penduricalhos

Dino proíbe novas leis para manter penduricalhos acima do teto constitucional

Ministro do Supremo Tribunal Federal determina que União, estados e municípios não publiquem atos para driblar limite constitucional; plenário analisa medida na próxima semana.

Ipolítica, com informações do g1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. (Gustavo Moreno / STF)

BRASIL - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta quinta-feira (19) a proibição da publicação de novas leis ou atos administrativos que tentem garantir o pagamento de penduricalhos acima do teto constitucional do funcionalismo público. A decisão vale para União, estados e municípios.

A medida reforça determinação anterior, de 5 de fevereiro, que suspendeu pagamentos que ultrapassem o limite previsto na Constituição. O caso será analisado pelo plenário do STF na próxima quarta-feira (25).

O que muda com a decisão sobre os penduricalhos

Na prática, a decisão impede que órgãos públicos criem normas para driblar a suspensão de valores que excedam o teto constitucional.

O ministro também proibiu:

  • A aplicação de novas legislações sobre parcelas remuneratórias acima do teto;
  • A criação de benefícios indenizatórios que elevem salários além do limite;
  • O reconhecimento de pagamentos retroativos não quitados até a decisão liminar.

Segundo Dino, apenas o Congresso Nacional pode regulamentar de forma definitiva a questão dos penduricalhos. Caso haja omissão, o próprio STF poderá estabelecer um regime transitório.

O que são penduricalhos

A expressão penduricalhos é usada para se referir a verbas indenizatórias, gratificações e auxílios pagos a servidores públicos.

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Licença compensatória convertida em dinheiro;
  • Auxílio-locomoção;
  • Pagamentos acumulados de férias;
  • Gratificações indenizatórias diversas.

Embora muitas dessas verbas estejam previstas em normas específicas, elas podem elevar a remuneração final acima do teto constitucional, o que gera debate sobre supersalários no serviço público.

Qual é o teto constitucional

O teto constitucional corresponde ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Atualmente, o valor é de R$ 46.366,19.

Pela Constituição, nenhum servidor público pode receber acima desse limite. No entanto, a soma de penduricalhos e outras verbas indenizatórias tem permitido, na prática, remunerações superiores ao teto.

Decisão não afeta reajustes já sancionados

A decisão de Flávio Dino não atinge salários fixados em lei nem reajustes já sancionados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também não interfere em gratificações já consolidadas e previstas na legislação.

A medida foi tomada de forma individual (decisão monocrática) e ainda será analisada pelos demais ministros do STF no julgamento marcado para o dia 25.

Além disso, recursos apresentados por entidades, como tribunais estaduais, só serão avaliados após a apreciação da decisão pelo plenário.

Com a nova determinação, o Supremo reforça o controle sobre os penduricalhos e amplia o debate sobre limites salariais e transparência nos gastos públicos.

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