Memória

Marcos históricos

Biblioteca Pública Benedito Leite é símbolo da memória social da cidade

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19
(biblioteca)

SÃO LUÍS- Ambientada no ponto central de São Luís, desde 1951, a Biblioteca Pública Benedito Leite abriga bem mais que um acervo importante que inclui obras de arte, coleções de jornais maranhenses, datados desde a independência (1822), manuscritos do século XVIII, entre outros, sua estrutura e entorno tem um significado ainda mais importante para a cidade: a sua memória.

A localização privilegiada serve de referência para encontro de pessoas e também já foi cenário para manifestações sociais, comícios, entre outros atos públicos. No espaço interno, entre seus corredores de conhecimento, muitos escritores despertaram para a sua vocação enquanto ali estudavam. Foi lá que o escritor José Louzeiro, falecido em 2017, despertou sua vontade de escrever. No livro “Lições de Amor” (2012), ele lembra que passava tardes estudando geografia e viajando por diversos universos por meio dos livros da biblioteca.

A memória de Louzeiro não é individual, muitos ludovicenses têm em suas referências afetivas, relatos com o lugar.

Segundo o pesquisador Maurício Morais, a própria localização da biblioteca já lhe confere uma posição de destaque, aliado a isso, uma rede de informações e interações constituem os processos de memória.

“A Benedito Leite está localizada no Centro de São Luís, na Praça do Pantheon, considera por alguns pesquisadores como a região mais alta da cidade, o que por si só, lhe confere uma posição de destaque. Além disso, se trata de um local que desperta uma série de lembranças, tanto nos moradores da região central quantos nas pessoas que por ali transitam há anos. Simbolicamente a Benedito Leite possibilita uma série de processos mnêmicos, aciona memórias que são, ao mesmo tempo, individuais (estudantes que passavam tardes e tardes em seus espaços) e coletivas (movimentos políticos realizados na praça, encontro de amigos que estudavam em escolas do centro, famílias cujas trajetórias se entrelaçam à Benedito Leite). O centro de São Luís e o complexo Deodoro, onde está abrigada a Benedito Leite é marcada por histórias e fatos importantes na capital ludovicense, a exemplo, a Greve dos Estudantes, comícios políticos, dentre outros movimentos sociais. Além disso, a paisagem é inspiração para autores e dentre outros literatos cujos bustos estão reunidos após a requalificação do espaço”, detalha Morais.

Para o pesquisador, a requalificação do centro, incluindo a Praça do Pantheon e Deodoro, inaugurado em 2018, pode trazer como consequência positiva a aproximação do público com a Benedito Leite. “Do ponto de vista paisagístico, creio que sim, uma vez que o espaço foi requalificado e reformado, as histórias e memórias que se cruzam à Benedito Leite não perderam seus sentidos. Penso que a reforma reaproxima os cidadãos à Praça, e por conseguinte à Benedito Leite, porém as lembranças e memórias continuam ainda mais vivas”, observa.

Conectada

A Biblioteca Pública Benedito Leite atualmente ultrapassou as esferas do espaço físico, adotando uma postura ativa nas redes sociais. Durante a pandemia realizou algumas ações importantes no âmbito virtual, como conversa com autores, indicação de livros para o público jovem, infantil e também obras com acessibilidade, além da adaptação da contação de história de forma remota, de segunda a sexta-feira, às 16h. As histórias são de livros que integram o acervo da biblioteca. “É uma forma de ficar perto dessa garotada que a gente gosta de sentir esse calor, como eles não podem ir até nós, chegamos na casa dessa criançada com uma bela contação de história”, destaca a diretora da Biblioteca Pública Benedito Leite, Aline Nascimento.

