Demora na intervenção da FMF preocupa clubes, dirigentes e sociedade civil
Federação Maranhense de Futebol (FMF) segue sob tutela judicial, enquanto clubes e dirigentes aguardam solução para a crise administrativa.
SÃO LUÍS - A intervenção na FMF já dura mais de um ano e ainda não tem uma definição sobre o futuro da Federação Maranhense de Futebol. Após sucessivas decisões judiciais, reuniões e duas audiências de conciliação sem acordo, uma nova audiência está marcada para o dia 13 de novembro. Enquanto isso, clubes, dirigentes e representantes da sociedade civil demonstram preocupação com a demora para uma solução definitiva.
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Processo no STF deixa futuro da FMF indefinido após mais de um ano de intervenção
A próxima audiência de conciliação está marcada para o dia 13 de novembro e será mais uma tentativa de encontrar uma solução para o impasse. Até o momento, duas audiências já foram realizadas, mas não houve consenso entre as partes envolvidas no processo.
A promotora Doracy Moreira, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social e integrante do Ministério Público do Maranhão, lamentou a demora na resolução do caso. “Nós já estamos aí há mais de um ano repetindo aquilo que nós condenamos”, afirmou Doracy.
Segundo a promotora, a situação também provoca impactos diretos no futebol maranhense e dificulta o desenvolvimento dos clubes.
“Isso tudo impacta o nosso futebol, que está aí. Os clubes não conseguem crescer. Nós pedimos reiteradamente, agora recentemente, que houvesse a quebra do sigilo bancário e fiscal dos ex-dirigentes da Federação”, destacou.
Especialista aponta insegurança jurídica
A indefinição provocada pela intervenção na FMF também é vista com preocupação por representantes do futebol maranhense.
Presidente do Instituto Maranhense de Direito Desportivo e advogado do IAPE, atual campeão maranhense, Eduardo Duailibe afirmou que a demora provoca insegurança jurídica para clubes e dirigentes.
“Até agora não se tem uma definição e isso causa uma insegurança jurídica”, declarou.
O advogado também alertou para possíveis consequências esportivas caso a situação da FMF gere algum tipo de sanção por parte das entidades que organizam o futebol nacional e internacional.
“Ela [a CBF] poderia sancionar, tirando os nossos participantes dos campeonatos nacionais e regionais, tipo Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro, Copa do Nordeste e outras situações”, explicou Duailibe.
A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de a intervenção judicial ser interpretada como interferência externa na administração de uma entidade esportiva.
Começo da Intervenção
A intervenção foi determinada pela Justiça em 4 de agosto de 2025, após um pedido do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que apontou suspeitas de irregularidades na administração da entidade. O então presidente Antônio Américo foi afastado do cargo e Susan Lucena foi nomeada interventora.
O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde é relatado pelo ministro maranhense Flávio Dino. Em decisão liminar, o ministro apontou possíveis consequências internacionais decorrentes da manutenção da intervenção judicial na entidade responsável pelo futebol estadual.
Agora, além da audiência marcada para novembro, outro fator aumenta a pressão por uma definição: o mandato de Antônio Américo termina em dezembro de 2026.
Caso chegou ao Supremo Tribunal Federal
A disputa envolvendo a intervenção na FMF ganhou uma dimensão ainda maior depois de chegar ao Supremo Tribunal Federal.
O processo passou a ser relatado pelo ministro Flávio Dino, que analisou os possíveis efeitos da manutenção da medida judicial sobre a Federação.
Em decisão liminar, Dino registrou preocupação com possíveis consequências internacionais. A CBF, que participa do processo, alertou para o risco de sanções da FIFA e da Conmebol caso fosse caracterizada uma interferência do Poder Judiciário na administração da entidade estadual.
Apesar das decisões e das tentativas de conciliação, o processo ainda aguarda uma definição definitiva.
Juiz admite possibilidade de sentença
Responsável pela decisão que determinou a intervenção, o juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, também se manifestou sobre o futuro do processo.
Durante a audiência, o magistrado afirmou que, caso não haja consenso entre as partes, poderá avançar para a etapa de julgamento.
“Esta audiência, por sinal, se por uma má vontade, ou por qualquer outro motivo, não houver um consenso, eu vou sanear o processo. Se o processo for para as alegações, eu posso, finalmente, sentenciar o processo”, explicou Douglas Martins.
A declaração aumenta a expectativa para a audiência marcada para novembro, que poderá representar uma nova tentativa de encerrar o impasse ou abrir caminho para uma decisão judicial.
Mandato de Antônio Américo termina em dezembro
A situação se torna ainda mais complexa porque o mandato do presidente afastado da FMF, Antônio Américo, termina em dezembro de 2026.
