Caso em Balsas

Câmeras registram agressão contra influenciadora Lea Reis em bar no Maranhão

Vídeos mostram o momento em que uma mulher avança contra Lea e a atinge com um soco. Influenciadora denunciou transfobia, enquanto defesa da suspeita nega motivação relacionada à identidade de gênero.

Imirante, com informações da TV Mirante

- Atualizada em 11/08/2026 às 09h38
Vídeos de câmeras de segurança mostram a agressão sofrida pela influenciadora digital Lea Reis em bar. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Vídeos de câmeras de segurança mostram a agressão sofrida pela influenciadora digital Lea Reis em bar. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

BALSAS – Vídeos de câmeras de segurança registraram a agressão sofrida pela influenciadora digital Lea Reis, mulher trans de 29 anos, durante uma confusão em um bar de Balsas, no sul do Maranhão. As imagens mostram o momento em que uma mulher passa pelo grupo onde Lea estava com amigos e, segundos depois, avança contra ela e desfere um soco.

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O caso aconteceu na madrugada de domingo (9). Após o episódio, Lea afirmou nas redes sociais que foi vítima de transfobia e relatou ter levado socos no rosto sem compreender, naquele momento, o motivo da agressão.

A mulher apontada como autora da agressão, a servidora pública Écilla Ahuad Miranda, de 37 anos, apresentou uma versão diferente. Segundo sua defesa, ela teria reagido depois que Lea supostamente adotou um comportamento de natureza sexual inadequada em relação ao marido dela e, posteriormente, teria feito ofensas e puxado seus cabelos.

Essa versão, no entanto, é contestada pela Polícia Civil com base nas imagens analisadas até o momento.

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O que mostram as câmeras de segurança

Em uma das gravações, Lea aparece em uma área do estabelecimento acompanhada de amigos. Algumas pessoas passam próximas ao grupo, entre elas uma mulher apontada como sendo Écilla.

Pouco depois, a mulher retorna, avança em direção à influenciadora e a atinge com um soco. Pelas imagens divulgadas, não é possível identificar uma discussão imediatamente antes desse primeiro ataque.

Uma segunda câmera mostra os acontecimentos após a agressão inicial. Lea e outras pessoas se aproximam da mulher para cobrar explicações, quando uma discussão começa e a situação evolui para uma nova confusão.

Nesse segundo momento, outras pessoas passam a participar do tumulto. As imagens também mostram uma mulher vestida de branco agredindo a mulher identificada como Écilla.

Polícia diz que imagens não mostram provocação anterior

Os vídeos foram analisados pela Polícia Civil do Maranhão. Em entrevista à TV Mirante, a delegada Ana Marisa Barbat afirmou que, até o momento, os registros não mostram uma interação anterior que sustente a alegação de que a primeira agressão teria ocorrido como reação a uma suposta importunação sexual praticada por Lea.

“Esse fato não procede. Isso não é verdade. As imagens são muito claras e revelam exatamente o contrário: que a vítima não provocou, não teve nenhuma manifestação prévia que desse ensejo ou motivasse aquela que seria uma reação à agressão”, afirmou a delegada.

Apesar disso, a Polícia Civil ressalta que a investigação ainda não permite concluir se a agressão teve motivação transfóbica.

“Até o momento, com os elementos informativos colhidos, não é possível definir se houve transfobia ou não por parte da autora das lesões. Ainda não é possível identificar. A investigação seguirá com o delegado responsável, que vai apurar os fatos para verificar se houve ou não transfobia”, explicou Ana Marisa Barbat.

A apuração deverá considerar, além das imagens das câmeras de segurança, depoimentos dos envolvidos e de testemunhas que estavam no estabelecimento.

Defesa nega motivação transfóbica

A defesa de Écilla Ahuad Miranda nega que a agressão tenha sido motivada pela identidade de gênero de Lea Reis.

Segundo a versão apresentada pela servidora pública, ela não sabia que Lea era uma mulher trans no momento da confusão e, por isso, sustenta que o episódio não teria qualquer relação com transfobia.

A defesa também afirma que o conflito teria começado após uma suposta atitude inadequada de Lea em relação ao marido de Écilla e que, posteriormente, teriam ocorrido xingamentos e agressões físicas.

As circunstâncias que antecederam e sucederam a confusão continuam sendo investigadas pela Polícia Civil.

Lea estava em Balsas para casamento de amiga

Natural de Iracema, no interior do Ceará, Lea contou que viajou para Balsas para participar do casamento de uma de suas melhores amigas.

Após a cerimônia, segundo a influenciadora, ela decidiu sair com amigos para conhecer a cidade. O grupo seguiu para o bar onde, horas depois, aconteceu a agressão.

Depois do episódio, Lea utilizou as redes sociais para relatar o caso, mostrar os ferimentos e afirmar que acredita ter sido vítima de transfobia.

Quem é a influenciadora Lea Reis

Lea Chaves Gomes Reis, de 29 anos, é uma influenciadora digital natural de Iracema, no Ceará, e atualmente vive no estado de São Paulo.

Mulher trans, ela compartilha nas redes sociais momentos da rotina, viagens, participação em eventos, brincadeiras e encontros com amigos e familiares. Lea também utiliza suas plataformas para discutir questões relacionadas à população trans e relatar situações de preconceito.

Em março deste ano, por exemplo, a influenciadora publicou um vídeo comentando mensagens ofensivas que recebia de algumas mulheres nas redes sociais.

“Eu vejo alguns comentários de algumas mulheres nos meus posts, sempre tentando me colocar pra baixo. ‘Ai, você nunca vai ser mulher, você não nasceu biologicamente mulher, nunca vai ser uma de nós’. Gente, eu sei, tá? Eu não nasci biologicamente mulher, isso não me invalida”, afirmou na ocasião.

Influenciadora perdeu o irmão em janeiro

Em janeiro deste ano, Lea também compartilhou com seguidores a morte do irmão, Leonardo Chaves da Silva, de 33 anos.

Ele foi assassinado a tiros em Iracema, no interior do Ceará. Segundo as informações divulgadas sobre o crime, Leonardo havia parado a motocicleta em uma rua da cidade para utilizar o celular quando foi abordado por um homem que estava em outra moto.

O criminoso efetuou diversos disparos contra Leonardo, que morreu no local.

A investigação sobre a agressão contra Lea Reis em Balsas continua sob responsabilidade da Polícia Civil, que busca esclarecer a dinâmica completa do episódio e determinar se houve ou não motivação transfóbica.

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