Nau de Urano traz a memória viva de Nauro Machado
Filme dirigido por Helena e Frederico Machado mistura ficção e realidade para revisitar a vida, a poesia e a memória do poeta maranhense Nauro Machado.
No ano em que o poeta Nauro Machado faria 91 anos, se não tivesse transcendido para além deste plano material, um filme rodado no Maranhão mergulha, entrelaçando ficção e realidade, em sua história de vida, desde a infância, passando pela relação familiar profunda, pelos amores, dores e, claro, pela poesia.
Nau de Urano, dirigido por Helena Machado e Frederico Machado, respectivamente sobrinha e filho do poeta maranhense, tem no elenco nomes como Matheus Nachtergaele, Bete Mendes, Buda Lira e Breno Nina, entre outros. Mas, além do elenco, o filme tem a alma de Nauro.
Em uma breve visita aos bastidores, é possível captar a relação de acolhimento que a equipe constrói entre si, bem como a densidade da obra. Talvez por isso todas as gravações tenham sido noturnas.
Quis destacar o acolhimento e o afeto, pois Nauro era, sim, apesar de sua imagem sorumbática e da poesia mais densa que já li na vida, uma figura doce que, para a minha geração, faz parte do imaginário coletivo. Aquele homem de barba branca, quase sempre com camiseta branca, andando pelo Centro Histórico e sempre cheio de histórias para contar. Quem o via assim talvez nem sequer soubesse do tamanho da sua poesia, uma grandiosidade tão absurda que ainda não cabe em todas as pesquisas já feitas sobre ele.
Filme ainda não tem previsão de estreia
As gravações foram finalizadas recentemente em São Luís e, agora, o filme entra na fase de montagem. Ainda não há datas para lançamento, mas, ao que tudo indica, trata-se de mais um trabalho intenso, tão comum na obra cinematográfica de Frederico Machado, um dos cineastas de arte mais reconhecidos e respeitados do Brasil.
Segundo ele e Helena, sua prima com quem assina a direção, Nauro pode ser considerado também um coautor da obra, já que parte do roteiro foi extraída de entrevistas do poeta contendo histórias de sua vida e narrativas que ele próprio gostaria que fizessem parte de sua trajetória.
Talvez, para mim, que conheci o poeta Nauro Machado, esta seja a estreia mais esperada dos últimos anos. A curiosidade de ver Matheus Nachtergaele em cena interpretando uma figura tão afetiva me faz querer, a qualquer momento, ligar para Frederico e pedir um spoiler da obra.
O fato é que para um poeta desse tamanho, filmes, obras e homenagens nunca serão suficientes. Sempre será pouco para reverenciar a dimensão dessa existência.
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