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Dicas para a saúde mental de crianças e adolescentes

Especialistas falam sobre a importância do olhar cuidadoso para a saúde mental, principalmente de crianças e adolescentes, dentro de casa ou na escola
15/09/2021
Dicas para a saúde mental de crianças e adolescentesBanco de imagens/Freepik

São Paulo - A infância e a adolescência são momentos únicos, que influenciam diretamente na vida adulta, e cuidar da saúde mental desses indivíduos é uma necessidade. Porém, a falta de espaços de fala e de escuta em nossa sociedade para abordar esse tema muitas vezes afasta as pessoas e as famílias desse cuidado. E com a pandemia, os desafios aumentaram.

Pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria mostra que, em 2020, houve um aumento de 25% nos atendimentos psiquiátricos. Além disso, 82,9% dos médicos entrevistados destacaram o agravamento dos sintomas dos pacientes após o início da pandemia. Já um relatório da Fiocruz destaca que 40% da população adulta brasileira foi afetada por sentimentos de tristeza e depressão.

Mas o que podemos fazer para acolher e cuidar da saúde mental dessas pessoas, principalmente das crianças e adolescentes? Aproveitando o mês de prevenção ao suicídio e o Dia do Adolescente, comemorado em 21 de setembro, especialistas do LIV falam sobre mitos e preconceitos envolvendo a saúde mental e dão dicas de como ações podem ajudar.

Cuide da saúde do corpo e da mente
Cuidamos preventivamente da saúde do corpo para evitar doenças, também é necessário cuidar da saúde da mente para evitar o adoecimento e transtornos mentais.

"As pessoas acham que saúde mental e saúde do corpo são campos separados, quando na verdade estão interligados. Há muitos exemplos de eventos que começam na saúde do corpo e se refletem na saúde mental, assim como há transtornos mentais que levam ao surgimento ou agravamento de diversas doenças. Por isso, é primordial tratar e cuidar das duas coisas", esclarece Raul Spitz, psicólogo e consultor pedagógico do LIV.

Viva as sensações
Caso a tristeza apareça, viva e sinta esse sentimento. Caso a tristeza não apresente uma razão clara - o que não é raro de acontecer -, ela é um mistério a ser desvendado. E a resposta estará em descobrir esse motivo. Acolha seu sentimento e, se necessário, procure ajuda. Não há sentimento que não seja legítimo.

Crianças podem sentir tristeza
Há na nossa cultura uma ideia pré-determinada sobre a infância na qual as crianças precisam estar sempre felizes e comportadas. Essa ideia equivocada tem levado a um cenário de "patologização" de todo comportamento infantil que fuja a esse imaginário. Muitas vezes, aquelas que não se enquadram em certos padrões, são indiscriminadamente tidas como hiperativas ou com problemas de aprendizagem, simplificando a questão e reduzindo a criança a essa condição, sem considerar aspectos mais amplos.

"O primeiro ponto a se considerar é que nenhum sinal isolado vai apontar para um sofrimento mental. É importante estar alerta para o conjunto de sinais e de mudanças bruscas no padrão de comportamento da criança como o desinteresse pelo ato de brincar, alterações no sono, problemas repetidos de escape de xixi ou cocô após ter aprendido a usar o banheiro, atraso na comunicação, perda de peso ou apetite, queda brusca no rendimento escolar, isolamento social, dores no corpo", esclarece Spitz.

A escola como protagonista
É impossível falar de saúde mental de crianças e adolescentes e não citar o papel de destaque da escola nessa questão. Mesmo na fase de aulas remotas, é na instituição escolar que a criança e o adolescente encontram o convívio com seus pares e com educadores atentos ao seu desenvolvimento - e, por consequência, atentos também às mudanças em seu comportamento. Como os alunos passam muito tempo na escola, é muitas vezes nesse ambiente que surgem os vínculos e também onde manifestam suas dificuldades. Por isso, é comum que eles encontrem nesse espaço um meio de se abrir ou pedir ajuda em situações difíceis, com mais facilidade até do que no ambiente familiar.

Boa saúde mental é algo coletivo
Ninguém está sozinho nessa jornada, ainda que a saúde mental diga respeito a aspectos muito pessoais de cada um. Sendo assim, nunca é suficiente dizer: está tudo bem procurar ajuda. Se você sente uma dor em seu corpo, não espere essa dor se tornar insuportável para buscar um médico e descobrir o que está acontecendo. O mesmo se dá com a saúde mental. Não precisamos esperar que a vida pare ou que a gente mesmo fique paralisado diante da vida para buscar ajuda.

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