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Bolsonaro volta a questionar segurança da urna eletrônica

Presidente afirmou que houve fraude na eleição de 2018 e que, na prática, ele foi eleito no primeiro turno.
Folha de S. Paulo10/03/2020 às 07h26
Bolsonaro volta a questionar segurança da urna eletrônicaMarcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro pressionou nesta segunda-feira (9) o Congresso, alvo dos atos previstos para domingo (15), ao dizer que a população não quer o Parlamento como "dono do destino de R$ 15 bilhões" do Orçamento.

Em evento nos EUA, Bolsonaro também voltou a colocar em xeque a Justiça Eleitoral ao afirmar, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição de 2018 e que, na prática, ele foi eleito no primeiro turno.

As declarações do presidente ocorrem às vésperas das manifestações de bolsonaristas que miram ataques ao Legislativo e ao Judiciário —e que ele nega ser contra os dois Poderes.

Bolsonaro atrelou os atos do dia 15 de março ao acordo que selou a divisão do Orçamento de R$ 30 bilhões entre governo e Congresso e que teve aval do próprio presidente.

"Ontem, anteontem, troquei umas mensagens com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, falando sobre a questão do dia 15 de março que, no meu entender, é algo voluntário por parte do povo, não é contra o Congresso, não é contra o Judiciário, é a favor do Brasil que, afinal de contas, devemos obedecer e seguir o norte apontado pela população. E o que a população quer, que está em discussão lá em Brasília: não quer que o Parlamento seja o dono do destino de R$ 15 bilhões do Orçamento."

Bastante aplaudido diante de uma plateia de brasileiros em Miami, nos EUA, o presidente disse ainda que, caso os presidentes da Câmara e do Senado se pronunciem contra a partilha de recursos, poderão, inclusive, sinalizar que estão alinhados com o Planalto e, assim, arrefecer os protestos marcados para o próximo fim de semana.

"É isso que está em jogo no momento. Acredito ainda que se, até o dia 15, os presidentes da Câmara e do Senado anunciem algo no tocante a dizer que não aceitam isso e se a proposta chamada PLN4 [projeto de lei do Congresso Nacional nº 4] tiver dúvida no tocante a ficar com eles, para que venham destinar os recursos para onde eles acharem melhor, e não o Executivo, acredito que eles possam botar até um ponto final na manifestação. Não um ponto final, porque ela vai haver de qualquer jeito no meu entender, mas para mostrar que estamos, sim, afinados no interesse do povo brasileiro", completou Bolsonaro.

Sem apresentar provas, Bolsonaro ainda afirmou que houve fraude eleitoral em 2018, aproveitando para defender a aprovação de um sistema seguro de apuração de votos no Brasil. Segundo ele, se bobear, a esquerda pode voltar ao poder em 2022.

"Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito no primeiro turno mas, no meu entender, teve fraude", disse Bolsonaro.

"E nós temos não apenas palavra, temos comprovado, brevemente quero mostrar, porque precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos. Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes. Então acredito até que eu tive muito mais votos no segundo turno do que se poderia esperar, e ficaria bastante complicado uma fraude naquele momento."

Após 30 minutos de discurso, porém, ele não apresentou nenhum indício concreto do que chamou de fraude eleitoral na eleição de 2018 e também não respondeu sobre possíveis provas após o evento, quando foi questionado por jornalistas sobre o assunto.

Embora já tenha levantado suspeitas sobre a Justiça Eleitoral anteriormente, é a primeira vez que Bolsonaro diz ter provas da fraude eleitoral desde que ocupa o Palácio do Planalto —embora sem apresentá-las.

Em outubro de 2018, o então candidato do PSL fez um pronunciamento na internet no qual disse suspeitar que só não havia vencido Fernando Haddad (PT) no primeiro turno devido a fraudes nas urnas eletrônicas.

Antes da segunda etapa da eleição, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mandou fazer uma auditoria externa que comprovava a segurança do sistema de urna eletrônica no Brasil.

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