De acordo com a diretora da Biblioteca, Aline Nascimento, a biblioteca sempre teve presente na formação da prática de leitura da população maranhense como um todo e hoje o uso da internet é uma ferramenta importante para cumprir a missão. “Sempre se teve uma relação muito próxima com as crianças e nos últimos anos, estamos com uma conquista muito próxima com os adolescentes que é o público que geralmente mais se distancia da biblioteca como um espaço de lazer, de convivência. Ano passado, no aniversário de 178 anos da Biblioteca, inauguramos o espaço jovem, justamente para que a gente pudesse atrair esse grupo que é tão importante para a gente. A nossa média de atendimento, antes da pandemia, estava de 12 mil a 15 mil pessoas por mês, um recorde para as bibliotecas públicas brasileiras nesses tempos de internet. Quando veio a pandemia iniciamos várias atividades para continuar próxima do seu público e fazer as atividades que tem como missão que é formar leitores, difundir a literatura, principalmente a maranhense e começamos a fazer diversas atividades, um exemplo dela é a indicação de livros para crianças e jovens, iniciamos em abril essa atividade remota através das redes sociais da biblioteca” destaca.

Para o pesquisador Maurício Morais, essas ações são positivas para a difusão de memórias para as novas gerações. “Vejo essas ações como estratégias de resgate de histórias, cujas memórias merecem ser preservadas e difundidas para as novas gerações. Se as novas gerações nascem imbuídas de tecnologia, a Benedito Leite precisa lançar mão de mecanismos que levem essa informação até eles, ou seja, por meio de tecnologias e recursos mais modernos, como por exemplo, a digitalização de documentos raros, convites pelas redes sociais, dentre outras. A memória é viva, está entrelaçada às trajetórias das pessoas, elas são agentes de resgaste e responsáveis por evocá-las mediante essas ações de intervenção e mediação da leitura na Benedito Leite, tanto é que são realizadas em diferentes espaços”, destaca.


Saiba mais

Ao longo dos seus quase dois séculos de existência, a Biblioteca Pública Benedito Leite conseguiu formar um acervo único no Maranhão. Além da valiosa coleção de obras raras, possui também a maior coleção de jornais maranhenses (558 títulos), tornando-se a mais completa fonte de pesquisa desses documentos no Estado.

O acervo de periódicos maranhenses é formado por jornais como O Conciliador do Maranhão (1º jornal maranhense), O Censor, O Progresso, O Telegrapho (Caxias), O Farol, A Actualidade, Alavanca, Pacotilha, A Cruzada, O Norte (Barra do Corda), O Rosariense, O Ser (Rosário), O Alcantarense (Alcântara), Anapuru (Brejo), O Martello (Codó), O Coroatá (Coroatá), A Ordem (Pedreiras), O Cruzeiro (São Vicente Férrer), A Semana (Cururupu), A Pátria, O jornalzinho (Carolina ),O Pharol, Jornal de Balsas (Balsas), Trabalhista (Itapecuru-Mirim), Gazeta Popular (Chapadinha), Jornal de São Bento (São Bento), Folha de São Mateus (São Mateus), Tribuna de Barra do Corda (Barra do Corda), O Curioso, Jornal Oficial dos Municípios do Estado do Maranhão, Jornal Pequeno, O Debate, O Estado do Maranhão, O Imparcial, enfim, de 1821 a 2012, são 555 títulos de jornais. Esses jornais contam a história do Maranhão, ou melhor, são a própria história do Maranhão. São jornais de vários municípios maranhenses, nos mais diversos formatos, nas mais diferentes linguagens, tratando dos mais diferentes assuntos.

Além do acervo de jornais e obras raras, a sua coleção é composta também por cerca de 90 mil exemplares de livros em tinta (técnicos, literários, didáticos), livros em braille, livros falados, cd´s, dvd´s, fotografias e cerca de 1.000 manuscritos.

A Benedito Leite foi uma das pioneiras no nordeste e também no Brasil em trabalho de digitalização de seu acervo raro. Hoje, grande parte dos manuscritos que fazem parte de sua coleção já está digitalizada e disponibilizada em formato eletrônico.

Fonte: Governo do Maranhão

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