Empreitada criminosa

Motoristas de aplicativos à mercê de criminosos na Ilha

Esses profissionais já recusam corrida para diversos pontos de São Luís; a maioria dos crimes cometidos tem participação de mulheres e menores de idade

Ismael Araújo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h21
Motoristas de aplicativos têm convivido com a violência criminal
Motoristas de aplicativos têm convivido com a violência criminal (uber)

Os assaltos diários a motoristas de aplicativos acabaram tirando vários bairros da Grande Ilha da rota desses profissionais, que os consideram como área de risco ou região vermelha. Segundo a categoria, no momento, as ações criminosas não têm mais horário para acontecer e, na maioria das vezes, contam com a participação de menores de idade e mulheres.

“Quando há chamadas para o Coroadinho, Camboa, Vila Conceição, Altos do Calhau, João de Deus, Cidade Olímpica e região da BR acabo dispensando a corrida, por causa dos frequentes assaltos aos meus colegas de trabalho nessas localidades”, explicou a motorista de aplicativo Lídia Flor, de 40 anos. Ela falou que está há um ano trabalhando nessa atividade, mas somente durante o dia. “Noite e madrugada não trabalho, pois esse horário é muito propício para roubos”, disse Lídia Flor.

A motorista ainda contou que na tarde de segunda-feira, 10, uma colega de profissão, de nome preservado, foi vítima de roubo, que teve a participação de uma mulher. “Ela pegou uma cliente e ao chegar ao bairro Camboa foi roubada. A assaltante estava com uma arma de fogo e chegou acompanhada por menores”, frisou.

Wallace Dias, de 46 anos, disse que trabalha como motorista de aplicativo há três anos e em novembro de 2018 foi vítima de ação criminosa. Uma mulher, em companhia de dois menores, entrou no veículo como cliente, no bairro Cohama, e ao chegar no Araçagi anunciou o assalto. “Os menores que colocaram o revólver na minha cabeça e exigiram o dinheiro”, desabafou o motorista.

Ele também declarou que no momento, para se livrar dos assaltos, observa de forma criteriosa as pessoas que solicitaram corrida. “Eu, primeiramente, analiso o passageiro e, caso tenha alguma atitude suspeita, cancelo imediatamente a corrida. Vou embora e não deixo entrar no meu veículo. Esses assaltantes estão até mesmo usando crianças e idosos”, frisou Wallace Dias.

Ações criminosas
Os motoristas de aplicativos estão a mercê da onda de criminalidade na Ilha. Na noite do último dia 2, criminosos abordaram um motorista de aplicativo, no Angelim. A vítima foi colocada no porta-malas e, logo após, os criminosos utilizaram o veículo em assaltos pela cidade. Foi solto depois, sem ferimentos.

No dia 23 do mês passado, uma motorista de aplicativo foi feita refém após deixar um passageiro, no bairro Cohab, por dois assaltantes. Ela foi levada para o Distrito Industrial, na BR-135, onde mais um criminoso teve acesso ao veículo.
Ainda nessa localidade, os bandidos se desentenderam e houve troca de tiros. A motorista aproveitou a distração dos criminosos para fugir e foi socorrida por pessoas da região, sendo levada para a Unidade Mista do São Bernardo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, mas, até o período da tarde de ontem não havia registro de prisão.

No fim do mês de dezembro do ano passado ocorreu a operação Backup Dois, que foi realizada pela Polícia Civil, na Grande Ilha, e conseguiu prender um casal integrante de um bando especializado assaltos a motoristas de aplicativo. Em poder deles, foram apreendidos mais de 20 celulares.

Segurança
Com o objetivo de promover a segurança por meio da tecnologia e incentivar interações adequadas durante a viagem, os motoristas de aplicativo estão utilizando desde o começo desta semana a ferramenta U-Áudio, que permite que usuários e motoristas parceiros gravem áudios durante viagens, dentro da plataforma, e usem o arquivo para reportar à Uber qualquer acontecimento no qual tenham se sentido desconfortáveis.

A ferramenta pode ser acessada por meio dos recursos de segurança que aparecem no aplicativo durante uma viagem. Quando a corrida se encerra ou por meio do histórico de viagens, tanto o usuário quanto o motorista possuem a opção de relatar um incidente de segurança e anexar o arquivo de gravação de áudio em apenas alguns toques.

O áudio permanece criptografado e armazenado diretamente no dispositivo de quem fez a gravação, e a Uber só poderá acessá-lo se o motorista ou usuário escolherem compartilhar o arquivo como parte do relato. Depois que o arquivo de áudio criptografado for enviado aos agentes de atendimento ao cliente da Uber, o arquivo será aberto e usado para ajudar a entender melhor o relato do incidente e tomar as medidas apropriadas.

SAIBA MAIS

A Câmara Municipal de São Luís aprovou por unanimidade, em fevereiro do ano passado, o Projeto de Lei nº 001/2017, que regulamenta os serviços de transporte individual de passageiros com uso de aplicativos de celular, como Uber, Mary Drive e 99 POP. O projeto cria obrigações aos serviços de transporte individual por aplicativo, como identificação do passageiro por parte do motorista, destino da corrida, apresentação de certificado de seguro contra acidentes pessoais a passageiros, uso de veículos com no máximo oito anos de fabricação e cobrança de 5% de tributos sobre os valores pagos por viagem.

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