BRASIL - A CBF começou a discutir a possibilidade de reduzir o número de rebaixamentos no Brasileirão, tema que voltou à pauta após reunião realizada nesta quinta-feira (5) com clubes da Série B. A movimentação ocorre após anúncios recentes da entidade, como o Fair Play Financeiro e a profissionalização da arbitragem. A entidade também abriu discussões formais para mudanças, incluindo a possível redução de clubes no Brasileirão.
Equipes como Vasco, Santos, Internacional, Grêmio, Bahia e Vitória já manifestaram apoio à redução dos rebaixados. Para debater o tema, a CBF criará um grupo de trabalho com representantes dos clubes e da própria entidade, buscando consenso para alterações que podem ser implementadas nos próximos anos.
Os clubes favoráveis avaliam que a mudança reduziria o risco de queda para equipes grandes, diminuindo o impacto técnico e financeiro em caso de campanha ruim. Times que tradicionalmente brigam por títulos não se opuseram, enquanto outros, como o Flamengo, ainda não se manifestaram.
Mudanças progressivas começariam pela Série B
O plano da CBF prevê uma transição gradual, começando pela Série B já em 2026. O novo formato contará com:
- Acesso direto para 1º e 2º colocados;
- Playoffs entre 3º e 6º colocados, com jogos de ida e volta;
- Dois acessos definidos pelo novo modelo.
Caso aprovado, o sistema servirá como teste para possíveis mudanças na Série A.
Possível playoff entre Série A e Série B
Uma das propostas em análise é que o antepenúltimo colocado da Série A dispute um playoff contra o terceiro da Série B — modelo inspirado em ligas como a da Alemanha.
Impacto na Série A e fase de transição
Na transição, a Série A manteria quatro rebaixados, enquanto a Série B passaria a promover apenas três acessos. Em até dois anos, o Brasileirão adotaria definitivamente o formato com três rebaixamentos, incluindo:
- 2 quedas diretas;
- 1 vaga decidida em playoff com a Série B.
A expectativa é que o novo formato resulte em um campeonato mais estável e com menor risco de perda financeira para clubes tradicionais.
Dirigentes defendem queda de três times
De acordo com apuração do portal ge, dirigentes de diferentes clubes da Série A defendem que apenas três equipes sejam rebaixadas, e não quatro como acontece desde 2004. A proposta também implica a redução no número de acessos da Série B, o que faria a elite receber apenas três novos times por temporada.
A CBF, agora sob gestão de Samir Xaud, afirmou que o tema será discutido com profundidade nas próximas reuniões.
Histórico dos rebaixamentos no Brasileirão
Desde o início dos pontos corridos, em 2003, o formato de quatro clubes rebaixados passou a ser adotado. Em 2004, o campeonato ainda contava com 24 times, mas já seguia o modelo atual. Dois anos depois, em 2006, a Série A passou a ter 20 clubes — estrutura mantida até hoje.
Outros temas em análise pela CBF
Além da possível redução dos rebaixamentos no Brasileirão, a entidade pretende avançar em outras discussões estruturais do futebol nacional. Entre os temas estudados estão:
- Uso de gramados sintéticos nos estádios
- Limite de estrangeiros por partida
- Padronização de calendário e regulamentos
As próximas reuniões devem detalhar os impactos esportivos e financeiros das mudanças propostas.
