Sapucaí

Oposição anuncia pedido de inelegibilidade contra Lula após desfile na Sapucaí

Oposição afirma que homenagem a Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói configurou propaganda antecipada e abuso de poder; presidente exaltou o Carnaval.

Ipolítica, com informações de O Globo

Oposição anuncia ação no TSE para pedir inelegibilidade de Lula após desfile da Acadêmicos de Niterói. Presidente nega campanha antecipada.
Oposição anuncia ação no TSE para pedir inelegibilidade de Lula após desfile da Acadêmicos de Niterói. Presidente nega campanha antecipada. (Reprodução/Instagram)

BRASÍLIA – A oposição anunciou que vai entrar com ações na Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula após o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ironizou adversários políticos, especialmente o bolsonarismo. O partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmaram que vão acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder.

O senador declarou nas redes sociais que a ação contra o que chamou de “crimes do PT na Sapucaí” será protocolada rapidamente. No domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula teria usado dinheiro público para promover campanha antecipada durante o Carnaval e comparou o episódio à decisão que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível.

Oposição promete ação no TSE por desfile

O partido Novo informou, na manhã desta segunda-feira, que ingressará com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) assim que houver o registro formal de candidatura do presidente. A legenda disse que já protocolou representação no TSE e que também há medidas em andamento no Tribunal de Contas da União (TCU).

O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que houve “propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público” e defendeu que o caso deve ser tratado como questão jurídica.

Segundo o partido, o desfile da Acadêmicos de Niterói caracterizou abuso de poder político e econômico ao utilizar recursos públicos para promover a imagem do presidente em contexto pré-eleitoral.

Na AIJE, o Novo pretende pedir:

  • cassação do registro de candidatura de Lula
  • declaração de inelegibilidade de Lula
  • apuração de abuso de poder político e econômico

Deputado do PL cita “preocupação institucional”

Em nota, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) afirmou que o desfile ultrapassou os limites culturais e gerou “grave preocupação institucional”. Segundo ele, houve exaltação direta de uma liderança política em ano eleitoral.

Zucco também criticou alegorias que, segundo ele, ridicularizaram adversários políticos e atingiram valores cristãos. O parlamentar disse que serão analisadas medidas junto à Justiça Eleitoral e outros órgãos para apurar eventual propaganda extemporânea, abuso de meios de comunicação e possíveis violações a direitos fundamentais, além de providências relacionadas à proteção da liberdade religiosa.

Lula comenta Carnaval e tenta manter distância

Após as críticas, Lula publicou mensagem no X afirmando que esteve na Marquês de Sapucaí e acompanhou o desfile de quatro escolas de samba, depois de passar pelo Carnaval de Recife e Salvador.

No texto, o presidente exaltou o Carnaval e destacou o impacto cultural e econômico da festa, em um movimento para manter distância dos questionamentos sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói.

"O Rio é uma referência mundial de Carnaval e de turismo. A Marquês de Sapucaí mostra ao planeta a força das nossas escolas de samba, a criatividade do nosso povo e a capacidade que o Brasil tem de transformar cultura em desenvolvimento, emprego e renda. Tenho muito orgulho de ver o Brasil brilhando assim para o mundo inteiro", escreveu.

TSE já negou liminar em ações anteriores

Na quinta-feira da semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral negou pedidos de liminar em duas representações por propaganda eleitoral antecipada apresentadas pelos partidos Novo e Missão contra o desfile.

Os ministros acompanharam o entendimento da relatora, ministra Estela Aranha, que afirmou não haver clareza prévia sobre violação da lei e que eventuais abusos devem ser apurados posteriormente.

“Não se verifica, neste momento, elemento concreto de campanha eleitoral antecipada, nem circunstância que permita afirmar, de forma segura, a ocorrência de irregularidade”, afirmou a ministra na ocasião.

Mesmo com a decisão, a oposição mantém a ofensiva e promete novas medidas para tentar sustentar o pedido de inelegibilidade de Lula com base no episódio ocorrido durante o Carnaval do Rio.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.