Acordo Mercosul–UE

Presidente da ApexBrasil vê avanço no Acordo Mercosul–UE e aposta na promoção do Brasil na Europa

Jorge Viana avalia o Acordo Mercosul-União Europeia como estratégico para ampliar investimentos e presença de empresas brasileiras no mercado europeu

Ipolítica, com informações do Brasil 61

Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, afirmou que há otimismo quanto à implementação do Acordo Mercosul–União Europeia
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, afirmou que há otimismo quanto à implementação do Acordo Mercosul–União Europeia (Reprodução)

BRASÍLIA – O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, afirmou que há otimismo quanto à implementação do Acordo Mercosul–União Europeia e avaliou que o tratado representa um avanço relevante para a inserção do Brasil no mercado internacional.

Segundo Viana, a União Europeia é atualmente o maior investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 464 bilhões em Investimento Direto Estrangeiro (IED), o que corresponde a mais de 40% do total recebido pelo país. Para ele, o acordo amplia a previsibilidade econômica e cria um ambiente mais favorável a novos fluxos de investimento.

“O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento”, afirmou durante entrevista coletiva na sede da ApexBrasil.

Confiança na ratificação do tratado

O acordo foi politicamente concluído em 2024 e assinado em 17 de janeiro de 2026. Apesar da judicialização do texto no Parlamento Europeu, Jorge Viana disse que o clima geral é de confiança em sua ratificação.

Segundo ele, a contestação faz parte do processo político. “Foi uma manobra política dos que eram contra, e isso faz parte do jogo da política”, afirmou.

Viana destacou ainda que o tratado amplia as oportunidades para empresas brasileiras interessadas em acessar mercados internacionais e reforça o protagonismo do país no cenário global.

Articulação com o Congresso

No esforço para viabilizar a aprovação do acordo, a ApexBrasil tem intensificado o diálogo com o Congresso Nacional e com parlamentos europeus. Nesse contexto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Nelsinho Trad, passaram a integrar uma comitiva que ampliará as conversas com o Parlamento Europeu.

“A missão agora é também do Congresso Nacional ajudar na interlocução com os outros parlamentos aqui do Mercosul para aprovar o quanto antes o acordo”, destacou Viana.acordo

Promoção do Brasil na Europa

O presidente da ApexBrasil afirmou que a agência vai reforçar a estratégia de comunicação na Europa, com o objetivo de melhorar a percepção sobre o Brasil junto à iniciativa privada.

“Vamos mostrar que o Brasil não é um bicho-papão”, disse. Estão previstos encontros, missões empresariais e reuniões com empresários e parlamentares europeus.

Benefícios econômicos mapeados

Levantamento da ApexBrasil indica que o acordo cria um mercado integrado de cerca de 720 milhões de consumidores. O estudo identificou 543 oportunidades imediatas de exportação em quatro regiões da Europa.

Esses produtos representam um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia. Atualmente, o Brasil exporta cerca de US$ 1,1 bilhão desses itens ao bloco.

As oportunidades estão distribuídas em 25 dos 27 países da União Europeia, com maior concentração na Europa Ocidental. O acordo deve resultar em um PIB agregado estimado em US$ 22 trilhões, além de prever eliminação tarifária imediata para diversos setores e maior segurança jurídica para investimentos.

Setores com maior potencial

Entre os setores mais promissores estão:

  • máquinas e equipamentos de transporte;
  • artigos manufaturados;
  • produtos químicos;
  • materiais em bruto;
  • alimentos.

Também se destacam motores, geradores elétricos, aeronaves, peças automotivas e produtos de base agrícola.

No agronegócio, Viana afirmou que a redução de tarifas e a ampliação de cotas tendem a favorecer a complementaridade entre os blocos. “Será um fluxo complementar e não concorrencial entre os blocos”, avaliou.

Preparação das empresas brasileiras

Por fim, Jorge Viana afirmou que a ApexBrasil trabalhará para garantir que as empresas brasileiras estejam preparadas para atender às exigências técnicas e de sustentabilidade da União Europeia.

Segundo ele, o país vive uma das maiores oportunidades estratégicas das últimas décadas para ampliar exportações. “Temos condições concretas de transformar o potencial mapeado em resultados reais”, concluiu.

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