Veja regras do novo Fair-play financeiro no Brasil:
Regra das dívidas em atraso
- Serão três janelas de monitoramento, em 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro de cada temporada. Os clubes preencherão formulários de autodeclaração;
- Toda transação entre clubes deverá ser registrada e detalhada em um sistema próprio da CBF, inclusive a forma de pagamento;
- Todos os contratos de atletas também serão registrados neste sistema, com valores de pagamentos previstos (salários CLT e direitos de imagem);
- Esses registros são pré-condições para publicação de contratos no BID;
- Clubes e atletas poderão acionar a ANRESF, a qualquer momento, para indicar atrasos;
- Para dívidas assumidas a partir de 1 de janeiro, a implementação das regras é imediata. Dívidas anteriores a esta data estarão sujeitas ao regulamento a partir de 30 de novembro de 2026;
Regras do equilíbrio operacional
- Serão controladas receitas e despesas relevantes, de forma prospectiva. Os clubes deverão apresentar superávit no resultado de suas operações;
- Caso apresentem déficit, os clubes poderão utilizar aportes de capital ao seu patrimônio líquido, sem limitação, para cobrir o resultado;
- Se um clube apresentar déficit, a avaliação será feita a partir da soma dos três últimos exercícios. Clubes da Série A terão limite de déficit de R$ 30 milhões ou 2,5% das receitas, o que foi maior. Clubes da Série B terão déficit máximo de R$ 10 milhões ou 2,5% das receitas, o que for maior;
- Para essa conta, serão excluídas receitas e despesas de categorias de base, infraestrutura, futebol feminino, projetos sociais e esportes olímpicos e paralímpicos;
- Essas regras estarão em período de transição para os resultados reportados em 2026 e 2027 (referentes aos anos anteriores), em que os clubes serão apenas advertidos. O regulamento estará em vigência plena a partir de 2028.
Regras do controle de custos de elenco
- Clubes terão limite de 70% da soma de suas receitas, do valor líquido das transferências (descontadas taxas e comissões, por exemplo) e aportes para gastar com elenco (salários, encargos, direitos de imagem e amortizações);
- Resultados reportados em 2026 e 2027 estarão sujeitos a apenas a advertências. As regras valerão a partir dos resultados reportados em 2028 (com limite de 80% para as Séries A e B) e em 2029 (limite de 70% para Série A e 80% para a Série B);
Regra de endividamento
- A dívida líquida de curto prazo (que geralmente vence em até um ano) terá que ser menor do que 45% das receitas relevantes do clube;
- Os clubes que violarem a regra serão apenas advertidos até 2027. O percentual será aplicado de forma gradual entre 2028 (60% das receitas relevantes) e 2029 (50%) até chegar aos 45% em 2030.
Regras para eventos de insolvência, como recuperações judiciais
- Haverá limitação da folha salarial, que terá de ser mantida no patamar da média dos seis meses anteriores;
- Nas janelas de transferências, o clube deverá gastar o mesmo ou menos ao que arrecadou com a venda de atletas;
- Negociação de um acordo de reestruturação com garantias para o cumprimento e prazo de duração das medidas citadas.
Balanços e orçamentos
- As demonstrações financeiras terão de ser entregues até 30 de abril do ano seguinte, acompanhadas de relatório de auditor independente registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários);
- O orçamento anual terá de ser apresentado até 15 de dezembro do ano anterior, aprovado pela administração. Essa regra é de caráter educativa, sem intervenções da agência ou punições. Há a expectativa de que, no futuro, o sistema aponte, a partir das projeções, possíveis violações ao regulamento de fair play;
Monitoramento simplificado
- Será aplicado aos clubes da Série C, que deverão cumprir as regras das dívidas em atraso e apresentar balanços financeiros anuais e auditados;
Multipropriedade de clubes
- Será proibido deter controle ou influência significativa (direta ou indireta) em mais de um clube apto a participar da mesma competição da CBF na mesma temporada;
- Serão definidos critérios contábeis para o registro de todas as transações entre clubes de um mesmo grupo
As punições aos clubes
- Advertência pública;
- Multa;
- Retenção de receitas;
- Transfer ban;
- Dedução de pontos;
- Rebaixamento;
- Não concessão ou cassação da licença;
- Poderá ser celebrado um acordo de ajustamento de conduta para medida alternativa ou preliminar às sanções.
Punições a pessoas físicas
O regulamento também prevê sanções a dirigentes, administradores, empregados, membros de conselhos ou controladores em casos de entrega de documentos falsos ou enganosos, omissão, participação em atos que resultaram em violações ou descumprimento deliberado de decisões.
As sanções incluem:
- Advertência pública;
- Multa;
- Suspensão temporária de exercício de função em clubes de futebol;
- Proibição do exercício de cargos (inexigibilidade);
- Banimento do futebol.
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