresários.

No trimestre anterior, esse percentual era de 17,3%.

Principais desafios da indústria

A elevada carga tributária segue como principal preocupação, embora tenha recuado de 41,1% para 34,8%.

Na sequência aparecem:

  • Custo ou falta de matérias-primas: 30,8%
  • Taxas de juros elevadas: 27,2%

Segundo a CNI, o cenário internacional tem impacto direto nessas dificuldades.

“Essa maior preocupação dos empresários com a falta ou o alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio”

Pressão financeira

A pesquisa também aponta deterioração nas condições financeiras das empresas.

O índice de satisfação caiu de 50,1 para 47,2 pontos.

Já o indicador de lucro operacional recuou para 41,9 pontos, o menor nível desde 2020.

O acesso ao crédito também piorou, atingindo 39 pontos, a pior marca em três anos.

Juros e insumos pesam

De acordo com a CNI, além do cenário externo, os juros continuam pressionando o setor.

“Os juros ainda exercem uma pressão significativa sobre a situação financeira das empresas”

O aumento recente dos custos com insumos intensificou essa pressão sobre a indústria.

Produção cresce

Apesar do cenário adverso, a produção industrial apresentou crescimento em março.

O índice de evolução da produção subiu 8,3 pontos, passando de 45,4 para 53,7 pontos.

A Utilização da Capacidade Instalada também avançou, de 66% para 69%, acima da média histórica para o período.

Estoques e emprego

Os estoques seguem abaixo do nível ideal, com índice de 49,5 pontos.

Já o indicador de emprego subiu para 49,1 pontos, indicando queda mais moderada nas vagas, embora ainda abaixo da linha de estabilidade.

Expectativas do setor

A melhora da produção contribuiu para uma leve recuperação nas expectativas dos empresários.

Os índices de expectativa para os próximos meses subiram em abril, com destaque para:

  • Demanda: 53,9 pontos
  • Compra de insumos: 52,5 pontos
  • Exportações: 50,9 pontos

A exceção foi o indicador de emprego, que recuou para 50,1 pontos.

Investimentos em queda

Mesmo com sinais positivos na atividade, a intenção de investimento segue em retração.

O índice caiu para 53,7 pontos em abril, marcando a quarta queda consecutiva.

Segundo a CNI, o cenário externo e os juros elevados ainda limitam decisões de expansão no setor.

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