Polícia Federal

Cobrança de propinas tinha até grupo armado, diz PF sobre operação contra Josimar

Em pedido para o Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal relata grupo criminoso que pressionava prefeito para liberação de propina de emendas parlamentares liberadas.

Imirante com informações do Globo

- Atualizada em 26/03/2022 às 18h07
Josimar de Maranhãozinho é apontado pela Polícia Federal como chefe do grupo que desfia recursos públicos
Josimar de Maranhãozinho é apontado pela Polícia Federal como chefe do grupo que desfia recursos públicos (Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados)

BRASIL - O jornal O Globo trouxe na tarde desta sexta-feira, 11, novas informações sobre as investigações da Polícia Federal (PF) contra o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) e mais dois deputados federais. Segundo o jornal, a Polícia Federal relatou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que encontrou indícios de que um grupo liderado por Maranhãozinho, teria utilizado um grupo armado, extorsões e saques em dinheiro vivo para desviar emendas parlamentares destinadas a prefeituras do Maranhão.

O Globo teve acesso a trechos da investigação, mantida sob sigilo pela Justiça. Para apurar essa suspeita, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços desses três parlamentares. Os envolvidos negam a acusação.

De acordo com a Polícia Federal, o conhecido agiota de nome Josival Cavalcanti da Silva, o Pacovan, emprestava recursos aos parlamentares e recebia os pagamentos por meio de saques em dinheiro vivo desviados de emendas parlamentares.

“O deputado federal Josimar Maranhãozinho é quem está à frente da estrutura criminosa, capitaneando não somente a destinação dos recursos públicos federais oriundos de emendas (próprias e de outros parlamentares comparsas) para os municípios, mas também orientando a cobrança (utilizando, inclusive, de estrutura operacional armada), ao exigir dos gestores municipais a devolução de parte dessas verbas”, afirma a PF.

"Os investigadores identificaram ao menos três alvos ligados ao esquema que atuariam como um braço armado na extorsão dos prefeitos. Um deles, Abraão Nunes Martins Neto, que é ex-policial militar, chegou a confirmar em depoimento à PF que atuava na cobrança de dívidas para Pacovan e que o agiota lhe solicitava que fosse “duro” nessa cobrança. O caso foi relatado à PF pelo então prefeito do município de São José de Ribamar (MA), Eudes Sampaio, que contou ter sido alvo de extorsões do grupo. A PF apreendeu documentos e identificou emendas parlamentares no valor de cerca de R$ 5 milhões que teriam sido usados nos desvios", relata o Globo.

Ainda segundo o jornal, os investigadores perceberam que o deputado Bosco Costa, apesar de ser de Sergipe, destinou uma emenda de R$ 4 milhões à prefeitura de São José de Ribamar. O objetivo, de acordo com a PF, era que R$ 1 milhão, o equivalente a 25%, retornasse em dinheiro vivo aos parlamentares.

Mensagem de Pacovan

Ainda de acordo com O Globo, a investigação da PF obteve trocas de mensagens e conversas entre os integrantes do grupo comandado por Josimar. A PF descreve um áudio enviado por Pacovan ao deputado Maranhãozinho, no dia 9 de junho de 2020.

"Deixa eu te falar, ontem eu fui atrás do homi lá do Ribamar. Entei falar com ele, ele disse que só senta se for contigo. Entende? Ele só paga se for pra você. Ele só resolve as com você. (…) Eu não posso perder, entendeu? Que é 6 milhão. Entendeu? Vai dar um milhão e meio. Que ele tem pra me pagar. E aí e eu perder esse dinheiro? (…) Me diz aí. Qual é a minha situação? (…) É seis milhão e pouco. Vai dar quase um 1,6 milhão de devolução", diz o áudio transcrito pelos investigadores.

Em outros trechos, o agiota demonstra que precisa dos recursos.

"Se eu perder um dinheiro desses eu endoido. Eu fico louco. Eu não passo de jeito nenhum. Com quem eu fiz negócio eu assumi. Entendeu? Eu quero que você me ajude nisso aí. Pra você tomar a frente", completou.

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