Canonização

Relação com políticos e empresários foi pilar de obra social de Irmã Dulce

Sem tomar partido de grupos políticos, religiosa construiu rede de relações que viabilizou projetos.
Jornal Folha de São Paulo08/10/2019 às 16h01
Relação com políticos e empresários foi pilar de obra social de Irmã DulceIrmã Dulce dos Pobres e o então presidente da República, José Sarney. (Foto: divulgação)

SALVADOR - Ela conviveu com presidentes da República de diferentes épocas, de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) a Fernando Collor (1990-1992). Com sua persistência, teimosia e senso de oportunidade, transformou essas relações em um dos principais pilares de seu trabalho social.

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Irmã Dulce dos Pobres será canonizada neste domingo (13)

Entre a atuação solitária junto a pobres e doentes nas favelas de Salvador e a consolidação de um complexo que faz atualmente 3,5 milhões de atendimentos por ano, Irmã Dulce (1914-1992) precisou gastar muita saliva para angariar apoio financeiro entre políticos e empresários.

A freira será canonizada no domingo (13), em cerimônia chefiada pelo papa Francisco, no Vaticano, após ter dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica. Ela será a primeira santa brasileira.

Sua relação mais próxima foi com José Sarney, que patrocinou a indicação da freira para o prêmio Nobel da Paz em 1988.

Em entrevista ao jornalista Graciliano Rocha, autor da biografia “Santa Dulce dos Pobres”, o empresário Norberto Odebrecht deu a dimensão da proximidade entre Irmã Dulce e Sarney ao relatar uma conversa sua com o ex-presidente. “Aquela mulher é uma santa, Norberto. O que ela pedir eu dou”, afirmou Sarney, segundo relato do empreiteiro.

Além de recursos para a construção de uma nova ala do hospital gerido por Irmã Dulce, Sarney ainda deu o contato do telefone direto da sua mesa, para que a freira falasse com ele sem interlocutores.

Ao presidente Irmã Dulce fez sua única homenagem a um político: batizou a nova ala do hospital com o nome de José Sarney —isso em uma época na qual o presidente enfrentava uma grande impopularidade.

Da mesma forma que Irmã Dulce conseguia doações e verbas por meio de presidentes e governadores, os políticos se valeram de sua influência. Mas, em geral, a freira não fazia lisonjas a políticos nem gostava quando eles usavam seu nome para atrair eleitores.

Com Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), três vezes governador da Bahia, teve uma relação dúbia, mas cordial. O político costumava atender aos pedidos da freira, que na infância havia sido sua vizinha e o chamava pelo primeiro nome.

Mesmo assim, não há registro de nenhum momento no qual a freira tenha tomado partido de um determinado grupo político. “Ela nunca pediu voto para ninguém” afirma o chefe da Assessoria de Memória e Cultura das obras Irmã Dulce, Osvaldo Gouveia.

A própria Irmã Dulce afirmou: “Não entro na área política. Não tenho tempo para me inteirar das implicações partidárias. Meu partido é a pobreza”.

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