Cidades | Navio contaminado

Após filipino, mais quatro tripulantes testam positivo para Covid-19

SES ainda não concluiu sequenciamento genômico para identificar possíveis variantes nos tripulantes infectados
Kethlen Mata/ O Estado01/09/2021 às 00h00
Após filipino, mais quatro tripulantes testam positivo para Covid-19Navio MV Sagittarius continua sem autorização para atracar na área portuária de São Luís (Divulgação)

São Luís – Tripulante filipino que deu entrada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de hospital particular de São Luís, no último dia 22 de agosto, depois de testar positivo para Covid-19, segue internado desde o dia 23. Nesta terça-feira (31), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que mais quatro pessoas do navio MV Sagittarius testaram positivo para a doença. A pasta afirmou que ainda não há resultado do sequenciamento genômico para identificar a variante do vírus em nenhum dos tripulantes. O caso segue sendo acompanhado pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) e Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa), em cooperação com a Anvisa.

No total, 19 pessoas fazem parte da tripulação do navio MV Sagittarius, embarcação que está há 10 dias na área de fundeio e não atracou em São Luís. Outros 18 tripulantes, são em sua maioria de origem filipina, além de um tripulante russo e outro da Geórgia, todos realizaram testes, mas apenas cinco aprestaram resultado positivo, contando com o filipino que está internado em UTI da cidade.

Os outros quatro tripulantes com o vírus, cumprem quarentena no navio; três deles assintomáticos e um com sintomas leves. Os demais 14 testaram negativo para Covid-19 e seguem as determinações da Anvisa quanto às medidas sanitárias.
“Por fim, a Secretaria comunica que o navio continua sem autorização para atracar na área portuária de São Luís até que passe o período de incubação do vírus e sejam descartadas as possibilidades de transmissão”, frisou a SES em nota para O Estado.

A variante Delta
Dados da Rede Genômica da Fiocruz mostram que, entre os sequenciamentos de amostras feitas pelo sistema no país, a variante Delta corresponde a 22,1% dos casos sequenciados em julho (mais do que 1 em cada 5 casos). Em junho, o total era de 2,3%. Em maio de 2021, o Maranhão confirmou os primeiros casos da variante Delta do coronavírus (chamada de B.1.617 e encontrada inicialmente na Índia) no Brasil. Os seis casos dessa variante foram detectados em tripulantes do navio MV Shandong da Zhi, que saiu da Malásia e chegou ao litoral maranhense em 14 de maio.

Um dos infectados foi internado em um hospital particular da capital, São Luís e morreu 43 dias depois. Os outros estavam isolados dentro do navio, em alto-mar, a cerca de 35 quilômetros da costa. Dois deles retornaram à embarcação depois de serem medicados em hospital. No entanto, apesar destes seis casos, o governo do Maranhão afirma que o vírus não se espalhou por meio deles e ainda não há transmissão local da variante delta do coronavírus, apenas casos externos.

Contudo, especialistas alertam que a disseminação da variante Delta no Brasil está mais agressiva que a cepa identificada no início da pandemia. De acordo com dados da Rede Genômica Fiocruz, enquanto a variante Gama, a cepa P.1, identificada inicialmente em Manaus, dobrou sua participação do segundo para o terceiro mês de presença, passando de 11,5% para 23,6% dos casos entre dezembro de 2020 e janeiro deste ano, a Delta, originária da Índia, multiplicou sua cota por nove em período similar, indo de 2,3% para 21,5% entre junho e julho.

Estudos apontam que a mutação é 60% mais contagiosa e que a carga viral dos infectados é até 1.260 vezes maior do que nos afetados com variantes anteriores do vírus causador da Covid-19.

Afretamento
A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados realizou na última sexta-feira (27), audiência pública para debater propostas que alteram a legislação de transporte aquaviário e estabelecem regras sobre o afretamento de embarcações estrangeiras, tanto na navegação de cabotagem quanto na navegação interior.

O debate foi solicitado pelo deputado Paulo Vicente Caleffi (PSD-RS), que é autor de projeto de lei sobre o tema (PL 1809/21). Também estão em análise na Câmaras outras duas propostas que regulamentam o assunto: PL 4101/20, dos deputados Lucas Gonzalez (Novo-MG) e Marcel Van Hattem (Novo-RS); e PL 1078/21, do deputado Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS).

Os três projetos alteram a Lei 9.432/97, que ordena o transporte aquaviário no país.

SAIBA MAIS

Navio MV SAGITTARIUS

O graneleiro MV Sagittarius está atualmente localizado na Costa Leste da América do Sul (ECSA), conforme relatado pelo Sistema de Identificação Automática Terrestre de Transporte Marítimo (Marine Traffic). A embarcação está no porto de São Luís, após uma viagem de um mês e 6 dias com origem no porto Haldia (Índia).
O Sagittarius é uma Bulk Carrier que foi construída há 15 anos, em 2006, e está navegando sob bandeira do Panamá. O seu comprimento total é de 225 metros e sua largura é de 32,26 metros.

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