Pequena guerreira

Isabelly, cinco meses, com má-formação no coração: a luta pela vida enquanto aguarda cirurgia

Família da pequena Isabelly Sophia pede celeridade do governo para tratarem cardiopatia congênita.
Neto Cordeiro/Imirante.com14/09/2018 às 11h06
Isabelly Sophia sofre com cardiopatia congênita. Foto: Arquivo Pessoal.

SÃO LUÍS - Uma delicada cirurgia no coração pode dar à pequena Isabelly Sophia, de cinco meses, uma vida melhor com um desenvolvimento saudável como toda criança merece.

Hoje, ela respira com dificuldade e sente, desde as primeiras horas de vida, as consequências de uma má-formação no coração. Nesta batalha, a pequena guerreira está sempre acompanhada pelos pais, Tiago Victor de Araújo Lopes, que é autônomo, e Roberta Cristina Lima Nascimento. Além de todo o apoio recebido pela família e pelos amigos.

Isabelly Sophia do Nascimento Lopes nasceu no dia 5 de abril, no município de Caxias (MA), com cardiopatia congênita. O diagnóstico demorou chegar. Só depois que a menina passou por avaliação de quatro especialistas é que o laudo final foi dado.

O Imirante.com procurou um especialista para esclarecer sobre o problema que afeta a pequena Isabelly. A cardiologista Sílvia Souza explica que trata-se de um defeito estrutural no coração e que, na grande maioria das vezes, precisa de intervenção, como uma cirurgia ou cateterismo.

"A cardiopatia tem várias causas. Alguns fatores que podem causar a cardiopatia são: fatores genéticos; surgimento de infecções na gestante, em especial, no primeiro trimestre da gravidez; uso de drogas, como álcool, tabagismo, entre outras", aponta a cardiologista.

Recentemente, a menina Isabelly foi transferida, às pressas, para São Luís, ao Hospital Dr. Carlos Macieira, onde permanece internada. Ela teve uma crise e precisou vir para a capital, segundo relato da prima Suelena Caldas. O transporte por helicóptero só foi possível porque a família mobilizou amigos que deram todo o suporte para que a bebê fosse socorrida com agilidade.

Transferência de Caxias para São Luís de helicóptero. Foto: Reprodução.

"O apelo é que a gente possa acelerar esse processo porque o caso dela é extremo, muito complicado", afirma Suelena. A família requer a ajuda do poder público para que Isabelly, que está na fila de espera, consiga ser operada o mais breve possível.

Sintomas

A cardiologista Sílvia Souza também comentou sobre os sintomas. "Se o diagnóstico não for possível no pré-natal, os principais sintomas são: a criança não ganha peso; o bebê cansa muito ao mamar, pode ficar com sudorese (suor excessivo); tem cianose (pele e lábios roxos), que é sinal de uma cardiopatia mais complexa", enumera.

O pai de Isabelly, inclusive, relatou que a filha sente cansaço e ficou com as mãos e os pezinhos roxos, o que causa mais preocupação à família.

A cardiologista ainda apontou a importância do diagnóstico ainda no pré-natal. "Se a criança não tiver acompanhamento adequado e não for submetida ao tratamento correto para cada tipo de cardiopatia, algumas evoluem de forma muito maligna e que pode levar a complicações graves", ressalta.

Tratamento no Maranhão

No Maranhão, o Hospital Universitário Materno Infantil é referência para tratamento de cardiopatias, mas a demanda é grande. Foi lá que Isabelly ficou na primeira vez em os pais a trouxeram para São Luís em busca de tratamento.

Famílias que não têm condições de arcar com as despesas têm direito ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD), financiado pelo Sistema Único de Sáude (SUS). Por isso, a reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do governo do Estado. Leia a nota:

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que o procedimento para tratar a cardiopatia congênita desta criança não é realizado pelo Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), unidade habilitada pelo Ministério da Saúde. A SES informa que adota todas as medidas para garantir a assistência médica à criança em outro estado. Deste modo, inseriu a paciente na Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC), e aguarda resposta para transferência da paciente.

Atendimento no país

Em junho de 2017, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita para integrar ações de acesso ao diagnóstico, tratamento e reabilitação de meninos e meninas com a doença. Foi ampliado em 75,2%, o orçamento anual destinado aos procedimentos de cardiopatia congênita infantil, em todo o Brasil, que passou de R$ 52,2 milhões para R$ 91,5 milhões, um incremento de R$ 39,3 milhões.

Entre junho de 2017 e março deste ano, o número de procedimentos cirúrgicos relacionados a cardiopatia congênita aumentou 8%, passando de 6.317 para 6.867 em todo o Brasil. Neste período, a lista de espera dos pacientes caiu 35%, passando de 109 para 70.

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