Entrevista ao "Fantástico"

Avó conta como percebeu o desaparecimento dos netos em Bacabal: "passamos foi a noite no mato”

O desaparecimento de Ágata Isabelle, de seis anos, e Allan Michael, de quatro anos, completa 16 dias nesta segunda-feira (19).

Imirante, com informações da TV Globo

Atualizada em 19/01/2026 às 08h09
A avó das crianças relatou a angústia vivida pela família. (Foto: Reprodução)
A avó das crianças relatou a angústia vivida pela família. (Foto: Reprodução)

BACABAL – O desaparecimento de Ágata Isabelle, de seis anos, e Allan Michael, de quatro anos, completa 16 dias nesta segunda-feira (19) e as buscas continuam nos arredores do povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.

“Chamei e ninguém respondeu”, diz avó de crianças desaparecidas em Bacabal

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, a avó das crianças, Francisca Cardoso, contou que percebeu a ausência dos netos ainda pela tarde.

Segundo a avó, antes de sair para Bacabal, a mãe das crianças avisou que Ágata e Allan estavam brincando. “Já dei banho, eles já almoçaram e já merendaram”, disse. Anderson Kauã, de oito anos, estava com a avó e almoçou na casa dela. 

Crianças desapareceram no dia 4 de janeiro. (Arte: Reprodução/TV Globo)
Crianças desapareceram no dia 4 de janeiro. (Arte: Reprodução/TV Globo)

Algum tempo depois, ao notar o silêncio, a avó chamou pelos netos várias vezes, mas não obteve resposta. “De três e meia para quatro horas… Mas aí chamei e ninguém respondeu”, relatou a avó. Diante da situação, familiares iniciaram imediatamente as buscas e passaram a noite procurando as crianças em áreas de matagal da região. “Passamos foi a noite no mato”, afirmou.

Área de buscas pelas crianças desaparecidas

Com o passar dos dias, a área de buscas foi ampliada e organizada. Um espaço superior a quatro quilômetros quadrados foi dividido em 45 quadrantes, percorridos por equipes que compartilham a localização em tempo real por meio de aplicativos de celular.

Mesmo com a chuva registrada na região, as buscas continuam na manhã desta segunda-feira (19). No sábado (17), a operação foi reforçada com a chegada de 11 militares da Marinha do Brasil, que iniciaram uma nova etapa dos trabalhos.

Side Scan Sonar: veja como funciona o equipamento usado nas buscas

Os militares utilizam equipamentos como o side scan sonar, tecnologia capaz de gerar imagens do fundo de rios e lagos. As buscas também avançam pelo Rio Mearim e por um lago da região, com apoio de lancha voadeira e motoaquática.

Sonar faz ‘raio‑x’ do fundo do rio e orienta mergulhadores. (Foto: Divulgação/SSP-MA)
Sonar faz ‘raio‑x’ do fundo do rio e orienta mergulhadores. (Foto: Divulgação/SSP-MA)

A Marinha solicitou que o número de embarcações na área das buscas fosse reduzido para aumentar a eficiência das operações. As equipes devem permanecer na região por 10 dias, com possibilidade de prorrogação.

De acordo com a Marinha, o sonar pode apontar:

  • Objetos submersos: embarcações afundadas, galhos e detritos.
  • Mudanças no terreno: buracos ou elevações no fundo do rio.
  • Substâncias na água: óleo ou resíduos.
  • Alterações de visibilidade: trechos com turbidez ou neblina subaquática.

 

“A gente consegue ver a coluna d'água e o leito ali com uma imagem muito nítida, muito perfeita, independentemente da turbidez, se a água é clara ou escura”, disse o capitão Simões Júnior, da Capitania dos Portos do Maranhão.

O equipamento já foi utilizado em outras operações de resgate de grande porte, como no desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA).

Relato da criança encontrada

Segundo informações do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), Anderson, o menino de oito anos que também havia desaparecido com as outras duas crianças, relatou, quando foi encontrado, que deixou os dois primos no abrigo improvisado e saiu em busca de ajuda.

Anderson foi encontrado no dia 7 de janeiro por produtores rurais que passavam pela região. A presença das três crianças na área foi indicada por cães farejadores que integram a força-tarefa responsável pelas buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael há quase duas semanas.

A “casa caída”

Chamada por policiais como “casa caída”, foi apontada por cães farejadores como um dos locais por onde passaram os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael. Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, onde as crianças desapareceram há 13 dias. O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco.

O local está a aproximadamente 12 km do ponto do desaparecimento, levando em consideração obstáculos como trilhas, lagoas e áreas de mata. O ponto foi descrito por Anderson Kauã, de 8 anos, após ser encontrado no dia 7 de janeiro. Ele relatou à equipe multiprofissional do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), que o acompanha, que chegou ao local com os primos e que deixou os dois na casa enquanto saiu em busca de ajuda.

Duas cianças seguem desaparecidas em Bacabal. (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Duas cianças seguem desaparecidas em Bacabal. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

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