Saúde

Fevereiro Roxo traz alerta para a prevenção da doença de Alzheimer

Geriatria recomenda aos idosos e aposentados que façam cursos, participem de palestras ou aprendam língua estrangeira, além das atividades físicas, como opção para deixar o corpo e a mente ativos

Nelson Melo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h21
Principal ferramenta usada no Asilo de Mendicidade para pacientes com Alzheimer é a Estimulação Cognitiva
Principal ferramenta usada no Asilo de Mendicidade para pacientes com Alzheimer é a Estimulação Cognitiva (Alzheimer)

Neste mês, acontecem reflexões relacionadas ao “Fevereiro Roxo”, que tem como um dos focos a doença de Alzheimer (DA). Trata-se de um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal, que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, bem como pela variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Geralmente, afeta as pessoas na faixa etária dos 60 anos. A melhor alternativa para prevenir essa demência é a prática de atividade física.

Sobre o caso, a geriatra Jacira do Nascimento Serra informou que nem todo esquecimento é Doença de Alzheimer, por isso, a importância de um profissional da área médica, que está habilitado para oferecer o diagnóstico. Como explicou, o ato de esquecer pode ser apenas fisiológico, ou seja, algo do próprio envelhecimento. O esquecimento também pode representar o início da demência, conhecida como distúrbio cognitivo leve. Mas aquele que repercute no cotidiano da pessoa pode ser um
aviso de que a DA já está presente.

“A gente tem visto muitas pessoas que, mal esquecem algo, já acham que é Alzheimer. Aquele esquecimento que provoca alterações no dia a dia devem ser motivo de preocupação. Não é algo do tipo: ‘onde botei isso ou aquilo?’. É diferente de: ‘guardei o carro, mas não sei onde’. Ou esquecer de fechar a porta da casa todos os dias antes de dormir. Essas coisas repercutem no cotidiano”, frisou a médica, que também é professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Fases da doença
Conforme a geriatra, a doença de Alzheimer é um tipo de demência crônico-degenerativa, como é o Mal de Parkinson. Não é uma enfermidade aguda, tal qual a pneumonia ou a gripe. A DA tem duração variável, de 10 a 15 anos, com várias fases.

Na primeira etapa, segundo Jacira do Nascimento Serra, a pessoa tem falhas de memórias, mas, mesmo assim, tem condições de realizar suas tarefas domésticas.

Na segunda fase, o idoso precisa de ajuda para realizar algumas tarefas. Na terceira etapa, esse auxílio ocorre em praticamente toda a rotina da pessoa afetada pela doença. “Na quarta fase, o sujeito já está acamado, precisando de ajuda para respirar, para se alimentar, enfim. O importante é nunca concluirmos que isso ocorre por causa da idade ou achar que todo esquecimento é doença de Alzheimer”, esclareceu a geriatra.

Atividades físicas
De acordo com a médica, a sintomatologia ocorre em uma fase avançada da vida, geralmente, por se tratar de doença crônica-degenerativa. Mas isso não significa que alguém com menos de 50 anos não possa adquirir a DA. De qualquer forma, como pontuou a geriatra, a prática de exercícios físicos atua no sentido de prevenir a Alzheimer. “Até bem pouco tempo, os trabalhos científicos falavam da importância das atividades físicas na prevenção das doenças cardiovasculares.
Mas hoje esses trabalhos mostram essas atividades também são importantes para prevenir as doenças cérebro-vasculares”, comentou Jacira do Nascimento.

Ela destacou sobre o envelhecimento saudável, que se inicia lá atrás, com uma vida alicerçada nos exercícios físicos, como caminhada e corrida. “Se quiser envelhecer bem, sem nenhuma doença ou poucas doenças, o importante é seguir esse tripé: boa alimentação, atividade física e atividade mental. Isso serve para a doença de Alzheimer, para a hipertensão, o Mal de Parkinson e outras. Se tivermos cuidado, teremos um envelhecimento bem-sucedido, como chama a Organização Mundial de Saúde (OMS)”, assinalou a geriatra.

