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Entre câmeras e playlists, vive Bruna Castelo Branco, jornalista cultural e diretora de TV que respira entretenimento. Fala (com paixão e um pouco de drama) sobre filmes, séries e mús
Lançamento

Djavan, dona Virgínia e outras impressões em um livro afetivo

Bruno Azevêdo lança “Djavan e dona Virgínia em cinco canções de amor”, uma biografia do cantor e compositor

Bruna Castelo Branco

Bruno Azevêdo lança nesta quinta-feira o livro “Djavan e dona Virgínia em cinco canções de amor”
Bruno Azevêdo lança nesta quinta-feira o livro “Djavan e dona Virgínia em cinco canções de amor” (Márcio Vasconcelos)

Quando assisti ao filme O Agente Secreto, essa obra-prima de Kléber Mendonça Filho que, merecidamente, tem recebido todos os méritos possíveis, fui tomada por um sentimento que há algum tempo uma obra artística não me despertava: a saudade dos personagens.

Passei dias repassando a vida de Marcelo/Armando na cabeça e desejando tomar um café no Edifício Ofir com dona Sebastiana. Achei que demoraria a sentir algo assim novamente, até que, um dia, Bruno Azevêdo me liga e diz: “O livro chegou. Como eu te entrego?”. O livro em questão era Djavan e dona Virgínia em cinco canções de amor. Bruno já havia me contado sobre essa pesquisa: recontar a história de Djavan, em forma de biografia, a partir da relação com sua mãe, dona Virgínia.

Claro que, como qualquer brasileiro, tenho uma relação afetiva com Djavan. Cresci ouvindo suas músicas, fui a shows, mas, ainda assim, sei muito pouco sobre ele. Um artista contido, que manteve a vida longe dos holofotes, algo raro para alguém de sua grandeza. Escrever sobre Djavan, ainda que indiretamente, no dia de seu aniversário, me traz uma responsabilidade para a qual nem sei se estou totalmente preparada.

Um livro que revisita memórias afetivas

Voltando ao livro: demorei a começar a leitura, mas logo nas primeiras páginas me senti profundamente instigada a conhecer mais aquela mulher de quem não temos imagens. Gosto de imaginar a fisionomia de dona Virgínia a partir dos elementos que Bruno extraiu, com olhar atento, de entrevistas de Djavan. É um trabalho de pesquisa que mistura paixão e rigor acadêmico, daqueles que só bons pesquisadores conseguem realizar, tornando o objeto de estudo ainda mais atraente.

Em poucas páginas, eu já estava à beira do rio, observando o pequeno Djavan, enquanto dona Virgínia, lavadeira, fazia sua lida diária. Mesmo árdua, essa rotina parecia atravessada por poesia e leveza, marcas que ficaram nas memórias do filho e que são tão doces quanto as canções românticas que, ao longo da vida, embalaram muitas das minhas dores de cotovelo (e querido Djavan, posso te afirmar, foram várias). 

Bruno escreve como quem conta uma história para alguém próximo. Envolve de tal forma que, em poucos minutos, esquecemos o narrador e passamos a viver a história. Ainda não terminei o livro. Talvez por dificuldade de me despedir de dona Virgínia, do texto de Bruno, da trajetória de Djavan. Talvez eu queira ficar mais um pouco ali, além das canções, mais um pouco com dona Virgínia, mais um pouco do Djavan além dos shows. 

E, para quem chegou até aqui neste texto, deixo apenas um conselho: o lançamento oficial do livro acontece na quinta-feira (29), às 19h, na Low Music (Cohajap). Eu só digo uma coisa: vá.


 


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