Governo Federal

General preso por golpe vai trabalhar no Comando Militar do Planalto

Moraes autoriza general condenado por golpe de Estado a trabalhar no Comando Militar do Planalto durante cumprimento da pena.

Com informações de Agência Brasil

General Mario Fernandes
General Mario Fernandes (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASÍLIA - O general preso por golpe de Estado vai trabalhar no Comando Militar do Planalto, após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão permite que Mário Fernandes, condenado como um dos autores intelectuais da trama golpista, exerça atividades de caráter técnico e intelectual enquanto cumpre pena.

Fernandes foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão por envolvimento no núcleo responsável pelo planejamento da tentativa de golpe que buscava manter ilegalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

Atuação será em atividades intelectuais

De acordo com a decisão, o general da reserva prestará serviços junto à Diretoria de Patrimônio Histórico e Cultural do Exército e ao Centro de Doutrina do Exército, ambos vinculados ao Comando Militar do Planalto.

Entre as atividades autorizadas estão:

Revisão de produtos doutrinários

Análise de materiais literários usados pelas Forças Armadas

Apoio técnico em conteúdos institucionais

O plano de trabalho foi apresentado pela defesa do militar e elaborado pelo próprio Comando Militar.

Moraes destaca ressocialização do preso

Ao autorizar a medida, Alexandre de Moraes afirmou que o trabalho do preso deve “ser estimulado como instrumento de ressocialização”. Segundo o ministro, o ordenamento jurídico brasileiro garante ao apenado o chamado “direito-dever” ao trabalho, desde que compatível com o regime de cumprimento da pena.

Mário Fernandes cumpre a pena nas dependências do Comando Militar do Planalto, em Brasília.

General elaborou plano Punhal Verde e Amarelo

Conforme os autos do processo, o general foi responsável por elaborar o plano conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, encontrado pela Polícia Federal (PF). O documento previa uma série de ações para viabilizar o golpe de Estado em 2022.

Entre os pontos mais graves do plano estavam:

Sequestro de autoridades

Assassinato do ministro Alexandre de Moraes

Assassinato do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva

O material foi considerado uma das principais provas da atuação organizada do grupo golpista.

Histórico no governo Bolsonaro

Durante o governo de Jair Bolsonaro, Mário Fernandes ocupou o cargo de chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, posição estratégica na estrutura do Executivo federal.

Crimes atribuídos ao general

Na condenação, o STF considerou Fernandes culpado pelos seguintes crimes:

Organização criminosa armada

Golpe de Estado

Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

Dano qualificado

Deterioração do patrimônio tombado

Com a decisão, o general preso por golpe passa a trabalhar no Comando Militar do Planalto, mantendo-se sob custódia enquanto exerce atividades autorizadas pela Justiça.

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