Alternativo | Sem festa

Sem colocar o bloco na Rua

Bloco Os Foliões programa transmissões pela internet para todo o ano, já que as apresentações presenciais não serão possíveis
16/02/2021
Sem colocar o bloco na RuaDivulgação

São Luís- Um dos mais engajados blocos tradicionais do Maranhão, Os Foliões anunciou que fará uma série de lives ao longo deste ano, com datas ainda a serem divulgadas. A ideia visa cobrir a lacuna devido ao cancelamento das apresentações durante o período de Carnaval 2021, devido às medidas sanitárias para conter a propagação do novo coronavírus.

Segundo William Moraes Correa, presidente do bloco, com o sucesso da “I Super Live dos Foliões”, realizada em novembro, o bloco fez alguns vídeos musicais para a Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Lei Aldir Blanc. E, segundo ele, outras propostas serão apresentadas pegando carona nessas transmissões.

“Outros vídeos e pequenas lives serão gravados ao longo do ano e outras serão produzidas, mas em estilo de programas de debates, curiosidades, comédias, teatro, infantil, entre outros. Lives musicais serão apresentadas ao longo do ano, com o bloco cantando músicas autorais e repertório mais amplo”, anunciou Corrêa

Ano difícil
De acordo com o presidente da manifestação folclórica, desde o ano passado, as coisas têm sido difíceis para o bloco Os Foliões. “Sem apresentações e patrocínios fixos fica difícil manter a estrutura da entidade, principalmente os gastos com a sede, que é a Casa de Cultura Walmir Moraes Corrêa. É preciso se adaptar e descobrir ou criar formas alternativas de captar recursos, pois o cenário está muito difícil. A saudade do Carnaval dá-se, principalmente, pelos eventos pela cidade, e de ver o bloco fazendo a festa pelas ruas, o que acontece desde 1976. Quanto aos concursos de passarela, esses precisam ser repensados, urgente, até mesmo se ainda é cabível realizar desfiles de passarela desmontada”, disse William Moraes Corrêa.

Criação de vídeos e trabalhos adicionais Os Foliões já promove há vários anos, bem como oficinas e cursos. O grupo é, atualmente, uma entidade policultural, com trabalhos o ano inteiro em várias áreas de atuação, estando presente no São João, Natal, música, dança, teatro, circo, redes sociais, artesanato, corte e costura, bordados, entre outros. Outra forma de angariar recursos é a venda de produtos, como camisas e bonés.

Inédito
De acordo com William Moraes Corrêa, o bloco vive algo inédito, que é não poder sair pelas ruas. “Já tivemos carnavais sem desfile de passarela. Isso é até supérfluo, mas houve Carnaval. Essa é a primeira vez, pelo menos desde que eu me entendo como ser humano na Terra. Porém, o momento é outro. Passamos por um delicado evento histórico. Precisamos lutar para salvar vidas. Os Foliões passou o ano de 2020 monitorando seus componentes, orientando e acompanhando. E vai continuar fazendo. Infelizmente, perdemos amigos e pessoas amadas. Precisamos nos unir, cuidar uns dos outros, não repetir os erros passados que não nos levaram a nada. O momento é de recomeçar, de união, não de disputas bobas. Ninguém é melhor que ninguém. Nenhum grupo é melhor que o outro. Deixem isso pro esporte”, enfatizou.

Este ano, o bloco ainda vai participar do movimento internacional “Playing for Change”, que reúne grupos do mundo inteiro. Trata-se de uma iniciativa criada para inspirar e conectar o mundo por meio da música, nascida da ideia de que a música tem o poder de romper fronteiras e superar distâncias entre as pessoas.

“Nosso foco principal é gravar e filmar músicos que atuam em seus ambientes naturais e combinar seus talentos e poder cultural em vídeos inovadores que chamamos de ‘Músicas ao redor do mundo’ ou ‘Songs Around the World’. No Brasil, fazem parte desse movimento artistas e grupos como Sandra de Sá, Afroreggae e Olodum. A sede do projeto fica em Santa Mônica, Estados Unidos. Os vídeos dos projetos, reunindo artistas de várias partes do mundo, poderão ser encontrados no canal da entidade no Youtube”, explicou, acrescentando que, este ano, o grupo ainda pretende participar de festivais, entre nacionais e internacionais.

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