Exercícios em grupo
No Asilo de Mendicidade de São Luís, localizado no Jardim São Francisco, na capital maranhense, não apenas atividades físicas, como mentais são promovidas com os idosos, para retardar o avanço da doença de Alzheimer. De acordo com a terapeuta ocupacional Socorro Serra, a principal ferramenta utilizada no local para esses pacientes é a Estimulação Cognitiva, definida como um processo de mudança que objetiva despertar e, em alguns casos, reabilitar as funções físicas, psicológicas e sociais.

Ela explicou que os idosos participam de atividades em grupo, para estimular a memória, o raciocínio, a atenção e outros aspectos cognitivos. No local, há oito pacientes com diagnóstico da Alzheimer. Deste total, três são homens e cinco são mulheres, como destacou a terapeuta ocupacional.

Sintomas como alerta
Segundo a geriatra, os sinais referentes à memória são os primeiros que devem ser observados, tanto pela pessoa como pela família. Se um professor universitário, que durante vários anos segue uma rotina de deslocamento ao trabalho, de repente esquecer o caminho ou se perder frequentemente, um médico deve ser procurado para oferecer um diagnóstico. De igual modo, isso deve ser realizado quando uma dona de casa experiente na cozinha começa a queimar a comida constantemente.

Outro ponto que merece atenção são as mudanças no humor. Por exemplo, uma pessoa muito alegre que fica indisposta sem motivo aparente. Essas alterações precisam ser levadas em consideração. Mas nunca, por si próprio, concluir que é Doença de Alzheimer, pois há demências reversíveis, que podem indicar baixo teor de vitamina B12 ou depressão.

Tratamento
A médica esclareceu que o tratamento medicamentoso para Alzheimer não cura ninguém. Apenas vai postergar os sintomas. Por este motivo, o apoio multidisciplinar é importante. Nesse sentido, outros profissionais devem atuar para ajudar, cientificamente, o idoso, como fisioterapeutas, educadores físicos, fonoaudiólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, que vão oferecer o suporte juntamente com o geriatra.

Outras opções são fundamentais nesse processo, no que se refere à prevenção, como os cuidados com a saúde, incluindo avaliações periódicas da pressão arterial, níveis de colesterol ou existência de diabetes. “Se quiser se prevenir, é necessário ter cuidado para evitar obesidade, sedentarismo etc. Se não gosta de caminhar, pode fazer hidroginástica ou pilates. Ou a dança. É essencial que a pessoa não fique parada, tanto físico como mentalmente”, ressaltou a médica.

Ela disse que, às vezes, a pessoa se aposenta e fica quase o dia inteiro dentro de casa. O idoso pode, por exemplo, fazer um curso de pintura em tecido ou aprender a tocar um instrumento musical. Outra opção é aprender uma língua estrangeira. “Trabalhos científicos demonstram que isso realmente funciona. O aposentado pode fazer trabalho voluntário, viajar, passear, fazer jardinagem. Ou escrever um livro. Para quem não sabe Informática, fazer um curso pode ajudar muito”, comentou a professora universitária.

Fevereiro Roxo

A campanha “Fevereiro Roxo” foi criada em 2014, na cidade de Uberlândia (Minas Gerais). Seu lema é: “Se não houver cura, que ao menos haja conforto”, aludindo à importância de proporcionar bem-estar aos portadores de doenças crônicas. Não existe um calendário oficial de conscientização. O trabalho geralmente é feito por ONGs e, muitas vezes, apoiado por prefeituras e governos estaduais, que promovem palestras, ações de informação sobre as doenças e até mutirões de saúde.
Essas medidas são importantes porque, além de darem visibilidade às doenças e a seus sintomas, incentivam que aqueles que suspeitam de algum problema procurem um diagnóstico. O uso de lacinhos coloridos, inspirado nas ações de conscientização do câncer de mama, é uma forma alegre e de forte apelo visual para chamar atenção sobre a importância de conhecer e diagnosticar tais quadros. Como as campanhas não são unificadas, em fevereiro também há a promoção da conscientização sobre a leucemia, o tipo mais comum de câncer, e a importância de se cadastrar como doador de medula óssea. Essa ação é chamada de Fevereiro Laranja.

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