Nem todo live-action é desastre: 10 adaptações de animes e mangás que deram certo
Conheça 10 adaptações live-action de animes e mangás, de One Piece a Oldboy, que provam ser possível manter a essência original nas telas reais.
MUNDO - Existe uma espécie de desconfiança automática quando um estúdio anuncia que um anime ou mangá vai ganhar uma versão com atores reais. E não é difícil entender o motivo. Ao longo dos anos, algumas adaptações ficaram marcadas justamente por aquilo que os fãs gostariam de esquecer, seja pela mudança excessiva na história, seja por efeitos visuais questionáveis ou por personagens que pouco lembravam suas versões originais.
Mas transformar uma obra desenhada em uma produção live-action não precisa significar abandonar sua identidade. Em diferentes momentos, diretores e estúdios encontraram maneiras de adaptar universos bastante distintos, preservando o humor, a ação, o drama ou até mesmo a estética que conquistou o público nas páginas e nas animações.
De grandes produções de Hollywood a filmes japoneses e séries internacionais, confira 10 adaptações de animes e mangás que mostram que essa transição também pode funcionar.
1. Alita: Anjo de Combate
“Alita: Anjo de Combate” levou para Hollywood o universo de “Gunnm”, mangá de Yukito Kishiro publicado originalmente nos anos 1990. Dirigido por Robert Rodriguez e produzido por James Cameron, o filme acompanha Alita, uma ciborgue encontrada abandonada em um ferro-velho que começa a descobrir pistas sobre seu passado e suas habilidades de combate. A produção apostou pesado em efeitos visuais para criar a protagonista e reproduzir o mundo futurista da obra, mas conseguiu manter elementos centrais da história e do visual do mangá. Lançado em 2019, o filme também chamou atenção pelo desempenho de Rosa Salazar no papel principal.
2. Assassination Classroom
Imagine uma turma de estudantes cujo principal objetivo durante o ano letivo é assassinar o próprio professor. Essa é a premissa de “Assassination Classroom”, mangá criado por Yusei Matsui, que ganhou uma adaptação live-action japonesa em 2015. O filme acompanha os alunos da Classe 3-E enquanto eles tentam eliminar Koro-sensei, uma criatura que ameaça destruir a Terra e, ao mesmo tempo, atua como professor da turma. A adaptação preserva o humor absurdo e a mistura de ação e ficção científica da obra, além de ter recebido uma sequência em 2016.
3. Bleach
Um dos grandes nomes dos shonens modernos, “Bleach” também chegou aos cinemas em uma versão live-action. O filme de 2018 adapta parte do início da história criada por Tite Kubo e acompanha Ichigo Kurosaki depois que ele passa a enxergar espíritos e recebe os poderes da Shinigami Rukia Kuchiki. A produção precisou transformar em atores e efeitos digitais alguns dos elementos mais fantásticos do mangá, principalmente os combates contra os Hollows. Mesmo com ressalvas em relação a alguns efeitos visuais, o longa foi considerado uma adaptação relativamente fiel ao espírito da obra e ao arco inicial.
4. Gintama
Poucas obras parecem tão difíceis de transportar para o mundo real quanto “Gintama”, justamente por misturar samurais, alienígenas, ficção científica e um humor completamente sem limites. O mangá de Hideaki Sorachi ganhou mais de uma adaptação live-action no Japão, com Shun Oguri interpretando o protagonista Gintoki Sakata. Os filmes abraçaram o lado absurdo da história em vez de tentar suavizá-lo, reproduzindo inclusive as piadas e situações exageradas que fazem parte da identidade da franquia. O resultado é uma adaptação que entende que, no caso de “Gintama”, levar a obra a sério demais seria justamente perder a graça.
5. Nana
“Nana” mostra que adaptações de mangá não precisam depender de grandes batalhas ou efeitos especiais para funcionar. Criado por Ai Yazawa, o mangá acompanha duas jovens com o mesmo nome que se conhecem durante uma viagem para Tóquio e acabam dividindo um apartamento. Apesar da coincidência, as duas possuem personalidades, relacionamentos e objetivos completamente diferentes. A história ganhou dois filmes live-action no Japão, lançados em 2005 e 2006, respectivamente, com foco na amizade, nos romances e na carreira musical das protagonistas. A música também ganhou espaço importante nas produções, ajudando a transportar para o cinema uma das características mais marcantes do mangá.
