CPMI do INSS

Relator propõe prisão preventiva de Lulinha e indiciamento de mais de 200 pessoas

Defesa nega envolvimento e afirma que atuação do relator tem “caráter eleitoral”; relatório ainda precisa ser votado pela comissão.

Ipolítica, com informações do g1

Relator da CPMI do INSS propõe prisão preventiva de Lulinha e indiciamento de mais de 200 investigados por fraudes.
Relator da CPMI do INSS propõe prisão preventiva de Lulinha e indiciamento de mais de 200 investigados por fraudes. (Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo)

BRASIL - O relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, propôs nesta sexta-feira (27) que o Senado acione a Justiça para decretar a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, diante do que classificou como “indícios concretos” de possível tentativa de fuga.

A sugestão consta no relatório apresentado pelo parlamentar no colegiado, que investiga suspeitas de fraudes e desvios em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Além do pedido de prisão, o documento também propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas supostamente envolvidas no esquema.

Relatório aponta risco de fuga

De acordo com Alfredo Gaspar, a medida busca garantir a aplicação da lei penal e preservar a ordem pública.

“[Pedido de prisão preventiva] dos indiciados que ainda não se encontrem presos, em razão da gravidade das condutas apuradas e da necessidade de garantir a aplicação da lei penal”, afirma o relator no documento.

A proposta ainda precisa ser votada pela comissão para se tornar o parecer final da CPMI.

Suspeitas envolvem lobby e pagamentos

Segundo investigações da Polícia Federal, a suspeita envolvendo Fábio Luís Lula da Silva surgiu após depoimento de um ex-funcionário do empresário Antônio Camilo Antunes.

A testemunha afirmou que Antunes comentava sobre o pagamento de uma mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O valor, segundo o relato, seria destinado à realização de lobby para venda de medicamentos de canabidiol ao Ministério da Saúde.

O empresário, conhecido como “Careca do INSS”, está preso sob suspeita de participação em esquemas de desvio de recursos previdenciários. Não houve, no entanto, confirmação de contratos firmados com o governo.

Defesa nega envolvimento

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contestou as acusações e classificou a atuação do relator como política.

Em nota, os advogados afirmam que:

  • não há elementos que comprovem envolvimento do cliente;
  • a proposta tem “caráter eleitoral”;
  • Lulinha não possui relação com os fatos investigados.

Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos investigados”, diz a defesa.

Os advogados também criticaram o vazamento de informações bancárias, apontando possível irregularidade no processo.

Outros nomes e próximos passos

O relatório da CPMI também sugere o aprofundamento de investigações envolvendo outras autoridades e instituições, incluindo:

  • Wolney Queiroz;
  • Onyx Lorenzoni;
  • Silas Câmara;
  • André Valadão.

Também foram citadas instituições financeiras suspeitas de irregularidades na concessão de crédito consignado a beneficiários do INSS.

O documento ainda será analisado pelos integrantes da comissão. Parlamentares da base governista articulam a apresentação de um relatório paralelo para tentar barrar o texto.

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