Com isso, a intervenção na FMF se aproxima de um momento decisivo. Caso a situação não seja solucionada, será necessário definir como ocorrerá o processo eleitoral da entidade e quem terá legitimidade para conduzir a Federação.
A promotora Doracy Moreira também demonstrou preocupação com a possibilidade de a interventora permanecer no cargo por tempo indeterminado.
“A nossa preocupação existe no caso de a interventora se perpetuar”, afirmou.
Segundo Douglas Martins, a decisão judicial já prevê mecanismos para impedir que Susan Lucena permaneça indefinidamente à frente da entidade.
Procurada pela reportagem da TV Mirante, Susan Lucena informou que prefere não comentar a possibilidade de permanecer no cargo.
Como começou a intervenção na FMF
A intervenção na FMF foi determinada em 4 de agosto de 2025 pelo juiz Douglas de Melo Martins, após pedido de tutela de urgência apresentado pelo Ministério Público do Maranhão.
A decisão determinou:
o afastamento da diretoria da Federação Maranhense de Futebol;
o afastamento de Antônio Américo da presidência;
a retirada do Instituto Maranhense de Futebol (IMF) da administração da entidade;
a nomeação de Susan Lucena como interventora.
Inicialmente, a medida teria duração de até 90 dias e tinha como objetivo reorganizar a estrutura administrativa da Federação.
Poucos dias depois de assumir o comando, a interventora apresentou à Justiça um relatório preliminar sobre a situação encontrada na entidade.
Relatórios apontaram problemas financeiros
Os documentos apresentados pela junta interventora apontaram uma série de problemas financeiros e administrativos na FMF.
Entre os pontos registrados no primeiro relatório estavam:
saques de aproximadamente R$ 88 mil em seis dias;
transferências financeiras entre a FMF e o IMF;
contas bancárias com saldo negativo;
passivo condominial superior a R$ 20 mil;
débitos relacionados ao seguro obrigatório para a realização de partidas.
Um segundo relatório ampliou o diagnóstico apresentado à Justiça.
Segundo a junta interventora, foram identificadas ainda:
transferências de recursos da FMF para familiares do então presidente Antônio Américo;
dívidas superiores a R$ 2 milhões com a União e o FGTS;
pendências junto à Receita Federal;
débitos com a Fazenda Nacional;
dívidas relacionadas a IPTU e condomínio.
As informações fazem parte do processo judicial que discute a administração da entidade e a necessidade de reorganização da Federação.
O que está em jogo para o futebol maranhense
A demora na resolução da intervenção na FMF ultrapassa a disputa entre os grupos envolvidos no processo e alcança diretamente os clubes e competições do futebol maranhense.
Entre os principais pontos de preocupação estão:
definição da administração definitiva da FMF;
realização de novas eleições;
segurança jurídica para clubes e ligas;
manutenção da participação de equipes maranhenses em competições nacionais;
relação da Federação com CBF, FIFA e Conmebol.
Para Eduardo Duailibe, a indefinição pode afetar diretamente os clubes que dependem da regularidade institucional da Federação para participar de competições.
Qual será o futuro da FMF?
Mais de um ano após o início da intervenção na FMF, o futebol maranhense continua sem uma solução definitiva para a crise administrativa.
A audiência de 13 de novembro será mais uma oportunidade para tentar chegar a um acordo entre as partes. Caso isso não aconteça, o processo poderá avançar para uma decisão judicial, conforme antecipado pelo juiz Douglas Martins.
Ao mesmo tempo, o fim do mandato de Antônio Américo, previsto para dezembro de 2026, coloca ainda mais pressão sobre a Justiça e os envolvidos no processo.
O principal desafio será definir como a Federação voltará a ter uma administração permanente, estabelecer as regras para uma nova eleição e encerrar o período de tutela judicial iniciado em agosto de 2025.
Linha do tempo da intervenção na FMF
4 de agosto de 2025: Justiça determina o afastamento da diretoria da FMF e do IMF.
Agosto de 2025: Susan Lucena é nomeada interventora.
Após a intervenção: primeiro relatório aponta problemas financeiros e administrativos.
Posteriormente: segundo relatório amplia o diagnóstico sobre as contas da entidade.
2025 e 2026: são realizadas reuniões e tentativas de conciliação.
2026: caso chega ao STF e passa a ser relatado pelo ministro Flávio Dino.
13 de novembro de 2026: nova audiência de conciliação está marcada.
Dezembro de 2026: termina o mandato de Antônio Américo, enquanto a intervenção permanece sem solução definitiva.
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