6. Oldboy
Antes de Park Chan-wook transformar “Oldboy” em um dos filmes sul-coreanos mais conhecidos internacionalmente, a história já existia em um mangá japonês escrito por Garon Tsuchiya e ilustrado por Nobuaki Minegishi. A versão cinematográfica de 2003 acompanha Oh Dae-su, sequestrado e mantido em cativeiro durante 15 anos sem saber quem o prendeu ou por quê. Ao ser libertado, ele recebe cinco dias para descobrir a identidade do responsável pelo seu sofrimento. Park Chan-wook tomou diversas liberdades em relação ao material original, mas construiu uma obra que se tornou referência no cinema mundial, venceu o Grande Prêmio do Festival de Cannes e ajudou a colocar o cinema sul-coreano ainda mais no radar internacional.
7. One Piece
A adaptação live-action de “One Piece” tinha uma tarefa especialmente complicada: transformar um dos mangás mais populares do mundo em uma série com atores reais sem perder seu humor, seus personagens excêntricos e a dimensão de seu universo. A produção da Netflix acompanha Monkey D. Luffy e os Piratas do Chapéu de Palha em busca do lendário tesouro One Piece e conta com a participação do próprio Eiichiro Oda na produção. A primeira temporada adaptou o início da aventura, enquanto a segunda avançou por novos territórios e apresentou personagens e acontecimentos importantes da Grand Line. O projeto foi renovado para uma terceira temporada e se tornou um dos exemplos mais comentados de adaptação de anime e mangá para o streaming.
8. Speed Racer
“Speed Racer” chegou aos cinemas em 2008 pelas mãos de Lana e Lilly Wachowski, diretoras de “Matrix”, décadas depois de o anime original conquistar o público. Baseado na série japonesa dos anos 1960, o filme acompanha o jovem Speed Racer, piloto que compete ao volante do Mach 5 enquanto tenta enfrentar interesses comerciais e rivais nas pistas. Na época, a produção dividiu opiniões e não foi um grande sucesso de bilheteria. Com o passar dos anos, porém, ganhou uma nova avaliação entre parte do público e se tornou um filme cult, principalmente por sua estética extremamente colorida, pelas corridas frenéticas e pelo visual que tentava reproduzir o exagero dos desenhos.
9. Gotas Divinas
“Gotas Divinas” segue uma proposta diferente de outras adaptações da lista. A série da Apple TV+ é baseada no mangá “Drops of God”, escrito por Tadashi Agi e ilustrado por Shu Okimoto, e transforma a disputa por uma coleção de vinhos em uma história internacional. Na trama, Camille, interpretada por Fleur Geffrier, precisa competir com Issei Tomohisa, vivido por Tomohisa Yamashita, para descobrir quem ficará com a herança deixada pelo especialista em vinhos Alexandre Léger, pai dela e mentor dele. Em vez de reproduzir literalmente o cenário japonês do mangá, a série constrói uma produção franco-japonesa própria, mantendo a competição e o conhecimento sobre vinhos como elementos centrais.
10. Rurouni Kenshin
“Rurouni Kenshin” ganhou uma série de filmes live-action no Japão a partir de 2012, levando para o cinema a história do antigo assassino Kenshin Himura. Depois de abandonar a vida de violência, ele passa a vagar pelo país carregando uma espada de lâmina invertida e fazendo um voto de nunca mais matar. A adaptação chamou atenção principalmente pelas cenas de luta, que tentam reproduzir a velocidade e a intensidade dos confrontos do mangá de Nobuhiro Watsuki. Com Takeru Satoh no papel principal, a franquia ganhou cinco filmes e se tornou uma das adaptações japonesas de mangá mais conhecidas internacionalmente.
No fim das contas, não existe uma fórmula única para transformar um anime ou mangá em live-action. Algumas produções apostam na fidelidade, outras preferem reinterpretar a história, enquanto há aquelas que entendem que preservar o espírito da obra é mais importante do que reproduzir cada detalhe. Quando essa escolha funciona, o resultado consegue apresentar um universo já conhecido por milhões de fãs a um público completamente novo.
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