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COLUNA
Pedro Sobrinho
A cultura é rica e diversa. Como jornalista convido você pra colar na coluna PEDRO SOBRINHO com resenhas e abordagens sobre: artes visuais (pintura, escultura, fotografia), música, literatura
Jamaica Brasileira

O Reggae no Maranhão é sinônimo de cultura, diversão, identidade e pertencimento

Com o título "Mudança Geracional ameaça São Luís Capital do Reggae, o texto foi baseado em pesquisa de Roberto Pereira, ao ouvir quase mil estudantes de São Luís, de 12 a 17 anos, para saber do gosto musical deles. Apenas 4% ouvem reggae.

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 18/03/2026 às 23h28

A matéria publicada na Folha de São Paulo gerou polêmica, bochichos e comentários nas redes sociais. Com o título "Mudança Geracional ameaça São Luís Capital do Reggae, o texto foi baseado em pesquisa de Roberto Pereira, ao ouvir quase mil estudantes de escolas públicas de São Luís, entre 12 e 17 anos, para saber do gosto musical deles. E o resultado foi que a maioria desses estudantes está curtindo funk e trap, e apenas 4% ouvem reggae.

DJ Antônio José: faz parte da história do reggae no Maranhão. Foto: Arquivo: Natty Nayfson
DJ Antônio José: faz parte da história do reggae no Maranhão. Foto: Arquivo: Natty Nayfson

Por mais que o jovem ludovicense ouça outros estilos musicais, o que é natural em um mundo das plataformas de streaming, com informações variadas e plural todo instante, globalizado, ele tem conhecimento da existência do reggae pelo o que o mesmo representa como uma vertente Afro Diaspórica que surgiu na Jamaica, se espalhou mundo afora, mas absorvido no Maranhão, principalmente em São Luís, com um jeito bastante peculiar. São Luís é ilha cuja população é 80% negra e, também, pela proximidade geográfica com o Caribe e as influências dos programas de rádios que lideram a audiência entre o público de todas as idades, conforme pesquisa da EPO - Estudo de Estratégia, Pesquisa de Opinião. E mais, o reggae chegou no Maranhão e se conectou com o bumba meu boi e o tambor de crioula, e com isso, criou-se uma identidade singular e local.

O reggae consumido em São Luís surgiu na década de 70, se consolidou através das radiolas, dos programas de rádio e do reggae roots produzido na Jamaica neste período. Como tudo na vida passa por transformação, o reggae também se adaptou às mudanças proporcionadas pelo tempo com a chegada do reggae ‘robozinho’, bastante cultivado na ilha e Baixada Maranhense, além de estar consumindo uma nova ordem do gênero jamaicano aliado ao rap, trap, entre outros estilos da música preta . Se questionarmos que estamos diante de uma crise geracional ? Lógico, a cultura é dinâmica. Portanto, não se pode esperar que o gosto do jovem de hoje seja parecido com a turma que curte o ritmo há quase 50 anos.

Apesar da pesquisa, o reggae continua firme e forte no Maranhão. Existe uma cadeia produtiva que diverte, gera emprego e renda, que contribui para a economia do Estado. São Luís foi reconhecida oficialmente em 2023 como Capital Nacional do Reggae, reflexo de uma história construída à base de um gênero consumido na ilha em 365 dias do ano.

A tradicional e nova geração de músicos de reggae têm produzido organicamente e renovado a cena com trabalhos autorais e totalmente independentes. Podemos citar os nomes de Núbia, Célia Sampaio, Gugs,, Tribo de Jah, João Beydoun, Adnon, Raiz Tribal, Cena Roots, entre outros, que têm circulado com muita potência nacionalmente colocando o reggae produzido no Maranhão no topo.

Talvez o que falta na curiosidade dos jovens em ouvir reggae, segundo a pesquisa feita por Roberto Pereira, é a presença de políticas públicas consistentes, que não se resuma apenas a festas e festivais, mas de ouvir, consumir o reggae com o olhar e o sentimento de valorização, respeito, conscientização, educação e pertencimento. Vou de Gilberto Gil em que ele diz: "Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos". E ao dizer que cultura é necessidade básica ("feijão com arroz"), Gil enfatiza que só consumimos e valorizamos, ou seja ouvimos, aquilo a que se tem acesso e familiaridade".


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