Na BR-226

Após ataque a índios na BR-226, lideranças indígenas relatam clima de tensão

"Pedimos que a polícia apure e a Justiça busque faça a punição dessas pessoas. O clima aqui está tenso, não é brincadeira", disse a liderança da Terra Indígena Cana Brava, Mauro Guajarara.
Imirante.com07/12/2019 às 18h44
Após o ataque, indígenas bloquearam a BR-226. Foto: Divulgação.

BARRA DO CORDA - Dois índios da etnia Guajajara morreram neste sábado (7), na BR-226 entre os municípios de Grajaú e Barra do Corda, interior do Estado. Segundo informações da polícia, o ataque ocorreu próximo as aldeias Boa Vista e El Betel.

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Além dos dois mortos, outros dois índios foram atendidos na Unidade de pronto Atendimento (UPA) na cidade de Barra do Corda. Os mortos foram identificados como sendo os caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara. Eles são da Terra Indígena Cana Brava e Lagoa Comprida.

Raimundo Bernice Guajajara, uma das vítimas do ataque na BR-226. Foto: Reprodução.

Após o ataque, lideranças indígenas relataram um clima de tensão no local. "Pedimos que a polícia apure e a Justiça busque faça a punição dessas pessoas. O clima aqui está tenso, não é brincadeira", disse a liderança da Terra Indígena Cana Brava, Mauro Guajarara, que é cacique da aldeia Monalisa.

A líder indígena Sônia Guajajara, que participa de um evento na Espanha, se manifestou sobre o atentado contra os índios por meio do Instagram. Ela cobrou das autoridades proteção.

Sônia Guajajara em seu perfil no instagram.

Em nota, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) informou que está acompanhando as investigações junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) e representantes da Fundação Nacional do Índio
(Funai).

Leia a nota na íntegra:

Sobre o atentado contra lideranças indígenas Guajajara ocorrido neste sábado, 07, na BR-226, entre as Aldeias Boa Vista e El Betel, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) informa que está acompanhando o caso junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) e representantes da Fundação Nacional do Índio
(Funai).

Neste momento, uma equipe técnica da Sedihpop encontra-se em deslocamento à Jenipapo dos Vieiras. A SSP, por meio das Polícias Civil e Militar, está no local, tomando as providências cabíveis.

Os indígenas feridos já foram encaminhados para o hospital, com apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Maranhão.

Até o momento, dois óbitos foram confirmados.

O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), informou o caso à Polícia Federal, solicitando a adoção das medidas cabíveis.

Ministro da Justiça

Pelo Twitter, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, lamentou o atentado e disse que a Funai e Polícia Federal foram acionadas e vão tomar as devidas providências.

"Lamento o atentado, ocorrido hoje no Maranhão, que terminou com dois índios guajajara mortos e outros feridos. Assim que soube dos tiros, a Funai foi até a aldeia tomar providências, junto com as autoridades do governo do Maranhão. A PF já enviou uma equipe ao local e irá investigar o crime e a sua motivação. Vamos avaliar a viabilidade do envio de equipe da Força Nacional à região. Nossa solidariedade às vítimas e aos seus familiares", afirmou Sergio Moro.

Assassinato de Paulo Guajajara

No dia 2 de novembro o líder indígena Paulo Guajajara foi assassinado em um confronto com madeireiros na Terra Indígena Araiboia, na região do município de Bom Jardim das Selvas. Paulo Guajajara integrava um grupo de agentes florestais indígenas, que se autodenominam “guardiões da floresta”. No confronto, o líder indígena Laércio Souza Silva sofreu ferimentos graves.

Paulo Guajajara foi morto em um confronto com madeireiros.

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