Penduricalhos

STF analisa na quarta decisões que limitaram penduricalhos

Plenário vai decidir se mantém ordens que suspendem verbas não previstas em lei e proíbem novos pagamentos acima do teto.

Ipolítica, com informações do g1

STF julga decisões de Flávio Dino que limitaram penduricalhos e determinaram revisão de pagamentos acima do teto constitucional.
STF julga decisões de Flávio Dino que limitaram penduricalhos e determinaram revisão de pagamentos acima do teto constitucional. (Sophia Santos / STF)

BRASÍLIA – O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar, na próxima quarta-feira (25), decisões do ministro Flávio Dino que limitaram os chamados “penduricalhos", verbas indenizatórias que elevam a remuneração de agentes públicos acima do teto constitucional.

Os ministros vão decidir se mantêm duas determinações individuais de Dino: a revisão e suspensão de parcelas não previstas em lei e a proibição de novos atos que autorizem pagamentos acima do limite constitucional.

O que é o teto constitucional?

A Constituição estabelece que a remuneração máxima no serviço público corresponde ao salário dos ministros do STF, atualmente em R$ 46.366,19. Em regra, nenhum agente público pode receber acima desse valor.

A medida busca evitar supersalários e preservar o equilíbrio fiscal.

Por que há pagamentos acima do teto?

A possibilidade decorre da distinção entre verbas remuneratórias e indenizatórias.

As remuneratórias, como salário-base, gratificações e horas extras, estão submetidas ao teto e sofrem o chamado “abate-teto” quando ultrapassam o limite.

Já as verbas indenizatórias, como diárias, auxílio-moradia e auxílio-transporte, não entram no cálculo do teto, pois são consideradas ressarcimento de despesas. É nesse grupo que se inserem os chamados penduricalhos.

O que decidiu Flávio Dino?

Em 5 de fevereiro, Dino determinou que Executivo, Legislativo e Judiciário, em todas as esferas, revisem, em até 60 dias, a base legal das verbas pagas a servidores.

O ministro também ordenou a suspensão imediata de parcelas não previstas em lei e exigiu que as administrações detalhem cada verba, com valores, critérios de cálculo e fundamento legal.

Em 19 de fevereiro, ele complementou a decisão e proibiu a criação de novas normas que resultem em pagamentos acima do teto constitucional.

Quais foram os argumentos?

Dino afirmou que o STF tem sido provocado a analisar “supostas exceções” ao teto e que houve uma ampliação excessiva de verbas classificadas como indenizatórias.

Segundo ele, indenizações devem corresponder a despesas efetivamente realizadas. Caso contrário, tornam-se aumentos salariais disfarçados.

O ministro citou exemplos como licença compensatória, gratificação por acúmulo de função e auxílios diversos que, segundo ele, podem gerar supersalários.

Por que o caso chegou ao STF?

A controvérsia teve origem em ação da Associação dos Procuradores Municipais do Litoral Centro Sul de São Paulo, que questionou decisão da Justiça paulista que impediu o recebimento de honorários de sucumbência.

O que o Supremo vai decidir?

As medidas foram adotadas de forma individual por Flávio Dino e agora passam pelo crivo do plenário do STF.

Os ministros vão definir se mantêm ou revogam as decisões que limitaram os penduricalhos e determinaram a revisão de pagamentos acima do teto constitucional.

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