Relações Brasil-EUA

Governo vê novas investidas dos EUA contra o Brasil mais difíceis de rebater

Interlocutores do governo avaliam que novas pressões dos EUA contra o Brasil, envolvendo PCC e visita a Bolsonaro, são mais difíceis de responder do que tarifaço.

Ipolítica, com informações do g1

Atualizada em 13/03/2026 às 11h41
Governo avalia que novas pressões dos EUA contra o Brasil, envolvendo PCC e visita a Bolsonaro, são mais difíceis de rebater do que tarifaço.
Governo avalia que novas pressões dos EUA contra o Brasil, envolvendo PCC e visita a Bolsonaro, são mais difíceis de rebater do que tarifaço. (Divulgação/Departamento de Estado dos EUA)

BRASÍLIA – Integrantes do governo federal avaliam que as novas investidas dos EUA contra o Brasil são mais difíceis de rebater do que episódios recentes de tensão comercial. Entre os temas que geraram reação diplomática estão o pedido para visita a Jair Bolsonaro na prisão e a discussão sobre classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

A análise é de interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendem cautela na resposta às ações de integrantes do governo norte-americano.

Investidas dos EUA contra o Brasil

O Itamaraty considerou ingerência em assuntos internos o pedido para que um assessor ligado ao governo dos Estados Unidos visitasse Bolsonaro na prisão. O episódio gerou desconforto dentro do governo brasileiro e reforçou a avaliação de que as atuais investidas dos EUA contra o Brasil têm caráter político.

Ao mesmo tempo, autoridades brasileiras tentam evitar que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos, medida que poderia trazer impactos jurídicos e diplomáticos.

Segundo auxiliares do governo, rebater esse tipo de iniciativa é mais complexo, porque envolve temas sensíveis como segurança pública e combate ao crime organizado.

Estratégia do governo Lula

Interlocutores do presidente defendem que o governo não reaja de forma impulsiva às declarações ou ações de aliados do presidente norte-americano.

A orientação é evitar escalada de tensão e aguardar um posicionamento mais claro da Casa Branca sobre as medidas que vêm sendo discutidas.

“Não está claro se essas iniciativas têm apoio direto do presidente dos Estados Unidos ou se partem de setores mais ideológicos do governo”, avaliam integrantes do Planalto.

Diferença em relação ao tarifaço

Dentro do governo, a avaliação é que a reação ao tarifaço imposto anteriormente pelos Estados Unidos foi mais simples, porque permitiu ao Brasil adotar discurso de defesa da soberania nacional, com apoio interno.

No caso das atuais investidas dos EUA contra o Brasil, o cenário é considerado mais delicado, já que temas como crime organizado e terrorismo têm forte apelo na opinião pública.

Assessores destacam que explicar à população por que a classificação de facções como terroristas pode prejudicar o país é mais difícil do que responder a medidas comerciais.

Expectativa por encontro entre Lula e Trump

A definição sobre o rumo das relações entre os dois países deve depender de uma conversa direta entre os presidentes.

No governo brasileiro, há expectativa de que um encontro na Casa Branca esclareça se as recentes investidas dos EUA contra o Brasil refletem a posição oficial do governo norte-americano ou apenas iniciativas de integrantes da ala mais conservadora.

Até lá, a orientação é manter a via diplomática e evitar confrontos públicos que possam ampliar a crise entre os dois países.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.