Caso Bruna Lícia

Cress-MA lança nota de repúdio contra declarações de PM sobre feminicídio

O PM e assistente social Tiago de Jesus afirmou que se as mulheres traírem os seus maridos poderão também morrer como Bruna Lícia.
Imirante.com30/01/2020 às 18h47
Foto: Reprodução/TV Mirante.

SÃO LUÍS – O Conselho Regional de Serviço Social do Maranhão - 2ª Região (CRESS-MA) divulgou uma nota de repúdio contra as declarações, nas redes sociais, do assistente social Tiago de Jesus Martins das Dores, em relação ao caso de feminicídio de Bruna Lícia e do homicídio de José Willian. Ambos foram assassinados pelo policial militar Carlos Eduardo Nunes Pereira, no último sábado (25), no bairro Vicente Fialho, em São Luís.

Bruna Lícia e o policial militar Carlos Eduardo Nunes Pereira. / Foto: Arquivo Pessoal.

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Tiago de Jesus, que também é policial militar e assistente social do Núcleo de Saúde da PM, usou suas redes sociais para fazer comentários culpabilizando a vítima de feminicídio. Em seu discurso, Tiago de Jesus afirmou que se as mulheres traírem os seus maridos poderão também morrer como Bruna Lícia. Em outro comentário, o assistente social chega a xingar a vítima que foi assassinada.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

“A atitude do referido assistente social reforça apologicamente a naturalização do feminicídio que tem sua expressão máxima na perpetração do machismo, prática que ainda persiste no interior das relações sociais na sociedade brasileira em pleno século XXI, com expressões particularizadas na realidade maranhense que historicamente traz refrações do coronelismo e do patriarcado… Nós, assistentes sociais, lutamos contra todas as formas de opressão e exploração, e nos contrapomos veementemente contra esse adensado conservadorismo moralista, pró - fascista, genocida, que tem atacado e ferido a integridade física e moral de amplos segmentos sociais, dentre eles as mulheres desse país”, diz a nota de repúdio da CRESS-MA (veja a nota completa no final da matéria).

Na última terça-feira (28), o secretário de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), Jefferson Portela, informou que havia sido instaurado um procedimento para apurar a conduta do policial militar Tiago de Jesus, que usou a sua rede social para fazer apologia em defesa a homicídios. Segundo o secretário, “o feminicídio é crime e como tal deve ser tratado por todos os integrantes do Sistema de Segurança”.

Saiba mais: Secretário de Segurança Pública instaura procedimento para apurar conduta de soldado após apologia de defesa a homicídios no MA

Na segunda-feira (27), a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão (OAB-MA), por meio da Comissão da Mulher e da Advogada (CMA/MA), também emitiu uma nota de repúdio contra o crime de feminicídio e homicídio, que teve como vítimas Bruna Lícia e José Willian.

Na nota, a OAB-MA repudia “todos os posicionamentos de culpabilização da vítima e que incentivam o julgamento e opressão do gênero”. O órgão reforça que o feminicídio é consequência do machismo que está naturalizado na sociedade.

Saiba mais: OAB-MA repudia culpabilização da vítima em caso de feminicídio

Veja, na íntegra, a nota de repúdio emitida pelo Conselho Regional de Serviço Social do Maranhão - 2ª Região.

O Conselho Regional de Serviço Social (CRESS-MA- 2ª Região) vem a público manifestar seu repúdio às declarações nas redes sociais do assistente social Tiago de Jesus Martins das Dores, pela emissão de seu julgamento preconceituoso, machista e truculento sobre o caso de feminicídio ocorrido na tarde de sábado, dia 25 de janeiro de 2020, no bairro Vicente Fialho, na cidade de São Luís - MA.

A atitude do referido assistente social reforça apologicamente a naturalização do feminicídio que tem sua expressão máxima na perpetração do machismo, prática que ainda persiste no interior das relações sociais na sociedade brasileira em pleno século XXI, com expressões particularizadas na realidade maranhense que historicamente traz refrações do coronelismo e do patriarcado. Como diz Silvia Federici, “há na atualidade um verdadeiro aniquilamento – físico e simbólico – dos corpos, especialmente o corpo feminino, perpetuada no limbo entre regra e exceção, pela atualização do poder soberano, masculino, branco, que reduz à mulher à sua função reprodutiva e seu absoluto manejo conforme a disposição do poder soberano do homem”.

Nós, assistentes sociais, lutamos contra todas as formas de opressão e exploração, e nos contrapomos veementemente contra esse adensado conservadorismo moralista, pró - fascista, genocida, que tem atacado e ferido a integridade física e moral de amplos segmentos sociais, dentre eles as mulheres desse país.

O Serviço Social é uma profissão que tem em seu Código de Ética a defesa da liberdade, direitos humanos e da plena realização dos indivíduos sociais sem ser discriminado (a), e nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física.

O CRESS, entidade que zela pela observância do Código de Ética, reitera e reafirma o princípio do empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, bem como reconhece a defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio do e autoritarismo. Desta forma, vem através deste, manifestar seu repúdio pelo posicionamento do referido profissional e declarar que está tomando as medidas cabíveis para apuração do fato em conformidade com o arcabouço jurídico específico da profissão.

Além do exposto, expressamos nossa solidariedade aos familiares da Sra. Bruna Lícia Fonseca e do Sr. José Willian.

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