São Luís 409 anos

Há 409 anos, casarões e igrejas cintilam Centro Histórico de São Luís

Na Mira vai mostrar um pouco da história dos casarões coloniais e das Igrejas históricas presente no Centro Histórico.
Raunyr dos Santos / Na Mira 08/09/2021 às 08h11

Casarões e igrejas chamam atenção por sua beleza e imponência

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante

SÃO LUÍS – A Ilha de São Luís, também conhecida como Ilha de Upaon-Açú (Ilha Grande), foi fundada em 1612 pelos franceses, invadida por holandeses e colonizada por português, segundo a história. Traços na arquitetura dos prédios coloniais, no Centro Histórico da capital maranhense, remetem muito à cidade Lisboa, em Portugal, a quem a Ilha era subordinada à época. Nesse especial São Luís 409 anos, o Na Mira vai mostrar um pouco das história dos casarões coloniais e das igrejas históricas presentes no Centro Histórico.

A capital maranhense é conhecida mundialmente pelo seu vasto acervo arquitetônico, que foi tombado pelo Governo Federal e inscrito na Lista de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco).

Casarões da rua de Nazaré. Foto: Raunyr dos Santos

De acordo com o coordenador técnico do Instituto de Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), Rafael Gama Pestana, o conjunto arquitetônico, urbanístico e Paisagístico da cidade de São Luís conta com aproximadamente 62 hectares, com cerca de 1500 imóveis tombados.

Casarões da Rua do Giz.

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante

Quanto às características dos casarões, segundo informações do Iphan, os prédios históricos são de forma predominantes de arquitetura originária portuguesa datadas dos séculos XVIII e XIX, cujas características são os solares, sobrados, moradas inteiras, meia-morada.

Casarões da rua Portugal

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante

Apesar do acervo arquitetônico ser em sua grande parte de origem portuguesa, há presença de outras influências, como construções neoclássicas e ecléticas datadas do século XIX e XX, apresentando desenhos na composição de suas fachadas tais como: platibandas, frontões triangulares, colunatas e escadarias.

O exemplo disso é o Tribunal de Justiça do Maranhão, localizado na praça D. Pedro II, em São Luís.

Tribunal de Justiça do Maranhão

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante

De acordo com dados do Iphan, apenas 7% dos casarões históricos, em São Luís, apresentam precário estado de conservação. O órgão afirmou à reportagem que compete aos donos dos imóveis a manutenção dos prédios.

A beleza singular de São Luís chama atenção, também, na arquitetura das Igrejas. O historiador e advogado Diogo Guagliardo Neves, em entrevista ao Na Mira, revelou curiosidades por trás da história dos principais templos históricos de São Luís.

Só na região do Centro Histórico de São Luís, há presença de sete Igrejas Históricas, das quais destaca-se: a Igreja da Sé, Igreja do Carmo, Igreja de São João, Igreja São Pantaleão, Igreja de Sant’Ana, Igreja de Santo Antônio, Igreja do Rosário dos homens pretos e Igreja dos Remédios e também a capela da Assunção, que pertence a um colégio tradicional da capital.

Catedral de nossa Senhora da Vitória

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante

Com o passar do tempo, muitos templos passaram por transformações. A atual arquitetura de muitas igrejas históricas é derivada de mudanças ao longo do tempo. É o que afirma o historiador. “Quase todas as igrejas passaram por adaptações ao longo do tempo. A Igreja da Sé teve sua fachada parcialmente alterada, com a inclusão de mais uma torre, em 1922”, disse.

Igreja do Desterro, uma das mais antigas do Maranhão

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante.com

Diogo Guagliardo informou, também, que muitas igrejas perderam seus traços originais. “A antiga Igreja dos Remédios, de duas torres e fisionomia colonial, foi inteiramente demolida e erguida uma nova, cuja conclusão se deu no início da década de 1930. A Igreja do Carmo e de São Pantaleão perderam seu altares originais e seus ossários em épocas diversas., afirmou.

Igreja Convento de nossa Senhora do Carmo, na praça João Lisboa

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante

Desde sua fundação, a Ilha de São Luís passou por diversas transformações. O desenvolvimento na cidade resultou em mudanças em prédios arquitetônicos, e até mesmo igrejas fossem demolidas, como explica o historiador.

“Foram demolidas sem substituição a Igreja nossa Senhora da Conceição dos Mulatos (rua Grande), Igreja de Sant’Aninha (capela de Santa Ana, na praça Deodoro), e a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, no Convento das Mercês”, explicou.

Igreja e Seminário de Santo Antônio

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante.com

O historiador comentou que as características dos templos históricos se modificaram com o passar dos anos, se alterando conforme a época. “A atual Igreja dos Remédios é em estilo neogótico, apreciado no início do século XX. O altar da Igreja da Sé tem um belo traço barroco, mas o restante do edifício é neoclássico e eclético”, contou.

Altar-mor da Igreja da Sé

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante.com

Além da religiosidade e das belezas arquitetônicas das igrejas históricas de São Luís, muitas histórias, diga-se até misteriosas, circulam pela Ilha desde muito tempo. Uma delas é a ligação subterrânea entre as fontes e os poços que abasteciam esses templos. "No século XVIII, um engenhoso e complexo sistema de drenagem de nascentes de água potável foi construído para abastecer a cidade. Ocorre que algumas dessas passagens subterrâneas acessavam as igrejas. É sabido que há uma ligação entre a igreja de São João e a Loja Maçônica ao lado dela, bem como entre outras igrejas e residências", disse.

Igreja São João Batista

Foto: Raunyr dos Santos / Imirante.com

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