O Pitch traz o cinema maranhense em projeção nacional
Filme de Joaquim Haickel teve sessão especial de lançamento em São Luís; obra já foi selecionada em 15 festivais de cinema
Na última terça-feira (21), aconteceu a avant-première de O Pitch – Uma Declaração de Amor ao Cinema, filme com direção e roteiro de Joaquim Haickel. A produção, selecionada em 15 festivais, já ganhou oito prêmios e deve estrear em breve nas salas de cinema. Como o próprio título sugere, trata-se de uma ode ao cinema feito no Maranhão, algo que se reflete também na composição da equipe, formada majoritariamente por profissionais maranhenses.
Na trama, os profissionais do audiovisual Áurea e Breno, interpretados pelos atores Áurea Maranhão e Breno Nina, estão no Maranhão em busca de novas histórias para levar às telonas. Para isso, organizam um pitch, momento em que autores precisam convencer uma banca de que suas histórias merecem se transformar em filmes.
Cinco roteiristas são selecionados para apresentar seus projetos. Entre eles, a história de um cantor lírico que trabalha na portaria de um prédio em São Luís; a de um homem em busca da própria essência; a de um padre e seus amores no interior do Maranhão; a de uma mulher movida pelo desejo de vingança; e a de um casal que encontra na audição a forma mais sensível de expressar o desejo, depois que o marido perde a fala e a visão em um acidente.
Cineasta revisitou sua trajetória no cinema maranhense
O que todas essas histórias têm em comum? Todas já se transformaram em filmes dirigidos pelo próprio Joaquim Haickel. A declaração de amor presente no título acaba sendo também uma declaração à trajetória do cineasta e à forma como o cinema atravessou sua vida. Ao longo da narrativa, críticas e elogios às obras aparecem nas falas dos personagens, enquanto cenas dos filmes surgem na tela como projeções da imaginação de Breno e Áurea. É como se eles visualizassem aquelas histórias ganhando vida diante de seus olhos.
Em alguns momentos, os personagens se colocam dentro das histórias que observam, compartilhando os sentimentos e conflitos daqueles que habitam a tela. É um recurso que dialoga com uma das maiores forças do cinema: a capacidade de nos transportar para outras realidades e nos fazer experimentar vidas que não são as nossas.
Se eu estivesse contando essa história, talvez optasse por mostrar menos imagens dos filmes anteriores e apostar mais na imaginação e na reinterpretação dos atores, permitindo que eles recriassem aquelas narrativas na nova produção. Mas essa é uma escolha de direção e roteiro. E levo muito a sério a ideia de que cada artista tem sua própria maneira de contar histórias, sustentando até o final. É algo que ele faz muito bem.
Joaquim Haickel escolheu revisitar sua filmografia sem receio e com evidente orgulho. E há mérito nisso. O orgulho também é uma forma de memória. Estamos em um estado distante do principal eixo de produção e distribuição cinematográfica do país e, ainda assim, O Pitch – Uma Declaração de Amor ao Cinema evidencia a força do audiovisual maranhense. O filme mostra que temos bons atores, profissionais qualificados em todas as áreas técnicas e histórias que merecem ser contadas. Com mais incentivo e oportunidades, o cinema produzido no Maranhão tem muitos motivos para continuar se declarando à Sétima Arte, como propõe o filme.
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