Acordos Comerciais

Alckmin anuncia regulamentação de salvaguardas em acordos comerciais

Medida prevê regras para aplicação de instrumentos de proteção à indústria e ao agronegócio diante de alta nas importações.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Alckmin anuncia decreto para regulamentar salvaguardas em acordos comerciais e proteger produtores de aumento súbito de importações.
Alckmin anuncia decreto para regulamentar salvaguardas em acordos comerciais e proteger produtores de aumento súbito de importações. (Cadu Pinotti / Agência Brasil)

BRASIL – O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quinta-feira (19) a regulamentação de salvaguardas em acordos comerciais firmados pelo Brasil. A medida será formalizada por meio de decreto presidencial.

Segundo Alckmin, o objetivo é estabelecer regras claras para proteger produtores nacionais diante de aumentos súbitos de importações que possam causar prejuízos à indústria e ao agronegócio.

Regulamentação de salvaguardas

De acordo com Alckmin, o decreto sobre regulamentação de salvaguardas abrangerá tanto acordos comerciais já vigentes quanto futuros compromissos firmados pelo país.

“O presidente Lula vai regulamentar a salvaguarda por decreto. Se houver aumento grande de importação, a medida pode ser acionada imediatamente”, afirmou.

O texto deverá definir:

  • prazos para análise de pedidos;
  • procedimentos de investigação;
  • condições para aplicação das medidas de proteção.

     

Como funcionam as salvaguardas em acordos comerciais

As salvaguardas são instrumentos previstos em acordos comerciais que permitem a um país reagir a surtos de importação decorrentes da redução de tarifas negociadas.

Caso seja comprovado dano grave à produção nacional, o governo pode:

  • estabelecer cotas de importação;
  • suspender a redução tarifária prevista no acordo;
  • restabelecer o imposto anterior ao tratado.

Com a ampliação dos compromissos preferenciais do Mercosul, o governo avalia que é necessário criar disciplina específica para dar previsibilidade e segurança jurídica ao uso do instrumento.

Expansão da rede de acordos do Mercosul

Desde 2023, o Mercosul concluiu negociações com Singapura, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e, mais recentemente, com a União Europeia.

Com esses novos tratados, a parcela da corrente de comércio brasileira coberta por preferências tarifárias passou de 12% para 31,2%.

Antes, as salvaguardas podiam ser aplicadas com base em regras multilaterais gerais. Agora, diante da ampliação dos compromissos comerciais, o governo considera necessária a regulamentação de salvaguardas específica para esses acordos.

Cronograma do acordo Mercosul-UE

Durante a visita à Festa da Uva, Alckmin também comentou o cronograma de redução tarifária previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia.

Segundo ele:

  • para o vinho, o prazo de desgravação será de oito anos;
  • para espumantes, o prazo será de 12 anos.

A redução gradual busca permitir a adaptação dos produtores nacionais.

Setor de vinhos deve ser beneficiado

Alckmin afirmou ainda que o setor vitivinícola poderá ser beneficiado pela reforma tributária aprovada recentemente.

De acordo com o ministro, a mudança nos tributos sobre o consumo deve reduzir em cerca de 7% a carga de impostos sobre vinhos nacionais, fortalecendo a competitividade do setor.

Antes da abertura da festa, o presidente em exercício se reuniu com representantes do setor produtivo da Serra Gaúcha. Na pauta estiveram temas como:

  • acordo Mercosul-União Europeia;
  • reforma tributária;
  • tarifas internacionais;
  • linhas de crédito para renovação da frota de caminhões.

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